Um Homem Qualquer


Opinião

Por Caroline Araújo

Muitos dizem que o cinema nacional brasileiro é um cinema de “Autor”, seguindo a tendência capitaneada pelo cinema europeu pós 1950 e que modificou em grande estilo a indústria cinematográfica americana, dando a ela uma nova oxigenação artística para se reinventar. Ok. Voltemos ao cinema nacional. Reinventar. Quem sabe essa seja uma premissa necessária para o cinema brasileiro. Reinventar-se. Inventores. Criativos por favor!

Um verdadeiro cinema de “autor” tem sempre um “Q” à mais, instigante, desconcertante, e simplesmente genial, sob a ótica de conseguir abordar temas , por outros prismas e mostrar as diversas matizes necessárias. Em fim, sinceramente o Brasil possui parcos filmes de “AUTOR”.

Demorei em atualizar este blog justamente porque estava a procurar as palavras certas, ou menos ácidas, para exprimir a sensação de extremo vazio que “ Um Homem Qualquer” (2009) de Caio Vecchio abateu sobre a minha pessoa. A tal “tragicomédia metropolitana” de um cara qualquer – JONAS (Eriberto Leão) – que vive angustiado com a falta de afeto e emprego e visualiza a única saída de seus problemas com atos criminosos, sinceramente me doeu a alma.

O Roteiro é de própria autoria de Caio, que diz ter começado em 1999, num desabafo criativo contra a Igreja e contra o imperialismo norte-americano, mas meus amigos, a questão religiosa é vista sim; afinal JONAS é um nome bíblico e temos um “apóstolo” andarilho interpretado por Carlos Vereza que mostra isso bem; e só. A sensação que tive ao fim da película foi de um emaranhado de cenas que não tiveram a continuidade de ação para ligarem-se as outras por total despreparo do diretor. Vazio criativo, entendem¿

Nanda Costa completa o elenco principal e esta bem no papel de namoradinha de Jonas e estudante de Teatro, porém, é fraco. Fraco para ser um marco no decorrer da história em si. Existe um apelo sexual exacerbado. Aliás, diretor brasileiro adora cenas de sexo fortes e demoradas. Parece que se não tem sexo no filme, não é nacional. Isso me lembra Claudio Assis com seu “AMARELO MANGA” -o ser humano é ESTOMAGO e SEXO! E o dia a dia tem mostrado como Assis estava certo.

Gente para. “Cinema, Aspirinas e Urubus”, “ Serras da Desordem” ou “ Mutum” mostram exatamente o contrário. Filmes estupendos e sem o apelo sexual. Possuem substância. Visual e textual. Coisa que “Um homem Qualquer” desconhece e acaba caminhando para a vala comum do cinema nacional pretensioso.

Mesmo assim, é um exercício necessário assisti-lo. Uma filmografia diferente e que para outros, que vejam ou sintam diferente de mim, possa passar como um bom filme. Mesmo assim, acho que para fazer um longa – metragem é imprescindível uma pesquisa, não só de conteúdo, como estética. Isso faria uma diferença gritante na película em questão.

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