A cereja do bolo da GUERRA.


Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Não existe fuga. Não existe paz. Não existe esperança. Apenas tensão. Apenas mutilações. Tangíveis e imagéticas. Não existe dignidade, aliás; em tempos de guerra o que seria dignidade¿ Aliás, quando será que teremos tempos de paz¿ Apenas terror. Mas não um terror de corpos voando, sangue jorrando, cabeças rolando para todos os lados. O terror aqui esta no depois. Na engrenagem mental que gira todas as variantes e impede que as marcas visuais e auditivas vivenciadas possam decantar.

Filmes de Guerra são assim. Imensos. Imensos em conteúdo. Imensos em reflexões. Imensos em tempo. Imensos. A Própria guerra eterna do homem contra ele mesmo é imensa e talvez; infindável. Estes foram apenas alguns dos apontamentos que salpicavam aos meus olhos e sentimentos enquanto contemplava “The Hurt Locked – Guerra ao Terror”(2008) da diretora americana Kathryn Bigelow. Alguns devem ter se surpreendido por um filme, tão cru, visceral e direto, ser dirigido por uma mulher. Acontece que esta moça é responsável por filmes do calibre de “Caçadores de Emoções” e “K-19” e isso já demonstra a força do punho que ela sustenta.

Silenciosamente o filme de Bigelow, foi estreando, ganhando respeito, público e critica, além de prêmios. Absolutamente é o melhor trabalho de sua carreira sem sombra de dúvidas. Avalio que, além de termos uma estética documental, termos uma narrativa tensa (tensão é a palavra de ordem do roteiro) temos atores praticamente desconhecidos. Ou seja, nada de super astros para este super filme. Jeremy Renner jamais foi tão percebido. Sua atuação como sargento Will James é desconcertante. Após uma carreira sem ser tão notado, porém , sempre com ótimas atuações ( “ Terra Fria”, “28 Weeks later”, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”) finalmente, Renner ganha a atenção que merece. Prova disso foi sua indicação ao Oscar deste ano como Melhor Ator.

Kathryn não poupa nada. Também, para que poupar algo. Retratando uma unidade de desarmamento de bombas em plena Bagdá desolada nessa guerra do Iraque, temos uma sujeira humana latejante. Somente frio nos olhos daquelas pessoas que não podem ter sonhos. Quem sabe o único sonho delas seja conseguir não explodir pelos ares enquanto puderem. Ridley Scott tentou em 2001 dar essa intensidade em seu bom “Black Halk Down – Falcão Negro em Perigo”, porém não foi tão bem sucedido; embora este também tenha suas vísceras cinematográficas bem colocadas.

Grande surpresa nas indicações do Oscar deste ano, “The Hurt Locked” concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Original,Melhor Som e Melhor Edição de Som. Bigelow pode não apenas escrever seu nome como umas das mais brilhantes diretoras da atualidade como também, tornar-se a primeira mulher a receber o prêmio de melhor direção. Em um mundo perfeito isso seria lindo.

Como vez ou outra já disse, não existem vencedores na guerra. Existem participantes. Existem vidas perdidas. Existe dor. Existem seqüelas. E, acredito que não exista uma possibilidade de pausa, enquanto a raça humana não usar o intelecto apropriadamente.

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