Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Salvador Dali e sua visão além do alcance. Foi isso que imediatamente veio a mente enquanto assistia “ The Lovely Bones – Um olhar Sob o Paraíso(2009)” o mais recente trabalho do diretor Peter Jackson. Surrealidade. Os tons “baunilhados” trabalhados na fotografia desta película saíram de algum trabalho de Dali. Belos e encantadores planos. O filme é bem costurado. Jackson já provou ao mundo seu talento como diretor na odisséia “ The Lord Of the Rings” e deixou claro sua linha de trabalho em “King Kong”: ele é tão megalomaníaco quanto James Cameron e seus Titanics e Avatares da vida. A diferença é que, Jackson consegue não ser tão meloso quanto Cameron, e trás para seus trabalhos um pouco mais de verossimilhança; embora ela não exista de fato.

Com um elenco de peso, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Stanley Tucci, Susan Sarandom e Saoirse Ronan no papel da protagonista doce e esfusiante Susie Salmon, “The Lovely Bones” agrada, funciona, mas não é estupendo. Ele é redondo. Stanley Tucci , depois de algum tempo em papeis pequenos e um tanto bestalhões; da vida a George Harvey, serial Killer e antagonista desta história; e finalmente consegue ser visto como um bom ator. Tanto é que desbancou alguns notórios e dados como certos candidatos ao Oscar e escreveu seu nome com sua indicação ao Prêmio de melhor ator coadjuvante 2010. Acredito que não ganhe, pois temos concorrente peso pesados por demais nesta categoria, mas até aqui, valeu e muito esse papel em sua carreira.

Mark Wahlberg como pai amoroso e sofrido era algo totalmente novo para mim. E Sim, ele pode fazer outros papeis sem ser policial, bandido ou gigolô. Ponto para ele também. Rachel Weisz e Susan Sarandom estão, lindas. E impecáveis, como “ quase sempre”. Saoirse Ronan que ganhou notoridade após ser a meninha chata para caramba no britânico “ Desejo e Reparação” mostra que esta firme no proposito e atuar. Seus olhos de tão azuis e limpidos saltam ora como estrelas, ora como bolitas ora como pedras precisosas ao colo do espectador.

Um roteiro linear, pontuado e bem fechado. Peter Jackson ja estava mexendo os pauzinhos deste projeto ainda enquanto terminava “The Lord of the Rings” em 2000, mas não era certa sua participação no projeto. Nesse meio tempo as produtoras associadas garantiam os direitos autorais do longa em cima dos manuscritos do romance que estava sendo escrito por Alice Sebold entitulado aqui no Brasil “Vida Interrompida”, e o tempo passou varios nomes cotados para a direção e inclusive para o elenco também passaram.  Mesmo tendo sua estréia adiada para a “temporada de prêmios” foram poucos aos quais emplacou. No Oscar deste ano concorre apenas com a indicação de Tucci.

De forma geral, “The Lovely Bones” é um deleite visual muito bem acabado.

Concorrentes ao OSCAR 2010

Filme Estrangeiro

por Caroline Araújo

Definitivamente o cinema argentino tem uma regularidade de produções que assusta. Com várias escolas cinematográficas espalhadas (existem mais escolas de cinema que de medicina)não é de achar estranho que vira e mexe consiga emplacar uma de sua produções entre os cinco concorrentes ao Oscar de filme estrangeiro. 2010 a história repete-se.

“El Secreto de Sus Ojos” de Juan Jose Campanella(2009) é mais uma película argentina que entra para o Hall de melhores filmes estrangeiros já feitos. Bem, é um filme correto. O diretor executa o que ele propõe. Sem grandes surpresas. Sem nada estupendo. Ao fim um filme redondo e que prende o espectador. Gosto de ressaltar que Campanella abusa de planos detalhes. O inicio do filme é praticamente todo em planos detalhes das ações, uma belíssima escolha poética de narrativa. Assim como a fotografia difusa, lembram telas límpidas. Muito boa a escolha fotografia. O trio principal de atores segura o filme, Ricardo Darín, Soledad Villamil (lindíssima) e Guillermo Francella; vivem intensamente o roteiro proposto e convencem.

O filme se passa em dois tempos, passado e presente e trabalha na edição a congruência deles. A todo instantes estamos às voltas com o passado que não permite que Benjamim(Darín) toque a aposentadoria tranquilamente. E temos um presente onde Irene(Villamil) começa a mensurar suas escolhas do passado. Trata-se da adaptação de um romance policia de Eduardo Sacheri que, junto com Campanella assina este roteiro. Criticas políticas veladas (ou não), traição, amor, paixões contidas, rumos trocados, crimes não solucionados. Tudo colocado e alinhavado de forma satisfatória para prender o espectador. Uma coisa que me incomodou bastante foi a maquiagem de envelhecimento a qual os atores foram submetidos. Achei falsa por demais e uma produção tão cuidadosa em outros pontos e com uma fotografia tão bela, não poderia ter dado essa mancada; porém não é algo que estrague o trabalho.

El Secreto de Sus Ojos” vem fazendo uma bela campanha onde passa, ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor ator Masculino e melhor Musica original no Festival de Havana. Ricardo Darín transborda melancolia através de seus olhos e mostra porque é tido como p principal ator de seu país e de cara, um dos maiores atores da America Latina. Na disputa “oscarizada” deste ano não acredito que tenha grandes chances, mas seria interessante um filme latino vencer. Ponto para Campanella que soube conduzir a história a que se propôs executar.

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

“O amor não fez nada para mim. O amor me bate, me estupra, me chama de animal, me faz sentir estúpida, me deixa doente.” Com essa frase, quase ao fim dos aproximadamente 120 minutos de desenrolar de história, respirei profundamente e passei a sentir sobre mim, o peso da vida de Clareece Precious Jones.

“Precious – Preciosa”(2009) tem um roteiro que não é genial. Já vimos outras “preciosas” nas telas. Alias, nas telas e fora delas. A forma como Lee Daniels trabalha na sujeira pegajosa e odiosa que circunda a personagem central da trama, é fantástica. Clichês que não são clichês, eles são sólidos e muito bem colocados.

 Mo’Nique que interpreta a mãe de Precious é a escória de uma sociedade opressiva e que vende sonhos enlatados mas sem os devidos abridores de lata. Não existe hesitação em sua atuação. É tão forte, tão presente, tão intensa, que você odeia com todas as forças aquela mulher que pode permitir que tantas desgraças atrás de desgraças, pudessem acontecer a sua filha, embaixo do seu teto ao lado do seu quarto. Arrisco todas as fichas a dizer que mais uma vez teremos uma negra vencendo o Oscar de melhor atriz coadjuvante, e com orgulho, porque ela esta magnífica.

Chega um ponto, que eu mesma comecei a desacreditar, pois tanta desgraça, tanta desilusão junto e praticamente ao mesmo tempo para uma pessoa só é uma piada de péssimo gosto. Mas não. Todos os dias encontramos com mais e mais protagonistas dessa mesma história que esta na tela. Em takes ágeis, boa utilização de elementos narrativos que davam vez ou outra uma quebrada na linearidade da história, trazendo um “sonho” possível para este presente asqueroso que estava ali, Daniels dá o seu recado.

Em alguns pontos lembrei-me de um curta-metragem brasileiro “Darluz” de Leandro Goldinho. Temos muitos planos idênticos e até uma parte da linha narrativa parecida. Quem assistiu ao filme de Leandro vai identificar imediatamente. Seriam um consciente coletivo tentando dar vazão as vozes dessas preciosas que estão espalhadas pelo mundo e que precisam de ajuda? feliz coincidência então. Gabourey Sidibe dá vida a protagonista e executa muito bem o seu papel.

 Desde o SAG “Precious” tem recebido varias indicações tantao para melhor filme, quanto para atriz e atriz coadjuvante e Mo’Nique sempre leva para casa. Para o Oscar de 7 de março próximo, o filme de Lee Daniel concorre aos prêmios de Melhor Edição, Roteiro Adaptado,Direção, melhor filme, melhor Atriz e melhor Atriz coadjuvante. Independete de premios conquistados, eis aqui um filme, que tinha tudo para ser mais um na prateleira, entretanto, não o é. ”Precious” é um filme que merece e deve ser divulgado, assitido, sentido e vivido.

 

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Brilhante. Talvez seja redundante por demais essa definição, porém, ela é real. Doentio, depressivo, deprimente, insuportavelmente possível, e ao fim; brilhante. Não é puxa-saquismo de alguém que, sinceramente, aprecia o trabalho que vem sendo construídos na cinematografia dos famigerados Irmãos Coen. Então, repito. BRILHANTE.

Temos novamente um Judeu. Temos 1967. Temos a Teoria da Incerteza de Heisenberg. Temos a improbabilidade de que tudo que possa ser negativo recaia sobre o mesmo cara, ou o mesmo lugar. Temos a matemática dentro da física e a impossibilidade de dissociação de ambas. Temos Larry Gopnik e sua inocência peculiar para um pai de família e professor universitário. Temos uma comédia ao bom e velho estilo Coen em seu mais recente trabalho     A Serious Man – Um Homem Sério”(2009). 

  

 

È praticamente impossível pensar em outro ator para interpretar Larry. Michael Stuhlbarg está fantástico. È a personificação do inocente panaca completo impossível de se acreditar que ele exista, mas existe; acreditem. Até o xadrez das estampas de vestes incomoda, mas estão ali para incomodar mesmo. O filme em si, incomoda, por que; em determinado ponto perguntamos: “Hashem, o que é isso¿ Coitado, não pode mais¿” Contudo, pode; sempre se pode mais. Aqueles óculos, e cada pequeno detalhe de cena muito bem pontuada. Movimentos de câmera sutis fazem o espectador entrar na pele e no sofrimento inacreditável de Larry. 

Alguns planos foram desenhados, pois a estética é tão bela que é impensável que os Coen tenham chegado na locação e simplesmente posto a câmera em determinado ponto e dito: “Acho que é daqui que chutamos nesta cena.” Friso a cena da escada ao telhado em um céu azul tão límpido que desejava tocar nele de tão azul com nuvens brancas e fofas. Tenho que frisar que “ Somebody To Love” de Jefferson Airplane simplesmente fecha tudo. É perfeita. 

   

I 

 

O desenrolar da história, casa perfeitamente com a abertura que muitos podem achar desconectadas, mas obviamente não é. Ethan and Joel Coen, com maestria pintam os quadros propostos com a intensidade e incredulidade das interpretações. O Filme recebeu várias indicações aos principais prêmios desde sua estréia. No Oscar deste ano é um dos 10 indicados a Melhor Filme e concorre também na categoria de Melhor Roteiro Original. Michael Stuhlbarg merecia uma indicação a categoria de melhor ator, mas todos os anos injustiças acontecem. Em uma situação justa (embora quase nunca se tenha justiça nesse tipo de premiação) “A Serious Man” merecidamente poderia levar para casa a estatueta de roteiro (Jason Reitman não iria gostar) e seria poético o filme mais depressivo de 2009 – e belo porque existe beleza intensa nessa depressão proposta – levar como melhor filme, pois absolutamente ele bate na cara com o cano na mão ( “pegue o cano) em James Cameron e seu “AVATAR”. Quem sabe a Teoria de Heisenberg possa ser comprovada, e tudo seria sulfuricamente certo. Seria ótimo, não seria? “ You better find somebody to Love”. 

   

Fora do oscar 2010

por Caroline Araújo

Quando li a sinopse de “Entre irmãos – Brothers”(2009) novo filme de Jim Sheridan, pensei primeiro: “ ok, lirismo na guerra na mesma toada de Terence Mallick” ( Além da linha vermelha). Bem, com o desenrolar do filme, acabei retrocedendo em minha singela opinião.

Não existe nada de espetacular na história já recontada de dramas de guerra. A guerra, ou AS GUERRAS que nações travaram e travam no decorrer da história da humanidade são os monstros do armário dos adultos de ontem, de hoje e de sempre. A forma como abordar tal tema inesgotável de sentidos e sensações, é a meu ver; a grande sacada de qualquer realizador que se preze. Sheridan faz isso, bem, mas poderia ser mais intenso.

De cara existe uma desmistificação dos atores. Os irmão do título são “vestidos” em atuações competentíssimas por Tobey Mguirre (Sam) e Jake Gyllenhaal ( Tommy) são a personificação eterna do diferentes e iguais entre todas as famílias. Ambos, filhos pródigos, porém, em tempos diferentes. Desde “Donnie Darko”, Jake mostra porque é um dos atores mais promissores – e praticamente sem esforço, atuar é simplesmente natural. Seu trabalho em “ Brokeback Mountain” coroou sua carreira e trouxe para si os holofotes e respeito merecidos. Do outro lado, Tobey sempre doce em seu semblante, encarnou e acabou estigmatizando-se como o aracnídeo das telas. Mas em Entre irmãos, simplesmente não se consegue vislumbrar qualquer resquício de teia. Ele esta neurótico, grande, assustador e muito bem intencionado na interpretação que se propõe.MGuirre teve várias indicações e uma possível cotação para o oscar por este trabalho. Saliento que a película é uma refilmagem do filme dinamarquês dirigido por Suzanne Bie.

Pegue o cano

Um possível triangulo amoroso entre os irmãos já citados e a esposa de Sam, Grace – interpretada por  Natalie Portman , sempre bela- é o plot principal e que poderia ter sido mais explorado até mesmo para utilizar melhor o talento de Natalie. O grande mote do filme fica a cargo do período onde Sam é dado como morto e em sua prisão psicológica e real ele é levado ao limite. “Pegue o cano”. A escolha do irlandês, Sheridan, poderia ser justificada em uma tentativa de intensificar as nuances tão sutis e delicadas dos dramas familiares. Lembramos que ele é responsável nada mais nada menos pela direção de “ Meu pé esquerdo” e “ Em Nome do Pai”. Mas acredito que podemos ver sua direção, na forte cena em que Sam é obrigado a uma ação em cativeiro que irá perturbá-lo para sempre. Um tanto morno, um tanto forte em outros pontos, altos e baixos comuns em filmes que se propõe a algo e mudam o foco, pois, sinceramente acho que foi isso que ocorreu, entretanto, uma película que se torna obrigatória de análise.

Fica a frase que ecoou pós sessão “a vida é um emaranhado de clichês, todos nós o somos, apenas devemos decidir de qual gênero podemos ser.”

 Concorrentes aos Oscar 2010

Por Caroline Araújo

Esqueça Paris. Ou melhor, viva o charme inebriante da cidade luz através dos olhos e da boca e até mesmo, a respiração de Jenny. Uma garota de 16 anos em plena londres fervilhante dos anos 60’s que almeja uma só coisa. LIBERDADE. Criada sob uma árdua e emblemática disciplina paterna ( Alfred Molina sempre excelente!) que ao mesmo tempo que a força a aprofundar o conhecimento academic, preparando-se para a tão sonhada Oxford, é vazia do ponto de vista de, para que tanto esforço se o que vale ao fim é um casamento¿

Simples. Não existe outra palavra para definir o novo e tocante “filé” da diretora dinamarquesa Lone Schertig “ Na Education – Educação”(2009). Atravez de atuações competentíssimas, todos os medos, inseguranças, sonhos, rebeldias, peso de responsabilidade e em fim, a tão tenue e estafante linha divisória da adolescencia para o universo adulto é mostrada sob o prisma da Jovem Jenny, em  uma forte e emocionante interpretação da britanica Carey Mulligan( Orgulho e Preconceito).

Uma direção de arte impecável. A ebulição das novas descobertas. O entusiasmo . a decepão. E principalemnte. Principios. Carater. O roteiro bem arqueado, retrada não só as mudanças na vida de Jenny, mas de uma forma, as mudanças na vida de qualquer garota, de qualquer mulher.

Estou começando a achar que exsite um conciente coletivo neste momento, pois quase todos os roteiros bons que chegam as telas, de certa forma colocam na sinceridade ou falta dela, os arcabouços que nos fazem cair cada novo dia.

Lone Scherfig, precisa como sempre, vem escrevendo seu nome na lista de grandes diretoras. Não seria surpresa conseguir uma indicação ao oscar deste ano( amanhã teremos a divulgação oficial da Academia). Em 2006 seu filme “ Marcas da Vida” ganhou o Prêmio do Júri do Festival de Cannes.Carey Mulligan também tem boas chances ( ela também esta em Entre irmão, outro forte candidato a indicações deste ano).

Ao fim, esqueça tudo, vista a roupa de Jenny. Seja Jenny.

 

Dica para sexta

Por Caroline Araújo

Basicamente temos uma história autentica sobre sonhos, amizades e valores perdidos entre as durezas do tempo. Esqueça o cinema de sombras, marca incontestável da bela cinematografia alemã. Deixe-se envolver pela possibilidade de renovação, contudo, que homeopaticamente mostra os arcabouços ainda dolorosos de realidades históricas tão vividas naquela parte do leste europeu. Junte um elenco “quase” desconhecido, mas extremamente inserido na proposta do roteiro e entregue a direção ao na época estreante Gregor Schnitzler. Pronto. Temos nas mãos a nova safra repaginada no cinema alemão com a boa idéia  “ O que fazer em caso de Incendio?”- Was tun, wenn’s Brennt?(2003).

As sombras ainda estão por ali, mas temos luz. Muita luz. A história proposta é sobre um grupo de amigos punks, que quinze anos antes participavam assim como tantos outros jovens em suas épocas de rebuliço, de movimentos sociais querendo liberdade, queda do muro e afins. Como tantos outros grupos da época, passeatas, bombas caseiras e protesto eram o que permeavam e uniam esses amigos. Até que; o tempo, passa. Nos caminhos futuros seguidos por cada um, a não ser Tim e Hotter que mantiveram as lembranças desbotadas daquela época, nenhum outro dos 6 amigos mantiveram contato.

Porém, como tudo é cíclico (isso esta ficando redundante mas é verdade) o passado inesperadamente bate a porta de cada um, fazendo relembrarem, sofrerem, amarem e principalmente mostrarem para si e para os outros o peso da palavra AMIZADE.

Com uma das cenas mais poéticas do cinema atual (a explosão do extintor e a chuva branca em slow com todos em dança sob aquele manto alvo é fantástica), boas atuações, boas sacadas de câmera, boa trilha sonora e uma nostálgica sensação de ter vivido nos quinze anos que precedem o tempo real do filme. “O que fazer em caso de Incendio?” mostra que o cinema europeu pegou um pouco da fantasia de produção do americano – dialética total- mas não deixou suas características, um brinde de sempre tentar-se fazer um poema visual.  Então, Deixemos Queimar!

Os Pescadores e os Peixes

Clássicos da filmografia

por Caroline Araújo

Existem filmes que despretensiosamente encaramos para uma sessão noturna e que, na singeleza das imagens postas aos nossos olhos, subitamente, somos jogados em um redemoinho de sentimentos e reflexões. “The Fisher King – O pescador de Ilusões”(1991) dirigido por Terry Gillian é um dos maiores exemplos. Estrelado no inicio dos anos noventa por um Robin Willians entusiasta e por um Jeff Bridges, que representava o estereótipo de uma cultura Grunge fervorosa e em ebulição que pipocava ao fim dos anos 80  e que de quebra, ditou vários roteiros que se tornaram celebres na filmografia mundial, “O pescador de Ilusões” é programa obrigatório para cinéfilos ávidos.

Um radialista que vive a incerteza da passagem da responsabilidade da idade adulta e dos relacionamentos. Um professor de história que tem sua vida desfacelada em uma dessas noites tórridas de horror por um insano qualquer sem motivo tangível. Duas pessoas, dois mundos, valores opostos e a busca do Santo Graal.,

A profundidade dos diálogos, que parecem brotar de um imaginário insólito do mendigo lunático, desconcerta e ao mesmo tempo concertam a vida não só dos personagens que o circundam, mas como a do próprio espectador que se permite ser inundado pelo alimento que pula da tela. O egoísmo do homem e até que ponto ele cega você. Como não abalar-se perante o desespero daqueles que lhe pedem ajuda¿ Muitos questionamentos. Muitos entroncamentos. O principio básico de que toda ação gera uma reação é o mote que guia a jornada desta história. E principalmente de que, pode não ser no instante seguinte, porém; em um futuro ciclicamente perdões poderão ser dados e pedidos, erros não podem ser apagados, mas diminuídos, e sempre existe uma possibilidade de reparar maus entendidos. Segundas chances são sim, possíveis.

O pescador de ilusões é o primeiro filme dirigido por Terry Gillian sem a participação de seus companheiros da trupe inglesa de comédia Monthy Python, da qual Gillian era conhecido por suas visões fantasiosas e apocalípticas. Além disso , a película abocanhou vários prêmios e teve inúmeras indicações. Mercedes Reehl, que interpreta a dona da vídeo locadora namora do radialista Jack Lucas(Bridges) recebeu  o Prêmio Saturno, Globo de Ouro e o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Willians por sua vez teve seu nome indicado a todos os prêmios de melhor ator em 1992 e levou para casa o Globo de Ouro de melhor ator comédia\ Musical. O filme ainda levou o Leão de Prata do Festival de Veneza de melhor filme, e o People’s Choice Award (Canadá) de 1991.

O nome do personagem Parry, interpretado magicamente por Willians, é a abreviação de Parsifal(Percival), lendário cavaleiro do santo Graal. E para nós que pudemos acompanhar a evolução de Briges nesses mais de 20 anos de carreira após este filme, quando o assistimos novinho, estupendo, certamente lembramos; todo coração e corpo precisam desse tipo de fúria.

Desrrecomendo

por Caroline Araújo

Vez ou outra recebemos um desafio, uma cutucada leve. Em uma dessas um amigo\leitor pediu: “ Me “desrrecomenda” um filme!” Respondi de bate e pronto: “Absolutamente caro padawan.”

No universo cinematográfico a vasta gama de títulos às vezes chega a confundir. Ainda mais quando alguém lhe pede uma sugestão. Filmes bons são lembrados rapidamente. Filmes ruins, mais depressa ainda. Tem tanto filme para alertá-los a NÃO assistir que a cabeça dá um nó.  Mas tem um que eu simplesmente tenho náuseas. O “Apanhador de Sonhos”, The Dreamcatcher; título original dirigido por Lawrence Kasdan. Sim, estou “desrrecomendando” um filme de um cara que tem no currículo dos explêndidos “ As Good as Guess”, “ Wyatt Earp” e “ Corpos Ardentes” enquanto diretor, e simplesmente é ROTERISTA de nada mais nada menos que ícones dos anos 80 “ os Caçadosres da Arca perdida” “ O império Contra- Ataca” e “ O retorno de Jedi”. 

O Apanhador de Sonhos é uma adaptação na célebre obra de Stephen King, mestre do suspense pós moderno, que foi literalmente assassinada em uma película que teve a capacidade de colocar Morgan Freeman como um militar lunático e com o pezinho no armário. Com muitos anos luz de distância da obra de king, com efeitos especiais bem feitos (penso eu ser a única coisa que prestou) porém, mau utilizados em um roteiro mongolóide, mórbido e lazarento, fazendo com que chegue ao insuportável permanecer de olhos e ouvidos abertos, você se pergunta                  “ Porque diabos bons atores aceitaram fazer isso?”Além de Freeman, Jason Lee, Thomas Jane, Tom Sizemore, Donnie Wahlberg, entre outros, entraram nessa fria.

Em uma das cenas, onde um estranho acidentado é recolhido pelos amigos que estão a passar um final de semana juntos relembrando a infância em meio a bucólica e gélida paisagem das montanhas, a tosquice e esquizofrenia do roteiro coloca o pobre coitado a ter uma diarréia sanguínea , e o pior; ter um E.T que sai do seu ânus e aniquila geral.Clichê, mais um aqui e outro ali vão amontoando-se ao longo do filme que parece que nunca vai terminar.Socorro! Socorro!!

Fala ai? Que asno adaptou isso? E isso é só o começo. Depois vai ficando pior, de nojento passa ao impensável em qualquer roteiro que trate de ficção científica, suspense, abdução ou coisas do gênero. Em muitos momentos me perguntei: ” será que a intenção era fazer um filme trash?” Porém, em nenhum momento de divulgação, trilhers em fim, nenhum momento promocional do filme, o trash foi colocado como uma vertente sendo utilizada. Então, em resumo, tudo um amontoado de equívocos de proporções catastróficas. E  da  mesma forma No sense que começa essa porcaria termina e você se pergunta:          “ Afinal de contas, o que tem haver o tal do apanhador de sonhos?” Lhes respondo: Não sei… não consegui elever-me ao nirvana e capturar a mensagem.  Nessas horas eu amo a literatura.

Opinião

Por Caroline Araújo

Quanta expectativa espera-se de uma película que, “tecnicamente” conta um pouco da história do atual presidente de um determinado país poderia gerar¿ Muita, é a primeira resposta. Agora, se este presidente é um homem que veio do seio mais pobre da população, possui a maior aprovação de governo da história do país, é exultado mundialmente como líder nato, homem de nações e outras tantas denominação. A expectativa cresce vertiginosamente.

Coloque tudo isso numa coqueteleira e adicione os ingredientes sem usar um medidor e tente servir o drink. Bem, foi exatamente isso que do diretor Fábio Barreto acabou de fazer com seu novo trabalho – “Lula, Filho do Brasil” – que entrou em cartaz no inicio do mês em quase todas as salas de cinema do país. Um drink mal realizado. Desde a escolha dos caracteres de abertura – e principalmente que abertura foi aquela – tudo parecia um emaranhado embolado de signos que não sabiam o porquê de estarem ali.

Na verdade, o grande mote deste roteiro que foi levado para as telas é a mãe, figura extremamente forte que retrata a veracidade de milhares de mulheres e homens que vêem seus sonhos minguarem para poder regar os sonhos da prole que eles têm que dar conta de criar. Uma atuação belíssima de Glória Pires, que parece ter nascido Lindu. Ponto positivo.

Tudo bem, que em varias outras entrevistas no decorrer da captação de recursos – vamos ressaltar que este foi o único filme nacional que teve patrocinadores que queria pagar para estar no filme – Barreto, deixa claro que o foco era o inicio da vida de Lula, e não a transformação no mito político que temos hoje. Certo, até ai o filme esta coerente, porém ele recai em erros tontos, escolhas que na minha humilde opinião seriam de amadores, e não do diretor que tem no currículo “O Quatrilho” e “ For All”.

Positivo, fora a atuação de Glória e a descoberta de um novo e prodigioso ator – Rui Ricardo Dias – que interpreta Lula já na fase adulta, temos a trilha sonora muito incidente e tocante.A seqüência final, que em rápido pout- pourri de imagens relembra Mãe e filho, é realmente emocionante. Como um todo, o filme funciona, mas de forma mambembe. Podia ter sido mais. E tinha dinheiro e pessoas envolvidas para tal. O importante que vale ser ressaltado é o fato de que um menino- também uma ótima descoberta de ator mirim com Felipe Falanga-, sem esperança alguma, surgido dos confins pobre de um país desigual, não esmoreceu e venceu e, tornou-se o homem que governa seu país. Contos de fadas acontecem. Mesmo às avessas.

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