Realmente Um Homem Sério.


 

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Brilhante. Talvez seja redundante por demais essa definição, porém, ela é real. Doentio, depressivo, deprimente, insuportavelmente possível, e ao fim; brilhante. Não é puxa-saquismo de alguém que, sinceramente, aprecia o trabalho que vem sendo construídos na cinematografia dos famigerados Irmãos Coen. Então, repito. BRILHANTE.

Temos novamente um Judeu. Temos 1967. Temos a Teoria da Incerteza de Heisenberg. Temos a improbabilidade de que tudo que possa ser negativo recaia sobre o mesmo cara, ou o mesmo lugar. Temos a matemática dentro da física e a impossibilidade de dissociação de ambas. Temos Larry Gopnik e sua inocência peculiar para um pai de família e professor universitário. Temos uma comédia ao bom e velho estilo Coen em seu mais recente trabalho     A Serious Man – Um Homem Sério”(2009). 

  

 

È praticamente impossível pensar em outro ator para interpretar Larry. Michael Stuhlbarg está fantástico. È a personificação do inocente panaca completo impossível de se acreditar que ele exista, mas existe; acreditem. Até o xadrez das estampas de vestes incomoda, mas estão ali para incomodar mesmo. O filme em si, incomoda, por que; em determinado ponto perguntamos: “Hashem, o que é isso¿ Coitado, não pode mais¿” Contudo, pode; sempre se pode mais. Aqueles óculos, e cada pequeno detalhe de cena muito bem pontuada. Movimentos de câmera sutis fazem o espectador entrar na pele e no sofrimento inacreditável de Larry. 

Alguns planos foram desenhados, pois a estética é tão bela que é impensável que os Coen tenham chegado na locação e simplesmente posto a câmera em determinado ponto e dito: “Acho que é daqui que chutamos nesta cena.” Friso a cena da escada ao telhado em um céu azul tão límpido que desejava tocar nele de tão azul com nuvens brancas e fofas. Tenho que frisar que “ Somebody To Love” de Jefferson Airplane simplesmente fecha tudo. É perfeita. 

   

I 

 

O desenrolar da história, casa perfeitamente com a abertura que muitos podem achar desconectadas, mas obviamente não é. Ethan and Joel Coen, com maestria pintam os quadros propostos com a intensidade e incredulidade das interpretações. O Filme recebeu várias indicações aos principais prêmios desde sua estréia. No Oscar deste ano é um dos 10 indicados a Melhor Filme e concorre também na categoria de Melhor Roteiro Original. Michael Stuhlbarg merecia uma indicação a categoria de melhor ator, mas todos os anos injustiças acontecem. Em uma situação justa (embora quase nunca se tenha justiça nesse tipo de premiação) “A Serious Man” merecidamente poderia levar para casa a estatueta de roteiro (Jason Reitman não iria gostar) e seria poético o filme mais depressivo de 2009 – e belo porque existe beleza intensa nessa depressão proposta – levar como melhor filme, pois absolutamente ele bate na cara com o cano na mão ( “pegue o cano) em James Cameron e seu “AVATAR”. Quem sabe a Teoria de Heisenberg possa ser comprovada, e tudo seria sulfuricamente certo. Seria ótimo, não seria? “ You better find somebody to Love”. 

   

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