Top More than 10


Cinema Nacional de Ponta

Recomendo por Caroline Araújo

Muitas vezes amigos ou conhecidos pedem algumas sugestões de filmes, menos comerciais, mas que não sejam “tão arte” para poderem conhecer um pouco a cinematografia de regiões, ou de um determinado país. Exatamente por um pedido desses, comecei a organizar um Top 10 ou Top more than 10 de filmes nacionais e internacionais laçados nos últimos 10 anos que DEVEM ser vistos e referendados pelos espectadores cinéfilos ou neocinéfilos de plantão. Vamos ao primeiro:

Cinema, Aspirinas e Urubus é com absoluta certeza um dos filmes mais memoráveis, sensíveis e belos feitos no Brasil. Dirigido pelo então estreante Marcelo Gomes, ele exala uma simplicidade colossal onde dentro dessa melancólica simplicidade, sem palavras, mas perfumadamente pueril, existe uma poesia humana extremamente franca, e atual. Rodado no sertão da Paraíba, sua fotografia difusa e árida, causa um certo desconforto gástrico, proposital até,  e,  perfeitamente imagético.

A história é sobre um alemão que para fugir da Segunda Guerra mundial vem ser vendedor de Aspirinas no interior do nordeste onde conhece Ranulpho, um sertanista que deseja mudar de vida. O filme é o relato de Ranulpho de sua odisséia com este alemão. Ranulpho em questão é interpretado por João Miguel, lindamente e mundanamente e contrapõem com a muralha gélida alemã do ator Peter ketnath.

O roteiro assinado por Marcelo, Karin Ãinouz e Paulo Caldas é um poema, sobre humanidade, sonhos e amizades. Ele transporta-nos ao tempo de guerra, que mesmo longe territorialmente, mudou o cenário humanístico ao redor do globo. E isso chegou aqui, no coração do sertão, onde esses dois estranhos cruzam suas vidas e deixam-se um pouco em cada, mudando os olhares de como ver o próximo.

Cinema, Aspirina e Urubus recebeu o “Prêmio de Educação Nacional” do Ministério da Educação do governo francês que previa durante 5 anos sua distribuição em DVD para todas as escolas Francesas. Este premio fora recebido antes pelo cineasta Gus Van Sant por seu “Elephant”(2003) e Emir Kusturika pelo filme “A vida é um milagre”(2004).

Gosto sempre de citar este filme, por que; em tempos onde os efeitos especiais ululam em tudo, uma tela precisamente pincelada, da maneira mais simples, mas com alma, paixão e coração, explode aos olhos e arrebata. Direção forte, interpretações memoráveis, roteiro bem estruturado, fotografia magnífica e uma sublime sensação de nostalgia eterna. Ótimo representante do cinema verdadeiramente tupiniquim.

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