Divinamente Científico


por Caroline Araújo

O que seria de Londres vitoriana sem o odor nauseabundo da super população que ululava entre suas ruas no fim do século 19¿ Apenas um grande centro urbano em ebulição e extremamente cinza. Retratada varias vezes nos vais e vens da sétima arte, palco de inúmeras facetas históricas da própria história da humanidade atual eis, que, mais uma vez; sim aquela Londres nauseabunda novamente, chega as telas. Mas desta vez, ela é apenas pano de fundo do charme inquietante do gênio da dedução científica.

Sherlock Holmes, de Guy Richie( ex-Madona) imprime sua assinatura inconfundível de filmes precisos no mais preciso detetive da literatura mundial. Milimétrico e afiado, tal qual um bisturi cirúrgico podemos afirmar. O inicio anunciado com o caminhar da lente astuta permite que entremos aos poucos no universo sherlockiano que temos a frente. A fotografia do Francês, Philippe Rousselot é profunda. A dança de sombras e luzes, as nuances possíveis de uma paleta de cinza inesgotável, contrastando em momentos eloqüentes com tons fortes e pontuais, vêm exatamente para suavizar o olhar do espectador e não deixar a imagem com aquele “carregado londrino de sempre”.

Com o passar dos minutos em mim, um só pensamento ressoava : “ como é bom ver seu renascimento senhor Robert”! Sim, pois é exatamente isso. Depois de surgir como uma das mais valiosas promessas de atores do inicio dos anos 90, pós sua atuação memorável em “Chaplin” e depois de perambular na umbra dos vícios, decadentes e desacreditados da cidade dos anjos, eis que naquela brasinha tinha fogo. E muito fogo. Desde sua guinada ressurgindo como “ O Homem de Ferro” e depois do soco no estomago em “ Trovão Tropical” Robert Downey Jr. Mostra que ele nunca esteve para brincadeira, talvez um pouco fora de foco, mas isso é passado. Ao emprestar seu ímpeto ao famoso detetive, é impossível conseguir pensar em outro ator para viver este papel. E a química perfeita com o outro arrasta mulherada para o cinema, Jude Law, foi mais que precisa. Watson ganha forma, olhos e deixa de ser um reles ajudante ou cão de guarda, para ser verdadeiramente o parceiro de Holmes. Ambos são estrelas. Richie magistralmente, assim como fez em “Jogos, trapaças e Dois canos fumegantes” esmigalha os planos e contra-planos e serve um banquete visual.

 Direção de arte em cima e um outro ponto forte: O som. Desde de “Dark Kinight” venho percebendo que finalmente diretores inteligentes usam o som ou falta dê em uma engenharia visual completa. Em Sherlock Holmes o som não ia deixar por menos. Inquietante. Voraz. Nem um pouco fantasioso mesmo sendo uma fantasia ( ou não) literária. Após alguns tempos onde pretensos filmes de “homens” chegavam as telas, na minha opinião o último espécime foi “ The Departament”, Sherlock Holmes vem para desmistificar o mito em torno do personagem britânico e para mostrar que filmes de homem não precisam de lutas mirabolantes, explosões ou coisas do gênero. Precisam de precisão , inteligência e um pouco de sagacidade.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s