Comandantes das próprias Almas.


Concorrentes ao Oscar 2010

por Caroline Araújo

Realmente gostaria de ter na algibeira da minha história, uma pontinha da astúcia cinematográfica construída ao longo desses anos por Clint Eastwood. Todas as temporadas onde existe algum filme dele que acaba de estreiar, penso que; pode não ser magistralmente mágico e fantástico, porém; absolutamente será um bom espécime Eastwood para ninguém botar defeito.

Não o bastante o eterno “The Good, the bad and the Ugly” com seu bisturi cinematográfico consegue recorta um “square” da realidade citadina e traspassa para suas lentes. Ou; pega uma história verídica e romantiza e a conta. Não só nos grandes faroestes ou imortalizando o policial implacável na pele do eterno Dirty Harry, mas principalmente como diretor, Clint trouxe a luz do mundo uma forma singela de se fazer cinema, e cinema de qualidade.

Chega aos cinemas brazuca sua mais nova película “INVICTUS”(2009) que acima de ser um recorte de uma história real e um marco da história mundial, é mais uma pincelada que este lendário Ator\Diretor|produtor faz de sua filosofia de vida: Nada sem inspiração funciona. Nada sem convicção prevalece. Nada sem merecimento triunfa. Nada sem o perdão vigorará. Nada sem a paixão terá frutos. Nada sem amor terá um engrandecimento. E só depois de uma grande catarse, o ser humano, o homem, encontra seu caminho e sua hombridade.

Todos os filmes aos quais Clint empresta sua assinatura na direção são sobre isso. “Sobre meninos e lobos”; “ Menina de Ouro”, “ A conquista da Honra”, “ Grand Tourino” e agora       “INVICTUS”. O mais interessante, é que vemos o pulso de Eastwood em cada passagem de cena. “INVICTUS” conta a história real de como Nelson Mandela conseguiu esculpir seu caminho no governo da África do sul, mostrando ser possível e pacífica a convivência de negros e brancos depois de tanto horror e tanta infelicidade naquela região sangrada pelo Apartheid.       

            “Mandiba” como Mandela é chamado pelos negros é interpretado por Morgan Freeman  que realmente veste a pele do presidente com uma interpretação louvável, mas em alguns pontos um pouco caricata. Ele mostra aos seus companheiros de partido que não será pela mesma opressão que sofreram dos brancos que eles mostraram como se governa. Ele mostra que o perdão esta acima de todos. “Ofereça a outra face”. Acreditando que essa unificação, ou inicio dela só seria possível utilizando um desacreditado e malfadado time de Rugby liderado por François Pienaar, (muito bem conduzido por Matt Damon), Mandiba mostra que aqueles jogadores simbolizam  a inspiração para seu país viver em paz.

Cenas muito bem construídas e fortes de significados, como a inicial onde temos dois times um de brancos com Rugby e um de negros com futebol separados por cercas e por uma estrada e por desigualdades tamanhas. O tom emocional não decanta neste filme. Ele só se intensifica. A musica, em alguns pontos chorada, perturba, mas é extremamente bela. E o poema que guia Mandela e que este, mostra a Pienaar para que possa guiá-lo no comando do time é o elo que fecha a moral desta história.

Concorrendo ao Oscar deste ano nos dois prêmios de atuações masculinas, Melhor Ator para Morgan Freeman e Melhor Ator Coadjuvante para Matt Damon, “INVICTUS” consolida que Clint é um diretor que consegue extrair a essência dos personagens na medida certa de seus atores. Embora ambas as atuações sejam muito bem executadas, correm por fora nesta disputa. Mais uma vez o maior mérito deste novo trabalho de Eastwood é o de mostrar que “ coisas boas acontecem” basta corrermos atrás e sermos os donos de nossos destinos como diz o poema do escritor inglês Willian E. Henly que guiou Mandela nos anos de prisão  e que dá nome ao filme:

  “Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s