O UM LIVRO para Todos Dominar


Em cartaz

Por Caroline Araújo

Acredito que estou no consciente coletivo de assistir filmes pós – apocalípticos no momento.Será que sou eu a apocalíptica do momento¿ Depois de assistir “ The Road”, me rendi então ao “The Book of ELI – O Livro de Eli”(2010) dirigido pelos irmãos Hughes e que acabara de entrar em cartaz nos cinemas nacionais. A desolação de um mundo de pó, homens como escória da pior espécie e uma aridez tremenda a lá Mad Max e Blade Runner são alguns dos ingredientes certos de se achar nesta estréia. Ao contrario dos filmes Cults que apadrinharam esse filão cinematográfico “The Book of Eli” não é um filme simples. Ele é extremamente sutil na mensagem humanística que engloba, e acima disso, é um sopro de esperança no vislumbre sombrio de um futuro não tão distante e que pode ser quem sabe um pouco menos dolorido.

O Cenário são as paisagens de uma América do Norte ressequida e monocromática. Agilidade nas passagens de câmera garante uma vastidão crível de latitude de tela. A fotografia azulada e meticulosa nos rastros de luz, na poeira dançante no ar, na sujeira asquerosa dos desejos humanos que ainda perambulam nesta terra de ninguém, é sagaz.

Temos um homem, negro andarilho forasteiro rumando ao oeste. Percebemos sua disciplina de cara, nas cenas iniciais. Temos a personificação do xerife mau e nojento de qualquer vilarejo de beira de estrada. Não temos água obviamente. Temos um livro. O UM LIVRO. Motivo pelo qual este xerife desalmado mata, rouba e aniquila na tentativa de encontrá-lo. E quem é que esta de posse deste livro¿ O nosso forasteiro negro e super ágil e educado é claro.

Denzel Washington dá vida ao forasteiro que atende pelo nome de ELI, e esta bem no papel. Garry Oldman nos brinda com seu xerife mequetrefe Western Carnegie, e Jennifer Beals volta às telas como uma das escravas cegas que Oldman abusa. A jovem Mila Kunis interpreta Solara, filha de Claudia interpretada por Beals que se junta a Eli na sua caminhada rumo ao oeste.

Para muitos que irão ao cinema é um filme que irá entreter e sairão satisfeitos das salas. Para outros, com certeza, será um filme inteligente, astuto e tocante. A mensagem do filme não é de que um mundo só pode ser reconstruído por conta das palavras de um livro. É a força dessas palavras que reverbera e refrata somente naqueles que crêem, naqueles que enxergam, não com os olhos perecíveis do corpo, mas como os olhos eternos da alma, do espírito. Além de personificar um xerifinho, Oldman também pode ser lido como os muitos que se utilizam das palavras sagradas para dominar os fracos. Um beliscão de leve em varias Igrejas atuais. Não existe no decorrer da película exultação ou diminuição desta ou daquela religião. O que mostra um pensamento meu recorrente e dividido com alguns amigos: Apenas uma verdade existe. Ela só é entendida e interpretada de vários pontos de visão diferentes. E para que mesmo, estes pontos diferentes consigam compreender a essência de seus ensinamentos, de suas palavras; o coração deve estar aberto e sereno e passível de compreensão de extremos e, sobretudo, passível de perdão; porque todos nós somos em essência imperfeitos.

Serendipidade. É a sensação ao fim do filme. Vale o ingresso e uma papo teosófico pós- sessão.

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