O filho de Lindu.


Opinião

Por Caroline Araújo

Quanta expectativa espera-se de uma película que, “tecnicamente” conta um pouco da história do atual presidente de um determinado país poderia gerar¿ Muita, é a primeira resposta. Agora, se este presidente é um homem que veio do seio mais pobre da população, possui a maior aprovação de governo da história do país, é exultado mundialmente como líder nato, homem de nações e outras tantas denominação. A expectativa cresce vertiginosamente.

Coloque tudo isso numa coqueteleira e adicione os ingredientes sem usar um medidor e tente servir o drink. Bem, foi exatamente isso que do diretor Fábio Barreto acabou de fazer com seu novo trabalho – “Lula, Filho do Brasil” – que entrou em cartaz no inicio do mês em quase todas as salas de cinema do país. Um drink mal realizado. Desde a escolha dos caracteres de abertura – e principalmente que abertura foi aquela – tudo parecia um emaranhado embolado de signos que não sabiam o porquê de estarem ali.

Na verdade, o grande mote deste roteiro que foi levado para as telas é a mãe, figura extremamente forte que retrata a veracidade de milhares de mulheres e homens que vêem seus sonhos minguarem para poder regar os sonhos da prole que eles têm que dar conta de criar. Uma atuação belíssima de Glória Pires, que parece ter nascido Lindu. Ponto positivo.

Tudo bem, que em varias outras entrevistas no decorrer da captação de recursos – vamos ressaltar que este foi o único filme nacional que teve patrocinadores que queria pagar para estar no filme – Barreto, deixa claro que o foco era o inicio da vida de Lula, e não a transformação no mito político que temos hoje. Certo, até ai o filme esta coerente, porém ele recai em erros tontos, escolhas que na minha humilde opinião seriam de amadores, e não do diretor que tem no currículo “O Quatrilho” e “ For All”.

Positivo, fora a atuação de Glória e a descoberta de um novo e prodigioso ator – Rui Ricardo Dias – que interpreta Lula já na fase adulta, temos a trilha sonora muito incidente e tocante.A seqüência final, que em rápido pout- pourri de imagens relembra Mãe e filho, é realmente emocionante. Como um todo, o filme funciona, mas de forma mambembe. Podia ter sido mais. E tinha dinheiro e pessoas envolvidas para tal. O importante que vale ser ressaltado é o fato de que um menino- também uma ótima descoberta de ator mirim com Felipe Falanga-, sem esperança alguma, surgido dos confins pobre de um país desigual, não esmoreceu e venceu e, tornou-se o homem que governa seu país. Contos de fadas acontecem. Mesmo às avessas.

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