Preciosidade


Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

“O amor não fez nada para mim. O amor me bate, me estupra, me chama de animal, me faz sentir estúpida, me deixa doente.” Com essa frase, quase ao fim dos aproximadamente 120 minutos de desenrolar de história, respirei profundamente e passei a sentir sobre mim, o peso da vida de Clareece Precious Jones.

“Precious – Preciosa”(2009) tem um roteiro que não é genial. Já vimos outras “preciosas” nas telas. Alias, nas telas e fora delas. A forma como Lee Daniels trabalha na sujeira pegajosa e odiosa que circunda a personagem central da trama, é fantástica. Clichês que não são clichês, eles são sólidos e muito bem colocados.

 Mo’Nique que interpreta a mãe de Precious é a escória de uma sociedade opressiva e que vende sonhos enlatados mas sem os devidos abridores de lata. Não existe hesitação em sua atuação. É tão forte, tão presente, tão intensa, que você odeia com todas as forças aquela mulher que pode permitir que tantas desgraças atrás de desgraças, pudessem acontecer a sua filha, embaixo do seu teto ao lado do seu quarto. Arrisco todas as fichas a dizer que mais uma vez teremos uma negra vencendo o Oscar de melhor atriz coadjuvante, e com orgulho, porque ela esta magnífica.

Chega um ponto, que eu mesma comecei a desacreditar, pois tanta desgraça, tanta desilusão junto e praticamente ao mesmo tempo para uma pessoa só é uma piada de péssimo gosto. Mas não. Todos os dias encontramos com mais e mais protagonistas dessa mesma história que esta na tela. Em takes ágeis, boa utilização de elementos narrativos que davam vez ou outra uma quebrada na linearidade da história, trazendo um “sonho” possível para este presente asqueroso que estava ali, Daniels dá o seu recado.

Em alguns pontos lembrei-me de um curta-metragem brasileiro “Darluz” de Leandro Goldinho. Temos muitos planos idênticos e até uma parte da linha narrativa parecida. Quem assistiu ao filme de Leandro vai identificar imediatamente. Seriam um consciente coletivo tentando dar vazão as vozes dessas preciosas que estão espalhadas pelo mundo e que precisam de ajuda? feliz coincidência então. Gabourey Sidibe dá vida a protagonista e executa muito bem o seu papel.

 Desde o SAG “Precious” tem recebido varias indicações tantao para melhor filme, quanto para atriz e atriz coadjuvante e Mo’Nique sempre leva para casa. Para o Oscar de 7 de março próximo, o filme de Lee Daniel concorre aos prêmios de Melhor Edição, Roteiro Adaptado,Direção, melhor filme, melhor Atriz e melhor Atriz coadjuvante. Independete de premios conquistados, eis aqui um filme, que tinha tudo para ser mais um na prateleira, entretanto, não o é. “Precious” é um filme que merece e deve ser divulgado, assitido, sentido e vivido.

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