O FIM de tudo.


Sugestão para o fim de semana

por Caroline Araújo

Assim com a vida depois da morte, ou vida fora da terra; a vida pós- apocalipse é outro filão de roteiros e filmes catastofres que ululuam as produções cinematográficas cada vez mais freqüentes. A algum tempo li o livro de Cormac McCarthy  que dá substância a película que leva o mesmo nome “ The Road” e todas as vezes que entro em alguma vertente artística que trata sobre o fim, avassaladoramente sou abocanhada por uma estranha sensação de flutuação sobre um abismo de nada.

Acho que é essa mesma a definição; afinal de contas, para que acordar e trabalhar tomar café, procurar um namorado, ir ao cinema, batizado de sobrinhos, igreja, família, fazer o bem, se a possibilidade de um fim desumano de uma humanidade sem humanidade é uma possibilidade não tão intangível pelos rumos sociais no qual estamos norteados atualemnte.

Os olhos e os sulcos de expressão que expurgam toda uma descrença real e futura explodem na interpretação memomável de Viggo Mortensen. Aliás sou mega suspeita em falar algo sobre ele, afinal é Aragorn, rs, mas piadas a parte quando o vejo atuando magicamente em um filme hoje, imediatamente vôo para os idos anos 90 quando estrelava o seriado “Melrose Place” e não passava de mais um desses atores que precisam de uma chance. Após a trilogia “ The Lord of the Rings” que lhe rendeu status de super astro, o mundo do cinema pode deleitar-se com um ator exponencial.

O filme em si é ele. Existem interpretações tocantes e intensas de Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Charlize Theron e Guy Pearce. Sem as areias e o sol escaldante de “Mad Max”, mas com a névoa castigante e o frio intenso na paleta de cinza lavado, “The Road” é tácito: o fim é o fim, não existe resposta senão essa. Assustadoramente cru, sem inversões de plots e sem criação de falsos sustos abruptos. Linear, e deliberadamente vazio para aumentar a sensação de impotência humana perante a estrada na qual todos estão andando neste mesmo momento em que lêem este texto.Bom pulso de direção visível de John Hillcoat.

O filme é bom. Agudo e crônico. Inquietante pela depressão real e letárgica que coloca na tela. Sombrio. Dolorosamente, uma possibilidade de reflexo das escolhas atuais. Totalmente aberto a várias interpretações. Deve ser visto e sentido com parcimônia. Não é de fácil digestão. Novamente, parcimônia.

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