Sociedade Sem Fronteiras


Dica de Videolocadora

Por Caroline Araújo

Pense em como seria estar em outro país e não ser fluente na língua local. Pense em ser surdo e apenas sentir as vibrações na pele da energia que emana das ondas sonoras. Pense na taxação ridícula de tudo que acontece no oriente médio ter um fundo terrorista. Pense na angustia miserável de ser sempre visto como bandido, subdesenvolvido e menos importante porque é de um país latino.

Reflita sobre isso. Coloque tudo em um caldeirão e busque a poesia do diretor Alejandro González-Iñárritudo esplêndido “21 gramas”– que milimetricamente dosa o público com algo que não tem nada de fantasioso, violento ou inverossímil. O mais duro e cruel do que se vê são os motivos insólitos que movem as ações. A sensação de impotência perante a idiotice humana e o fracasso angustiante dos sentimentos toca, sem pudor ou desculpas a acomodação dos homens.

A grandiosidade pincelada na tela,é uma grandiosidade de sentimentos. De uma forma crua o que se conta em pouco mais de duas horas é o que realmente acontece. Não existe um fator no coeficiente aritmético de se fazer filmes que sobressaia para explicar porque Babel (Babel) entra na galeria dos grandes filmes. O Olhar desesperado e miserável das crianças marroquinas. A dor da ignorância, da pobreza. O desfalecimento emocional da empregada mexicana. A agonizante espera por ajuda que não depende de dinheiro, depende da burocracia imposta a todos os seres vivos, mas quando se é norte-americano a canção toca de outra forma. E a visão de um mundo sem som, mas que mesmo assim é extremamente sensível. Histórias paralelamente contadas, em uma linguagem de roteiro que se torna cada vez mais usual nas produções atuais. Não existe o belo ( mesmo com Brad Pitt e Cate Blanchet), o belo é o conjunto final. Babel retoma o principio do cinema, mostrar o cotidiano como ele é, e o cotidiano flutua  entre o horrível e o sublime.

         Babel coleciona vários prêmios: Melhor Trilha Sonora – BAFTA, Melhor Direção, Grande prêmio técnico, e Prêmio François Chalais – CANNES,Globo de Ouro melhor Filme Dramático 2007, Oscar de melhor Trilha sonora Original 2007, Satellites Awards de Melhor Trilha original,Prêmio Eddie de melhor Filme drama editado 2007 e Prêmio Boldil ( Dinamarca ) melhor Filme americano. Porém, independente de prêmios, a concepção de se fazer um filme que não tenha fronteiras, sejam territoriais, sentimentais e morais é o mais importante troféu a conceder a este título. Cabem as sociedades agora entenderem que no final, tudo volta ao pó.

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