O País das Maravilhas sem “A” Alice

Em cartaz

Por Caroline Araújo

Eis me aqui. Sentada atirando os dedos sobre o teclado indigesto pós -correria trabalhista de uma semana punk levada da breca para tecer minha humilde e inquietante visão sobre uma película em questão. Tive que adentrar mais de uma sessão para poder de pés com punho afirmar o que aos meus olhos fez-se visual. Vamos lá.

Primeiro, Sou fã incondicional de Lewis Carroll. Segundo, sou aficionada pela cinematografia de Tim Burton. Terceiro Johnny Deep de qualquer jeito é delícia tropical. Em fim, saco extra large de pipoca e óculos 3D na mão, vamos à sessão de “Alice in the Wonderland – Alice no país das Maravilhas”(2010) que acabou de chegar aos cinemas.

Inicialmente é interessante salientar que o roteiro levado as telas é uma adaptação da história de Alice, passando-se 9 anos após  dela ter feito a incursão ao País das maravilhas. Por isso, na minha opinião, a compreensão mais fluída do conjunto proposto por Burton tenha tido um ruído na comunicação com o espectador.

Visualmente belo. A fotografia primorosa e surreal que o tempo inteiro nos leva a sensação do universo onírico, mas nem tanto, é linda. Tons fortes e concretos que se misturam. Com o passar dos anos e dos filmes Tim, consegue imprimir tão claramente sua assinatura, embora Terry Gillian também seja detentor de algo parecido (ambos retratam com verossimilhança crível o universo fantasioso como ninguém mais). O trabalho de pós- produção foi fervoroso eu diria. Excelentes escolhas de direção de arte, excelentes mesclas de fotografia, e uma engenharia sonora na medida. O barulhinho da lagarta azul com seu narguilê é fantástico!

Any way.. Não gosto da atuação da protagonista Mia Wasikowska. Ela não me convence como a Alice mais velha. Alias, temos bem no inicio a aparição de uma menininha fofuxa como a Alice criança, e sim, ela tem a inquietação e a meiguice, sem contar o brilho nos olhos e palavras afiadas da pequena Alice. Achei a Mia um tom a menos e suas caretinhas cretinas e chatas e nada engraçadas me desagradaram.

O Chapeleiro. Não precisava daquela dança nada a ver no fim. Até porque a dança é nada a ver mesmo. Nem Johnny, o anjo da lei mais mais de todas as décadas foi delícia dessa vez. A loucura de seu personagem estava bacana e saltava aos olhos por conta de suas vestes, cabelos e maquiagem que foram pensados para tal, mas sabe quando falta um alfinete para juntar tudo¿ então, pra mim foi isso, mesmo ele bacana, ainda faltava algo para dizer que fez o que tinha que fazer saca¿

A rainha Branca. Quase invisível. Muito recocó nos trejeitos teatralizados por demais. Sei lá. Aquelas mãozinhas da Anne “voandinho” toda vez que caminhava… Ilchi… não me pegaram.. pelo contrário, me fizeram pensar.. “ pai, o que acontece aqui¿”

A rainha vermelha. Fantástica! Helena sempre Helena e segura o filme todo em sua atuação tresloucada. Seu cabeção estava maravilhosamente cômico e a fúria e docilidade que emana de suas pestanas é algo que ao longo de sua carreira, tornou-se singular. Não é a toa que é a musa (e esposa) de Burton. Fez bonito e deixa qualquer pensamento de outra pessoa ocupar este papel kilometros de distância.

A direção. Apesar dos pesares, Tim Burton fez o filme que se comprometeu à. Nisso não posso culpá-lo. Mas acho que ele se perdeu em alguma das portas que levava para o mundo subterrâneo do País das Maravilhas. De qualquer maneira, é um filme de encher os olhos, com vários atributos que valem a pena o ingresso em 3D e um bom saco de pipoca. E o risonho listrado de roxinho… tá lindo.

Vamos atrás do coelho branco.. sempre!!

Dejà vu – Amar eterno amar..rs… continuando a saga dos romances de plantão.

Mundo Locadora

por coletivo de mulheres histéricas e anônimas*

Para aqueles que acharam absoluta falta de sensibilidade minha, difamar o clássico “Um Amor Para Recordar”, uma bandeira branca. Desta vez, irei recomendar um romance que realmente merece te fazer chorar – “Eterno Amor”. Quem assisti-lo, vai encontrar MUITAS semelhanças com “O Fabuloso Destino de Amelie Poulan”. Parece o Retorno de Amelie, só que  agora ela está na I Guerra Mundial e é manca. Fica difícil fugir do estigma com a mesma protagonista (Audrey Tautou) e o mesmo diretor (Jean-Pierre Jeunet). Mesmo assim, o filme é fofo. Aviso: a história deixa na fossa quem está sozinho.

 Mathilde é uma manquinha que ainda criança conhece Manech. Eles crescem, se apaixonam e declaram seu amor por todo canto. Como precisava acontecer uma coisa bem ruim para separar o casalzinho perfeito, vem a I Guerra Mundial. O moço é enviado a uma trincheira. A heroína fica esperando ele voltar.

 

Porém, em um fatídico dia, chega a notícia de que seu amado morreu. Sem acreditar no fato, a esperta Amelie… ops… Mathilde inicia uma busca atrás de Manech. Pelo caminho, a heroina encontra vários personagens peculiares e conhece suas histórias.A fotografia do filme é verdinha – típico dos cineastas franceses. Dentre as ótimas atuações, a articipação da americaníssima Jodie Foster, falando um francês impecável. A produção também conta com seqüências bem descoladas para agradar (de novo) os indies de plantão. Vai te fazer querer um amor igualzinho… ohn…

 UFA! Agora, acredito ter diminuído a lista de ofendidos. Minha mãe agradece.

* este foi um texto escrito a várias mãos, sendo a denominação escolhida a mais precisa.uia!

Antes que as horas Passem – Longas e envolventes conversas.

Mundo Locadora

por Thais Julianne

Sabe quando você encontra num elevador, ou na fila do supermecado uma pessoa com quem você descobre uma afinidade simples e gostosa de conversar? Os assuntos mais triviais e mais diversos, sem qualquer pretensão técnica ou exibicionista. Sabe quando você tem a oportunidade de ser você mesmo e se sente bem assim diante do outro. Sabe quando você se aproxima desta pessoa por poucos momentos e tem o desejo de que seja para a vida toda? Sabe todos esses clichês românticos que, mesmo sendo o mais “anti-piegas” dos seres humanos, na verdade gostaríamos de viver no nosso dia-a-dia?

Pois então, “Antes do Amanhecer” (Before Sunrise) e “Antes do Por do Sol” (Before Sunset) nos levam em seqüência, a embarcar no universo de dois jovens, um americano e uma francesa, que se encontram ao acaso no primeiro dos filmes, dentro de um trem na Europa; e depois de nove anos, se reencontram em Paris, no lançamento de um livro escrito por Jesse.

 

Ethan Hawke no personagem de Jesse e Julie Delpy como Celine são dirigidos por Richard Linklater em ambos os filmes, o primeiro lançado em 1995 e o segundo em 2004. Sem grandes investimentos na fotografia ou em efeitos hollywoodianos, as produções são bem desenvolvidas e merecem mérito pelos seus roteiros com diálogos bem estruturados e envolventes entre esses dois únicos personagens.

 

Seja antes que o dia amanheça e eles retomem seus destinos ainda com vinte e poucos anos e questionamentos sobre seus futuros profissionais e financeiros, solteiros, ou nove anos depois, antes que o avião saia, logo no entardecer do dia, já estabelecidos profissionalmente e com relacionamentos amorosos estáveis em suas cidades de origem, Jesse e Celine retratam com força de atuação um romance que quebra barreiras de tempo e distância de uma forma simples e realista. Assistir a estes dois filmes em seqüência é um ótimo convite para reflexões com as quais certamente você vai se identificar em algum momento.

Totalmente FORA da CASINHA

em Cartaz

por Caroline Araújo

 Não é forçado o riso que se ganha de cada espectador na sala. Não são gargalhadas por gargalhadas. São gargalhadas garimpadas do celeiro onde diversas outras comédias e stand up’s já buscaram os risos, já forçaram os risos. Em determinado momento me contive, pois inacreditavelmente estava perplexa com várias situações inusitadas e, tão bem boladas, de formas simples fazendo com que quem assiste o filme proposto, não desgrude dele até que os créditos comecem a subir.

“Date night – Uma noite Fora de Série”(2010) que acabou de abarcar nas salas de cinema; realmente é “fora da casinha” usando uma expressão sulista. Steve Carell e Tina Fey são únicos, entrosados, hilários como o casal insosso de New Jersey que vai ter um jantar na Big Apple. Tolinhos.

A Química entre os dois atores é tão grande, que em determinado momento eles são o casal, quero dizer, não se enxerga os atores e sim apenas seus personagens pois passamos a acreditar que aquelas duas pessoas existem. E o legal delas, elas não são insossa; elas são apenas comuns, ordinariamente comuns que tiveram seu eixo bagunçado numa noite que era para ser apenas divertida.

Obviamente com clichês e mais clichês na manga, como o personagens gostosão e cheio de testosterona explosiva de Mark Wahlberg que se recusa a colocar uma camisa (colírio visual) ou o chefão italiano Miletto de Ray Liota, e ainda a dupla de tiras corruptos e um pouco tantans interpretados por Common e Jimmi Simpson. Todos em seus devidos papéis são realmente coadjuvantes nesta película onde o casal fucking crazy da noite vai a vários extremos que nunca antes imaginaram chegar.

Tecnicamente convincente, nada excepcional, com alguns enquadramentos e seqüências bem boladas como o “nó de cachorro” entre dois carros e a perseguição policial pelas ruas de New York foi uma ótima “sacadinha” da direção.

Com certeza, agradará várias faixas etárias e publico diferenciado. Ta afim de ir ao cinema sozinho ou acompanhado, em turma ou em família , absolutamente esta é uma boa carta para ser apostada. E a dança dos robôs sexuais eternizará em vossas memórias. Hilariamente delicioso.

A maior Pretensão do Mundo

Sessão Desrrecomendo – locadoras

por Juraez Cividini Jr*

Quando o astrofísico Antônio, interpretado por José Wilker, descobre que está doente, decide voltar ao Brasil para tentar esclarecer certas dúvidas sobre seu passado. Antônio, um senhor de cinqüenta e seis anos (levando-se em consideração que a história se passa hoje), vive seus dias, seu trabalho, de maneira tão sóbria quanto desesperada. A essa altura de sua existência é que tenta driblar sua biografia, tudo que o transformou naquela pessoa introspectiva e fria.

            O início de O Maior Amor do Mundo, do veterano Cacá Diegues, promete uma bonita história. Apenas promete. Existe uma sensibilidade muito presente no início da fita, que se torna muito intensa quando o protagonista se encontra com o pai, vivido por Sérgio Britto – aliás, as seqüências em que Wilker e Britto contracenam são as que mais valem à pena nos 110 minutos de filme.

            Contudo, essa sensibilidade, enquadrada sob um ângulo muito delicado, esvai-se nas cenas seguintes. O ar terno, mas angustiante, que o roteiro propõe, não acompanha o protagonista. A favela, o lixão, a pobreza que aparecem em seguida, por um lado expressam o que de mais conflitante se passa na cabeça (e na alma) de Antônio; por outro, como quesito estético, não se encaixaram com o tipo de abordagem idealizada. Quero deixar explícito aqui que não sou contra essa estética, muito pelo contrário. Até mesmo concordo com Diegues quando ele mesmo afirmou que a nova onda artística brasileira está se desenvolvendo nesses núcleos vorazes de produção de subjetividade.

                        Claro que outros filmes já comprovaram a expressividade existente nas paredes sujas dos barracos do subúrbio carioca, em seus habitantes, na compra e venda de droga. Todavia, a mixagem que o roteiro faz o enfraquece, e quando vemos a cena em que um traficante oferece a morte de um sujeito a outra pessoa, sentimos que já a vimos numa outra ocasião. Mesmo a interpretação de Wilker que poderia ter sido sublime é atingida pelos tiros que surgem, e uma das coisas que revelam sua incipiência são seus irritantes gemidos, proferidos até o final: seu sofrimento se reduz a isso.

            Outro fator que não se encaixou foi a trilha sonora – mas desta vez não em todos os momentos, até porque Chico Buarque é Chico Buarque. A música é boa, mas houve um excesso e uma mescla de gêneros extravagantemente díspares. Como alguém teve a coragem de colocar Chico e Pitty numa mesma fita? Bons filmes, muitas vezes não têm um ressoar de violinos, pianos, vozes. Se o mínimo fosse mantido já seria suficiente. Talvez, até mesmo se não houvesse um som que não o dos diálogos já ajudaria, porque, como disse, o início da fita propõe introspecção.

            Os outros elementos? A fotografia não traz, aparentemente, nada de novo, assim como o elenco de apoio, que aqui é só de apoio mesmo – embora eu tenha gostado da atuação de Sérgio Britto, como disse. A arte e o figurino estão no seu patamar mais útil.

            Enfim, a pretensão do texto, o qual se mostra muito interessante, transforma-se num desejo do espectador de ver Antônio em outro lugar, vivendo o mesmo conflito sob outra abordagem, cuja ampliação não se estendesse ao subúrbio apenas. E alguns, como eu, sentirão saudades de Lorde Cigano, projetado por Diegues mesmo, em Bye Bye Brazil.

 

*Estudante de medicina, cinéfilo assumido e ex- integrante do NPAV – 3 Tabelas da UFMT. Escrevia regularmente no periódico FANCINE

Vamos treinar??

Em Cartaz

por Caroline Araújo

Todas as vezes que uma nova animação aporta nos cinemas, a primeira impressão é de que se trata de filmes destinado a crianças ou adolescentes ou “pré-adolescente”, como muitos se intitulam ultimamente. Entretanto a geração X, que esta em ebulição e dominando o mercado de trabalho e principalmente, são os realizadores a todo o vapor do momento, mostram que a perspectiva do que animação é sim, coisa de gente grande.

“How to Train your Dragon – Como treinar seu dargão(2010)” é a mais nova aposta do gênero de animação do momento. Especialmente feito para ser visto em salas 3D que pipocaram ao redor do mundo no grande conglomerados de distribuição, é um filme muito bem feito, bem dosado e extremamente belo do ponto de visto humano.

Alias, desde “Cars”, as animações que foram lançadas nos cinemas são novas formas que os adultos de hoje encontraram de externar suas problemáticas citadinas. Aceitações sociais, a busca dos sonhos, justiça, amor, sentir-se só, família, amizade, até onde conseguimos chegar, o eu é viver, onde esta a beleza em tudo, lealdade, princípios, fraternidade…. em todos, absolutamente todos as animações atuais, questionamento que atropelam a psique adulta são figurinhas fáceis. Não seria diferente em “How to train your dragon”.

Temos o moleque franzino que queria ser mais. Temos uma terra onde os fortes são respeitados( os francos não tem vez), se você não é forte é um paria. Temos a menina enfezada. Temos um problema(dragão) que na real, não é um problema. Temos uma guerra. E temos a busca de um propósito, e de um equilíbrio entre os extremos expostos. Juntando tudo, com uma modelagem linda e limpa, e com as paisagens nórdicas e histórias vikings que até então não tinham sido animadas dessa forma, temos uma película tocante, fofuxa e super bem conduzida do inicio ao fim.

Na verdade em meio ao balde de pipoca a cara daquela dragão que de “Fúria da noite” só o nome mesmo, dava vontade de levar para casa só para brincar de treinar e quem sabe voar pela cidade a noite. Acho que isso é o barato de animações. Elas conseguem transportar nossa matéria por paisagens que nem mesmo em filme com atores e cenários reais seria possível compreender suas belezas. Em alguns momentos a fofura das nuvens é tão mais macia.

Que venha a próximo animação. Curahee.