Um Creme de Framboesa bavaria para viagem , por favor!

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Esteja preparado e muito bem alimentado e satisfeito para assistir qualquer filme onde a linha central seja o fantástico mundo da gastronomia. Caso contrário, no primeiro terço da película seu estomago estará reclamando em alto e bom som. Passado o conselho de amiga precavida, comecemos nossa análise de hoje.

O que poderia fazer um filme sobre mulheres e cozinhas tornar-se interessante e divertido e segurar o espectador em frente a tela? roteiro? pode ser. Direção? sim, isso imprescindível para qualquer filme que se preze. Arte, fotografia? também, mas são fatores menores no sentido de chamar a atenção total. Atores. Esse é o ingrediente. Coloquemos em um recipiente, uma xícara e meia de roteiro,  muito bem estruturado, e passado duas vezes pela peneira. Adicione uma pitada de temporalidade, fazendo com que a história passe em tempos distintos, sem nenhum desses tempos e seus personagens se cruzarem no futuro. Junte uma colher de sopa de atores coadjuvantes interessantes e bem integrados com  atuações convincentes. Bata em velocidade dois para que a fotografia difusa seja suave aos olhos, coloque dois quartos de cenografia cuidadosa e leve ao forno pré – aquecido por 15 minutos. Retire do forno e adicione um creme de duas atrizes espetaculares, engraçadas, lindas e intensas. Volte ao forno por mais 1 hora e 30 minutes; desligue. Sirva ainda quente.

“Julie & Julia”(2009) da diretora americana Norah Ephron que ainda não estreou em muitos cinemas é mais uma dessas comédias gastronômicas deliciosas de se assistir, com uma diferença: Com duas atrizes de gerações  distintas , uma um monstro absoluto do cinema mundial, e outra; uma das boas promessas dos últimos tempos.

Meryl Streep absolutamente merece todas as honrarias. Lógico, não existem seres humanos infalíveis ou perfeitos, mas Meryl é praticamente cem por cento em todos os trabalhos que executa. Sua interpretação de Julie Child é espetacular. Os gracejos, as risadinhas, o sotaque, os minuciosos detalhes, sua sintonia com Stanley Tucci (que interpreta Paul Child o marido de Julie) é algo assombroso. Ela rouba e não devolve nenhuma cena na qual esta. Um leviatã. Quase quero chamá-la para fazer um Chocolate’s Cake e minha cozinha.

Na outra ponta temos Amy Admas. Sua Julia Powell é Pequenina e gigante. Existe uma fragilidade doce e encantadora em suas interpretações. Os olhos imensos e brilhantes marejados. A simetria. E o peso denso com o qual se entrega. Tudo isso junto e batido em velocidade quatro fazem dessa moça uma atriz competente.A dobradinha Streep\ Admas já vem funcionando desde “Doubt” e parece que vai perdurar. Bom para gente.

No meio do recheio desse assado, temos uma diretora sensível e muito bem focada. Norah Ephron, não arrisca. Mantém a receita redonda com a qual assinou vários sucessos como “Sintonia de Amor” , “ Mensagem para Você”, e o roteiro do delicioso e antológico “Harry e Sally: feitos um para o outro”. Não existe nada fantasioso, não existe nenhuma super sacada. Existe a trivialidade da história de duas mulheres e suas paixões pelo universo da culinária. Existem as imperfeições dos dias, os estresses, as idas e vindas, e claro, uma boa pitada de humor. Baseado em personagens reais “Julie e Julia” concorre ao Oscar de 2010 com a indicação de Meryl Streep a Melhor Atriz. Impossível. Inenarrável. Qualquer outra coisa que eu possa dizer sobre este papel é retórica. Realmente uma das mais belas atuações femininas do ano. E caso ela vença, seria ótimo!! Uma chave de ouro para uma história com uma linha narrativa muito bem amarrada. Ao fim, resta pegar uma frigideira e arriscar uma massa, uma fritada com manjericão fresco, uma omelet de funggi e tomate cereja, legumes sautês abafados na vodcka, ou quem sabe um crepe verde de espinafre e nozes com aspargos frescos no vapor e o que mais o apetite e a imaginação mandar.

Bon Apettit!!

Cachorro Guande e Molhado – Blockbuster da Vez!

Em cartaz

Por Caroline Araújo

Olhos perjuros. Sombriamente a câmera desvela o inconfundível cheiro do medo que paira no ar de “BlackMoon”. A estória do homem que em noite de lua cheia torna-se a Besta na face terrestre, é antiga conhecida nossa, porém, sempre é bem vinda um nova “releitura” para reaquecer os pulinhos na cadeira do Cinema. “The Wolfman – O Lobsomen”(2010) do diretor Joe Johnston. O que tenho a dizer: Vale todos os centavos do ingresso. Bem feito. Bem estruturado. Bem atuado. Bem dirigido. Bem produzido. Bem acabado. Não é o supra sumo da balinha da Xuxa, porém, é um blockbuster bem conduzidos desses que vez ou outra precisamos assistir para desanuviar a mente.

Joe Johnston mostra um punho certeiro em suas escolhas. Não é a toa, são anos de experiência tarimbada para chegar até aqui. Os efeitos especiais do filme estão muitos em cima, são ótimos. Também não seria para menos, Joe integra as equipes de efeitos visuais de “Guerra nas Estrelas”, “O Império Contra Ataca” , “O Retorno de Jed”i e “Os Caçadores da Arca Perdida”. Foi diretor de arte de “Caravana da Coragem”, e assina a direção de “Jumanji”, “Mar de Fogo”, “Jurassick Park III” e o maravilho “ O Céu de Outubro” e sua próxima película é “Capitão América” ufa.. precisa dizer mais alguma coisa¿

Com absoluta certeza o desenho de som de “The Wolfman” é algo assustador. Muito bem trabalhado, assim como as sobreposições de sombras e o gosto de melancolia e tristeza que emana da mansão Talbot. Não só de homens e lobisomens vive o filme. O Papel feminino de maior destaque caiu nos colos de uma das moçinhas da temporada, Emily Blunt mais uma vez empresta seu rostinho e talento para alinhavar as entrelinhas deste roteiro. Anthony Hopkins e Benicio Del Toro dividem os papéis masculinos de destaque. Anthony com aquele olhar eterno de Hannibal Lecter, só que agora, grisalho. E Del Toro, com aquela típica cara de vinte e quatro horas embriagado é perfeito para o papel.  Ambos se completam na tela.Fechando o elenco temos Hugo Weaving no papel do famoso inspetor da Yard Francis Abberlaine.

Com vários olhares em cima, para saber se daria certo ou não “The Wolfman” mostra suas garras e garante bom entretenimento para o fim de semana. A possibilidade de continuação fica subentendida, mas talvez não seja uma boa idéia. Tem histórias que precisam ficar nelas e somente isso. As sombras e tons escuros são a todo instante pintados pelas jorradas de sangue carmim e vísceras que explodem em todos os cantos. Violento, mas uma violência fantasiosa. De qualquer forma, sentir a espinha arrepiar, fechar os olhos e dar pulinhos na cadeira por alguma coisa que vale sempre é bom.Será que temos um primeiro pré candidato a prêmios técnicos na corrida oscarizada do ano que vem¿ May be…

A cereja do bolo da GUERRA.

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Não existe fuga. Não existe paz. Não existe esperança. Apenas tensão. Apenas mutilações. Tangíveis e imagéticas. Não existe dignidade, aliás; em tempos de guerra o que seria dignidade¿ Aliás, quando será que teremos tempos de paz¿ Apenas terror. Mas não um terror de corpos voando, sangue jorrando, cabeças rolando para todos os lados. O terror aqui esta no depois. Na engrenagem mental que gira todas as variantes e impede que as marcas visuais e auditivas vivenciadas possam decantar.

Filmes de Guerra são assim. Imensos. Imensos em conteúdo. Imensos em reflexões. Imensos em tempo. Imensos. A Própria guerra eterna do homem contra ele mesmo é imensa e talvez; infindável. Estes foram apenas alguns dos apontamentos que salpicavam aos meus olhos e sentimentos enquanto contemplava “The Hurt Locked – Guerra ao Terror”(2008) da diretora americana Kathryn Bigelow. Alguns devem ter se surpreendido por um filme, tão cru, visceral e direto, ser dirigido por uma mulher. Acontece que esta moça é responsável por filmes do calibre de “Caçadores de Emoções” e “K-19” e isso já demonstra a força do punho que ela sustenta.

Silenciosamente o filme de Bigelow, foi estreando, ganhando respeito, público e critica, além de prêmios. Absolutamente é o melhor trabalho de sua carreira sem sombra de dúvidas. Avalio que, além de termos uma estética documental, termos uma narrativa tensa (tensão é a palavra de ordem do roteiro) temos atores praticamente desconhecidos. Ou seja, nada de super astros para este super filme. Jeremy Renner jamais foi tão percebido. Sua atuação como sargento Will James é desconcertante. Após uma carreira sem ser tão notado, porém , sempre com ótimas atuações ( “ Terra Fria”, “28 Weeks later”, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”) finalmente, Renner ganha a atenção que merece. Prova disso foi sua indicação ao Oscar deste ano como Melhor Ator.

Kathryn não poupa nada. Também, para que poupar algo. Retratando uma unidade de desarmamento de bombas em plena Bagdá desolada nessa guerra do Iraque, temos uma sujeira humana latejante. Somente frio nos olhos daquelas pessoas que não podem ter sonhos. Quem sabe o único sonho delas seja conseguir não explodir pelos ares enquanto puderem. Ridley Scott tentou em 2001 dar essa intensidade em seu bom “Black Halk Down – Falcão Negro em Perigo”, porém não foi tão bem sucedido; embora este também tenha suas vísceras cinematográficas bem colocadas.

Grande surpresa nas indicações do Oscar deste ano, “The Hurt Locked” concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Original,Melhor Som e Melhor Edição de Som. Bigelow pode não apenas escrever seu nome como umas das mais brilhantes diretoras da atualidade como também, tornar-se a primeira mulher a receber o prêmio de melhor direção. Em um mundo perfeito isso seria lindo.

Como vez ou outra já disse, não existem vencedores na guerra. Existem participantes. Existem vidas perdidas. Existe dor. Existem seqüelas. E, acredito que não exista uma possibilidade de pausa, enquanto a raça humana não usar o intelecto apropriadamente.

Os Mensageiros.

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Ano passado, após assistir a “Taking Chance” com Kevin Bacon coloquei-me a refletir sobre este trabalho nada agradável de noticiar famílias, pais e amigos que o seu ente que está alistado e foi à guerra faleceu. No filme com Kevin, a situação e o foco em questão é outro, porém a mensagem é a mesma de “The Messenger – O Mensageiro”(2009) dirigido por Oren Morveman.

A questão é, como dar uma noticia dessas, com tanta dor e sofrimento que ela carrega sem transparecer nenhuma gota de sentimentalismo, e, sem olhar para trás. Roboticamente, duplas de mensageiros são designada para esta tarefa, mas como não sentir nada. O exército é tão aço, que consegue realmente acabar com o lado emocional de seus alistados ao ponto de não sentirem nada¿ Qual é o perfil do soldado ideal¿ Para que mandar pessoas avisarem sobre tal coisa, porque não fazer uma videoconferência se é para ser tão “informal” e “distante” mesmo com uma presença real¿ Alguns questionamentos morais , ou não, ululam na mente no decorrer da película.

A escolha dos atores foi bastante gratificante. Ben Foster e Woody Harrelson encarnam dois oficiais praticamente sem escrúpulos e sem sentimentos e sem nada. Eles têm somente a eles. E nada mais. Vazio. Imenso. Praticamente intransponível. Bem, Foster um pouco “Eminem” para meu gosto, mas consegue segurar como, o oficial “maogadinho” e sem sentimento algum que está um tanto traumatizado por algum incidente vivido. O ponto alto em sua interpretação, é a aparência de: “não to nem ai” “ que saco esse trabalho” que ele consegue externar. Já o que dizer sobre o oficial careca de Woody Harrelson¿ bem, vejamos, ele esta no melhor estilo Harrelson de ser. Gigante e nojento. Uma porta de aço que não se importa com nada, a personificação de um robô bélico americano sob medida. Tanto esta convincente que este trabalho lhe valeu sua segunda indicação ao Oscar. Nesta edição ele concorre ao prêmio de melhor ator coadjuvante. Alias este ano muitos figurões nesta categoria em trabalhos tão distintos e marcantes. A primeira indicação de Woody foi pelo controverso “ O Povo Vs. Larry Flint” no qual ele interpreta o próprio e famigerado Larry Flint.

 “The Messenger” conta ainda com atuações tocantes da sempre ótima Samantha Morton e do veteraníssmo Steve Buscemi. Foi destaque no Festival de Berlin de 2009 vencendo o Urso de Prata de melhor Roteiro. O desenrolar da história, bem como o desfecho final funcionam, mas não empolgam e não transpassam ao filme aquele sentimento de “puta que pariu, que filme!”, mas ao todo é um bom filme. Vale e muito as questões levantadas, principalmente para a reflexão, não apenas no espectador, mas dos governos bélicos em especial. E igualmente ao filme estrelado por bacon e citado no inicio, o plot central é tão delicado que é necessário uma mão, menos “pesada” para quem sabe ter um filme sobre esse tema, mais intensa.

Até onde a Imaginação Pode viajar.

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

O que dizer sobre filmes de amigos que são feitos para amigos, ou algo do gênero? Acredito que são filmes que se tornam divertidos para se fazer e quando o é assim em essência, essa coisa “amiga” atravessa a tela e toca quem assiste a obra acabada. Despretensiosamente, eis que temos um espécime desse tipo perambulando pelas telas de cinemas no momento.Trata-se da fabula psicodélica “The Imaginarium Doctor Parnassus – O Mundo Imaginário de Doutor Parnassus”(2009) dirigido pelo também alucinado inglês Terry Gillian (Irmãos Grim, O Pescador de Ilusões e Medo e Delírio) ex- integrante da trupe de comédia  Monthy Phyton.

 “The Imaginarium Doctor Parnassus” talvez seja um dos melhores filmes de Gillian nos últimos anos. Alucinado, psicodélico, escancarado, misterioso, contos da carochinha, o que quer que seja, está repleto de referência claras, da assinatura que Gillian criou. Com um elenco de “amigos” que na verdade são super astros; este foi o último filme deHeath Ledger. Ele havia rodado 1\3 de suas cenas quando faleceu. Até por isso, a produção necessitou suspender as gravações para poder dar um rumo ao material. A solução encontrada e que, encaixa perfeitamente na história sem prejudicá-la, foi fazer com que o personagem de Heath (Tony) mudasse de fisionomia cada vez que entrasse no mundo de Parnassus. Assim, Johnny Depp, Jude Law e Collin Farwell assumiram as cenas restantes.

 

Um direção de arte fantasiosa e deliciosa, conecatadas com um figurino esquisofrenico e hilario e uma maquiagem forte de traços e cores. Um baile de paletas de cores e de imaginação. Leve e louco. Talvez com um apuro maior nas partes onde são necessárias animações atráves da computação gráfica, o filme como um todo pudesse ter um resultado final mais satisfatório.Entretanto, ao que ele se propõe ele cumpre. Contar uma fabula, moderna ou não¿ As atuações de todos estão conexas.

 É exatamente o que disse no inicio.  Sentimos a leveza e a felicidade dos envolvidos em realizar este projeto de amigos.Terry Gillian escreveu o roteiro de Parnassus juntamente com Charles McKeown, com quem ja havia trabalho em 1988 em       “ As Aventuras do Barão de Munchalsen” e costuma dizer nas entrevistas de divulgação que o filme é “estória engraçada e humorística sobre as consequências de nossas escolhas pessoais durante a vida”, e explicou seu objetivo com o filme: “É autobiográfico. Estou tentando trazer um pouco de fantasia a Londres, um antídoto às vidas modernas. Amei a ideia de um espetáculo itinerante antigo que contasse histórias e maravilhas da maneira que costumava ser, para as pessoas que só conhecem filmes de ação repletos de tiros.”

No elenco presenças de peso Christopher Plummer que trás vida ao Doutor; Andrew Garfield e  Verne Troyer que fazem parte da Trupe circense, Tom Waits que personifica o diabo  e a jovem Lily Cole que interpreta “Valentina” filha de Parnassus e remete a uma boneca de lábio pequenos olhos grande nariz arrebitado e grande bochechas. Na edição do Oscar deste ano a película concorre nas categorias de Melhor Figurino e Melhor direção de arte.

 Em síntese, vale a experiência despretensiosa, vale assistir a ultima atuação de Ledger, vale boas risadas e deixar a mente viajar e se esbaldar pelo mundo imaginário que se visita. Em alguns momentos não precisamos de filmes geniais, apenas de filmes bacanas, como conversas de amigos.

LOOP LOOP UHAAAAAAAAA.

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Surpreendentemente hilário, sarcástico, rústico e sutil. Creio eu piamente que essas quatro palavras possam pincelar um pouco da acidez desconcertante e imensamente divertida que “In The Loop”(2009) passa ao espectador. Primeiro longa-metragem do diretor escocês de SITCOMS  Armando Iannucci, responsável pela ótima série inglesa  “The Thick of It”, que teve apenas uma temporada e fora abruptamente retirada da programação por escândalos envolvendo astros do elenco, Iannucci remodela sua língua ferina e verte em forma de filme.

Trata-se de uma sátira política sobre os bastidores das agencias de inteligência norte – americana e britânica onde, ambos, o Presidente Americano e o Primeiro – Ministro Britânico fantasiam uma suposta guerra, embora, um general do Pentágono seja contra e um Ministro de exteriores também. De uma forma totalmente maluca, com diálogos excepcionalmente bem amarrados, construídos e ruidosos ( absolutamente este é o filme com mais palavrões na mesma sentença); “ In The Loop” é uma ficção que tem temperos familiares e reais.

 

Com um elenco que mescla atores conhecidos e desconhecidos do grande público com Peter Capaldi, Tom Hollander, Gina McKee, James Gandolfini, Chris Addison, Anna Chlumsky, Enzo Cilenti, Paul Higgins, Mimi Kennedy, Alex Macqueen, Johnny Pemberton, Olivia Poulet, David Rasche, o filme além do ótimo roteiro conta com atuações convincentes. Anna Chlumsky dá o ar da graça após um longo tempo longe das telas. Ela estrelou ao lado de Macaulay Culkin o sucesso de bilheteria “Meu primeiro Amor – My Girl”(1991) e depois de algumas outras peliculas havia desistido de atuar.Felizmente esta de volta.

  

Por onde tem passado, Festivais e mostras “In the Loop” mostra sua voracidade. Foi indicado em praticamente todos os grande festivais na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. Dia 07 de março próximo concorre ao Oscar 2010 nessa categoria, e sim, é britânico, um ponto negativo para sua vitória, mas pode surpreender devido a sua densidade e leveza com pitadas de pimenta. De qualquer maneira, temos o surgimento de um novo diretor e a certeza de que outros coelhos ele deve ter na cartola para próximos projetos.

Vitoriana, Vitória, Viva!

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Algum dia, já pararam para avaliar quantos filmes sobre a monarquia mundial já foram feitos¿ Este “PLOT” histórico recorrente acredito eu, já produziu bons e péssimos espécimes cinematográficos e ainda o fará, pois como a própria história  é cheia de visões diferentes sobre o mesmo assunto. São tantos Reis, rainhas, duques, duquesas, barões e por ai vai. Em fim, eis que como de costume mais uma nova cinematografia monárquica aporta nos cinemas. “The Young Victoria”(2009) do diretor canadense Jean-Marc Vallée, responsável pelo ótimo “C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor”(2005).

Diferentemente de outros projetos que possuem uma pessoa tão emblemática historicamente, e que ao seu redor, situações que mudaram os rumos mundiais, “The Young Victoria” não é um filme de poder, estratagemas políticos e guerras (claro que isso esta presente no filme); ele é um filme de AMOR. Amor no sentido da perda e redescoberta do amor materno, amor no sentido amor ao próximo, a sua dignidade, princípios e caráter; e finalmente um filme de amor real entre Rainha e príncipe.

Victoria I do Reino Unido sucedeu seu tio, o Rei Guilherme IV e teve durante seu reinado a incorporação da Índia ao território britânico recebendo assim o título de Imperatriz da Índia. Durante sua permanência no trono temos a chamada Era Vitoriana onde ocorrem a Revolução Industrial, o que impulsionou ainda mais a Inglaterra no comando mundial da época, além das reformas culturais, sociais, políticas e econômicas. Até hoje foi a monarca com maior permanência em reinando, governado a Inglaterra por 63 anos. Conhecida também como “Avó da Europa” por ter tido 9 filhos com o Príncipe Alberto de Saxe – Coburgo – Gota, com quem se casou; POR AMOR.

Esta União e o romance entre uma Rainha e o Príncipe é a linha narrativa desta película. Uma direção de arte e fotografia impecáveis com atuações convincentes, Emily Blunt esta belíssima, suave e forte no papel da jovem rainha. Exatamente por isso, teve a indicação ao Globo de Ouro e ao BAFTA deste ano na categoria de Melhor atriz Dramática. Rupert Friend trás delicadeza ao amado Príncipe, e temos em cena um casal bonito, doce, determinado e em sintonia. Touchdown para Vallée!

Contando com um elenco experiente Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent; e um diretor de fotografia alemão impressionante Hagen Bogdanski responsável pela foto do excelente “ A vida dos Outros – The Lives of Others”(2006), “The Young Victoria” supera as expectativas e tece um véu romântico sob o trono da Inglaterra. No Oscar deste ano concorre nas categorias técnicas de Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Figurino.

Vida longa a Rainha!