Os Mensageiros.


Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Ano passado, após assistir a “Taking Chance” com Kevin Bacon coloquei-me a refletir sobre este trabalho nada agradável de noticiar famílias, pais e amigos que o seu ente que está alistado e foi à guerra faleceu. No filme com Kevin, a situação e o foco em questão é outro, porém a mensagem é a mesma de “The Messenger – O Mensageiro”(2009) dirigido por Oren Morveman.

A questão é, como dar uma noticia dessas, com tanta dor e sofrimento que ela carrega sem transparecer nenhuma gota de sentimentalismo, e, sem olhar para trás. Roboticamente, duplas de mensageiros são designada para esta tarefa, mas como não sentir nada. O exército é tão aço, que consegue realmente acabar com o lado emocional de seus alistados ao ponto de não sentirem nada¿ Qual é o perfil do soldado ideal¿ Para que mandar pessoas avisarem sobre tal coisa, porque não fazer uma videoconferência se é para ser tão “informal” e “distante” mesmo com uma presença real¿ Alguns questionamentos morais , ou não, ululam na mente no decorrer da película.

A escolha dos atores foi bastante gratificante. Ben Foster e Woody Harrelson encarnam dois oficiais praticamente sem escrúpulos e sem sentimentos e sem nada. Eles têm somente a eles. E nada mais. Vazio. Imenso. Praticamente intransponível. Bem, Foster um pouco “Eminem” para meu gosto, mas consegue segurar como, o oficial “maogadinho” e sem sentimento algum que está um tanto traumatizado por algum incidente vivido. O ponto alto em sua interpretação, é a aparência de: “não to nem ai” “ que saco esse trabalho” que ele consegue externar. Já o que dizer sobre o oficial careca de Woody Harrelson¿ bem, vejamos, ele esta no melhor estilo Harrelson de ser. Gigante e nojento. Uma porta de aço que não se importa com nada, a personificação de um robô bélico americano sob medida. Tanto esta convincente que este trabalho lhe valeu sua segunda indicação ao Oscar. Nesta edição ele concorre ao prêmio de melhor ator coadjuvante. Alias este ano muitos figurões nesta categoria em trabalhos tão distintos e marcantes. A primeira indicação de Woody foi pelo controverso “ O Povo Vs. Larry Flint” no qual ele interpreta o próprio e famigerado Larry Flint.

 “The Messenger” conta ainda com atuações tocantes da sempre ótima Samantha Morton e do veteraníssmo Steve Buscemi. Foi destaque no Festival de Berlin de 2009 vencendo o Urso de Prata de melhor Roteiro. O desenrolar da história, bem como o desfecho final funcionam, mas não empolgam e não transpassam ao filme aquele sentimento de “puta que pariu, que filme!”, mas ao todo é um bom filme. Vale e muito as questões levantadas, principalmente para a reflexão, não apenas no espectador, mas dos governos bélicos em especial. E igualmente ao filme estrelado por bacon e citado no inicio, o plot central é tão delicado que é necessário uma mão, menos “pesada” para quem sabe ter um filme sobre esse tema, mais intensa.

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