Até onde a Imaginação Pode viajar.

Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

O que dizer sobre filmes de amigos que são feitos para amigos, ou algo do gênero? Acredito que são filmes que se tornam divertidos para se fazer e quando o é assim em essência, essa coisa “amiga” atravessa a tela e toca quem assiste a obra acabada. Despretensiosamente, eis que temos um espécime desse tipo perambulando pelas telas de cinemas no momento.Trata-se da fabula psicodélica “The Imaginarium Doctor Parnassus – O Mundo Imaginário de Doutor Parnassus”(2009) dirigido pelo também alucinado inglês Terry Gillian (Irmãos Grim, O Pescador de Ilusões e Medo e Delírio) ex- integrante da trupe de comédia  Monthy Phyton.

 “The Imaginarium Doctor Parnassus” talvez seja um dos melhores filmes de Gillian nos últimos anos. Alucinado, psicodélico, escancarado, misterioso, contos da carochinha, o que quer que seja, está repleto de referência claras, da assinatura que Gillian criou. Com um elenco de “amigos” que na verdade são super astros; este foi o último filme deHeath Ledger. Ele havia rodado 1\3 de suas cenas quando faleceu. Até por isso, a produção necessitou suspender as gravações para poder dar um rumo ao material. A solução encontrada e que, encaixa perfeitamente na história sem prejudicá-la, foi fazer com que o personagem de Heath (Tony) mudasse de fisionomia cada vez que entrasse no mundo de Parnassus. Assim, Johnny Depp, Jude Law e Collin Farwell assumiram as cenas restantes.

 

Um direção de arte fantasiosa e deliciosa, conecatadas com um figurino esquisofrenico e hilario e uma maquiagem forte de traços e cores. Um baile de paletas de cores e de imaginação. Leve e louco. Talvez com um apuro maior nas partes onde são necessárias animações atráves da computação gráfica, o filme como um todo pudesse ter um resultado final mais satisfatório.Entretanto, ao que ele se propõe ele cumpre. Contar uma fabula, moderna ou não¿ As atuações de todos estão conexas.

 É exatamente o que disse no inicio.  Sentimos a leveza e a felicidade dos envolvidos em realizar este projeto de amigos.Terry Gillian escreveu o roteiro de Parnassus juntamente com Charles McKeown, com quem ja havia trabalho em 1988 em       “ As Aventuras do Barão de Munchalsen” e costuma dizer nas entrevistas de divulgação que o filme é “estória engraçada e humorística sobre as consequências de nossas escolhas pessoais durante a vida”, e explicou seu objetivo com o filme: “É autobiográfico. Estou tentando trazer um pouco de fantasia a Londres, um antídoto às vidas modernas. Amei a ideia de um espetáculo itinerante antigo que contasse histórias e maravilhas da maneira que costumava ser, para as pessoas que só conhecem filmes de ação repletos de tiros.”

No elenco presenças de peso Christopher Plummer que trás vida ao Doutor; Andrew Garfield e  Verne Troyer que fazem parte da Trupe circense, Tom Waits que personifica o diabo  e a jovem Lily Cole que interpreta “Valentina” filha de Parnassus e remete a uma boneca de lábio pequenos olhos grande nariz arrebitado e grande bochechas. Na edição do Oscar deste ano a película concorre nas categorias de Melhor Figurino e Melhor direção de arte.

 Em síntese, vale a experiência despretensiosa, vale assistir a ultima atuação de Ledger, vale boas risadas e deixar a mente viajar e se esbaldar pelo mundo imaginário que se visita. Em alguns momentos não precisamos de filmes geniais, apenas de filmes bacanas, como conversas de amigos.