Por trás do Plano.

Em cartaz

por Caroline Araújo

Comédias românticas ou são realmente boas, ou são medianas e cumprem o papel de entreter por determinando tempo ou são terrivelmente ruins. Meio termos entre essas três definições são meramente ilustrativos. O fator com quem você assiste tal filme também conta, logicamente. Então Munida de família completa, pai, mãe, irmão, cachorro e uma barra de diamante negro nas mãos, sentamos para mais uma comédia romântica em questão.

“The Back – up Plan – Plano B”(2010) dirigido por Alan Poul, reconhecido diretor de Séries da HBO como “ Six Feet under” e “Swingtow”. Talvez por exatamente ter uma experiência mais ácida do que romântica em seus trabalhos anteriores, Poul , trás para este longa grande pitadas de realidade das entrelinhas dos relacionamentos, principalmente, coloca as novas formações familiares, que contradizem os modelos reconhecidos do passado, como uma tela bem clara do perfil da sociedade atual e quem sabe, futura.

O Roteiro não é genial, mas ele é preciso e bem amarrado. Quem assina é Kate Angelo que tem nas mãos os roteiros da série “Will and Grace”. Jennifer Lopez que dá vida a moçinha desta história representa e bem, a geração de mulheres que, são independentes, determinadas, alegres, trabalhadoras, porém, inenarravelmente solitárias.

A maturação feminina mais rápida do que a masculina, esta produzindo uma legião de mulheres que estão deixando de acreditar nos homens e que seja possível ter uma relação estável, saudável, familiar. Reflexo da eterna revolução dos sexos oriunda dos anos 60.Zoe do filme vivida por Lopez representa bem isso. Em uma atuação sem grandes exageros e redonda, temos um bom par central que é completo pelo cara de cachorro caído da mudança Alex O’laughlin que interpreta Stan, fazendeiro boa pinta que se apaixona (e corre atrás) da moçinha. Ai ai ..rs..

Boas dosadas de humor, alguma previsíveis e em alguns pontos forçadas (ocorre em quase todas as comédias desse tipo), o filme funciona e garante bons momentos de relex. Vale a pena dar uma assistida quem sabe numa tarde de domingo depois ou antes de uma taça de sorvete. Com cobertura, claro!!

Ah! Sim, acredito que o filme se enquadre na segunda categoria.

Top More than 10

Cinema Nacional de Ponta

Recomendo por Caroline Araújo

Muitas vezes amigos ou conhecidos pedem algumas sugestões de filmes, menos comerciais, mas que não sejam “tão arte” para poderem conhecer um pouco a cinematografia de regiões, ou de um determinado país. Exatamente por um pedido desses, comecei a organizar um Top 10 ou Top more than 10 de filmes nacionais e internacionais laçados nos últimos 10 anos que DEVEM ser vistos e referendados pelos espectadores cinéfilos ou neocinéfilos de plantão. Vamos ao primeiro:

Cinema, Aspirinas e Urubus é com absoluta certeza um dos filmes mais memoráveis, sensíveis e belos feitos no Brasil. Dirigido pelo então estreante Marcelo Gomes, ele exala uma simplicidade colossal onde dentro dessa melancólica simplicidade, sem palavras, mas perfumadamente pueril, existe uma poesia humana extremamente franca, e atual. Rodado no sertão da Paraíba, sua fotografia difusa e árida, causa um certo desconforto gástrico, proposital até,  e,  perfeitamente imagético.

A história é sobre um alemão que para fugir da Segunda Guerra mundial vem ser vendedor de Aspirinas no interior do nordeste onde conhece Ranulpho, um sertanista que deseja mudar de vida. O filme é o relato de Ranulpho de sua odisséia com este alemão. Ranulpho em questão é interpretado por João Miguel, lindamente e mundanamente e contrapõem com a muralha gélida alemã do ator Peter ketnath.

O roteiro assinado por Marcelo, Karin Ãinouz e Paulo Caldas é um poema, sobre humanidade, sonhos e amizades. Ele transporta-nos ao tempo de guerra, que mesmo longe territorialmente, mudou o cenário humanístico ao redor do globo. E isso chegou aqui, no coração do sertão, onde esses dois estranhos cruzam suas vidas e deixam-se um pouco em cada, mudando os olhares de como ver o próximo.

Cinema, Aspirina e Urubus recebeu o “Prêmio de Educação Nacional” do Ministério da Educação do governo francês que previa durante 5 anos sua distribuição em DVD para todas as escolas Francesas. Este premio fora recebido antes pelo cineasta Gus Van Sant por seu “Elephant”(2003) e Emir Kusturika pelo filme “A vida é um milagre”(2004).

Gosto sempre de citar este filme, por que; em tempos onde os efeitos especiais ululam em tudo, uma tela precisamente pincelada, da maneira mais simples, mas com alma, paixão e coração, explode aos olhos e arrebata. Direção forte, interpretações memoráveis, roteiro bem estruturado, fotografia magnífica e uma sublime sensação de nostalgia eterna. Ótimo representante do cinema verdadeiramente tupiniquim.

Areias para Príncipe Nenhum Botar defeito.

Em Cartaz

por Caroline Araújo

A leva de filmes de HQ’s, Gamers e afins ganha a cada alvorecer, novos espécimes para apreciação dos espectadores ávidos desse segmento. Como não deixar de fugir a regra, mas um ícone gamer ganhou espaço na celulose fílmica do momento. Trata-se de “Prince of Persia: The Sands of TimePríncipe da Persia: As Areias do Tempo”- (2010) dirigido por Mike Newell e produzido pelo bam bam bam super mega american producer Jerry Bruckheimer responsávelentre outras coisas, pelo seriado LOST.  

Temos um exemplo mais que claro de que, não importa o conteúdo, escolas cinematográficas e fidelidade a origem (neste caso um jogo de Vídeo game do mesmo nome), importa as porradas, safanões, cenas melosamente entediantes, muita areia, e o dinheiro no bolso, apenas.

Efeitos demasiados que chegam a tirar um certo equilíbrio que é necessário para que tenha uma identificação de possível verossimilhança e daí, ter-se então a magia do cinema. Nesse quesito ZERO para o filme em questão. Uma boa e madura fotografia, que não foi bem explorada, muito menos enaltecida. O roteiro extremamente capenga, com muitas auto-explicações DESNECESSÀRIAS!!!!! Parecia aula de telecurso quando Dastan vai ligando “os pontos” que estão mais do que na cara, e vai repetindo o que nós já pescamos e que poderia ter sido deixado no universo subjetivo, até para dar uma ajudada e quem sabe, salvado o filme, porém, a direção foi ao contrário. Totalmente.

Bons atores pessimamente dirigidos. Jake Gyllenhaal, está perfeito enquanto caracterização como o tal príncipe do título e em muitos momentos a interpretação dele e o jeitinho canalhinha ajudam, mas uma andorinha sozinha não faz verão. Ben Kinsgley e Alfred Molina estão ótimos, suas aparições são pontuais e muito precisas, mas falta tecido para que possam ter mais substância ( cadê a droga do roteiro hein¿)

Gema Arterton que interpreta a princesa Tâmina esta chata pacas. Sim, ela esta linda, é gostosona, par perfeito, belíssima para compor cena com Jake, mas suas ações encalham e ela não convence. Aquele olhar perdido, sai pra lá.

Enquanto o filme passava, eu ia lembrando, dos cenários no jogo, lembrando os comandos, e a caracterização dos inimigos e isso foi bastante fidedigno a fonte de inspiração, mas o mérito do filme para por ai. Claro, e de nos brindar com Gyllenhaal com aqueles bíceps e olhos esfuziantes.Ah, sim e o monte de areia, em tufões, redemoinhos, dunas, tempestades.. areia para nunca mais acabar!

Se por algum acaso não tem mais nada no cinema que te apeteça, compre o ticket. Mas recomendo esperar o lançamento em DVD ou estréia no canal a cabo ou Tv aberta. É mais barato e você pode até desligar quando não agüentar mais.