Sanguíneos e Coléricos


Fora do oscar 2010

por Caroline Araújo

Quando li a sinopse de “Entre irmãos – Brothers”(2009) novo filme de Jim Sheridan, pensei primeiro: “ ok, lirismo na guerra na mesma toada de Terence Mallick” ( Além da linha vermelha). Bem, com o desenrolar do filme, acabei retrocedendo em minha singela opinião.

Não existe nada de espetacular na história já recontada de dramas de guerra. A guerra, ou AS GUERRAS que nações travaram e travam no decorrer da história da humanidade são os monstros do armário dos adultos de ontem, de hoje e de sempre. A forma como abordar tal tema inesgotável de sentidos e sensações, é a meu ver; a grande sacada de qualquer realizador que se preze. Sheridan faz isso, bem, mas poderia ser mais intenso.

De cara existe uma desmistificação dos atores. Os irmão do título são “vestidos” em atuações competentíssimas por Tobey Mguirre (Sam) e Jake Gyllenhaal ( Tommy) são a personificação eterna do diferentes e iguais entre todas as famílias. Ambos, filhos pródigos, porém, em tempos diferentes. Desde “Donnie Darko”, Jake mostra porque é um dos atores mais promissores – e praticamente sem esforço, atuar é simplesmente natural. Seu trabalho em “ Brokeback Mountain” coroou sua carreira e trouxe para si os holofotes e respeito merecidos. Do outro lado, Tobey sempre doce em seu semblante, encarnou e acabou estigmatizando-se como o aracnídeo das telas. Mas em Entre irmãos, simplesmente não se consegue vislumbrar qualquer resquício de teia. Ele esta neurótico, grande, assustador e muito bem intencionado na interpretação que se propõe.MGuirre teve várias indicações e uma possível cotação para o oscar por este trabalho. Saliento que a película é uma refilmagem do filme dinamarquês dirigido por Suzanne Bie.

Pegue o cano

Um possível triangulo amoroso entre os irmãos já citados e a esposa de Sam, Grace – interpretada por  Natalie Portman , sempre bela- é o plot principal e que poderia ter sido mais explorado até mesmo para utilizar melhor o talento de Natalie. O grande mote do filme fica a cargo do período onde Sam é dado como morto e em sua prisão psicológica e real ele é levado ao limite. “Pegue o cano”. A escolha do irlandês, Sheridan, poderia ser justificada em uma tentativa de intensificar as nuances tão sutis e delicadas dos dramas familiares. Lembramos que ele é responsável nada mais nada menos pela direção de “ Meu pé esquerdo” e “ Em Nome do Pai”. Mas acredito que podemos ver sua direção, na forte cena em que Sam é obrigado a uma ação em cativeiro que irá perturbá-lo para sempre. Um tanto morno, um tanto forte em outros pontos, altos e baixos comuns em filmes que se propõe a algo e mudam o foco, pois, sinceramente acho que foi isso que ocorreu, entretanto, uma película que se torna obrigatória de análise.

Fica a frase que ecoou pós sessão “a vida é um emaranhado de clichês, todos nós o somos, apenas devemos decidir de qual gênero podemos ser.”

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