Top More Than 10- Part VI

A Vila dos Homens Cachorros e dos humanos vazios

sessão recomendo

por Caroline Araújo

O corre corre diário do trampo sempre surpresa, somado a total falta de tempo em conseguir sentar e deixar a mente concatenar todas as idéias literárias sobre este post e a preguiça mesmo, nos pouco momento de folga , confesso, preferia dormir; acabaram por dar uma atrasada nas atualizações. Porém, não é um grande pecado né? e a gente promete que vai compensar direitinho.

Dando continuidade a série Top More Than 10, entramos nas sugestões que para alguns pode ser indigestas, ou lascíviamente extasiantes.

“DOGVILLE”(2003) de Lars Von Trie, digamos; é um bom cruzado de esquerda sem direito à defesa e cheio de destreza. Arraigado de claras influências visuais do movimento DOGMA95 ( do qual Lars é um dos idealizadores e motivadores), “DOGVILLE” desconcerta e concerta ao mesmo tempo que vai esfacelando estruturas narrativas consagradas, embora não fuja do melodrama clássico. Porém, ele inverte a lente para que possamos contemplar a história contada por um outro viés, até então inimaginável. Inteligente, robusto, humanisticamente cheio, denso. A simplicidade com o qual trabalha, some; quando o foco nas atuações do atores engancha. É impossível levantar deste teatro filmado, mesmo com suas longas 3 horas de duração.

Visíveis influências teatrais são gritantes desde os créditos iniciais em “DOGVILLE”, como o teatro de Bertolt Brecht, que costumava colocar avisos de ‘atenção, não se emocione, isso é ficção’ em suas peças. E isso foi uma aposta ousada de Lars, brincar com o imaginário do espectador de maneira que o desconcertasse e até desconstruisse.

Ele consegiu extrair atuações brilhantes de seus discipulos nesta odisséia teatralizada. Nicole Kidman esta muito bem, esfuziante no papel de Grace.

A linearidade de ações, embora, na verdade esta não exista de fato, produz um ritmo filmico interessante. “DOGVILLE” faz parte da trilogia “E.U.A – terra das Oportunidades” sendo o primeiro. Na sequencia temos o ácido “Manderlay”(2005) e Washington”(ainda sem previsão de lançamento).

Um dos grandes méritos de Lars é ter sempre bebido na fonte dos grandes autores, o bom e velho melodrama, e ter ido além dele. Concebido uma assinatura única, um pulso firme de direção e uma incontestável visão de público e de que, o cinema é além de entretenimento. Ele entretem sim, mas ele ensina.

Não é a toda que na prova da Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de Los baños – A Escola Internacional de Cuba“DOGVILLE” figure como uma das obras primas da sétima arte. E é. Assim como “Encouraçado Pontenmkin” de Eisenstein, “Os Sete Samurais” de Akira Kurosawa entre outros.

Um dos pontos cruciais que transformara esta pelicula numa espetacular referencia de escola cinematografica é: Não precisa enfeitar demais para extrair a essencia de uma história, quando esta, é bem contruída; do ponto de vista literário. Basta ter coração e coragem de inovar e ser propositivo. A dialética do universo pede passagem para novos horizontes. Sempre.

Salve o Cinema Autoral.

TUDO vai dar Certo!!

Estréia nos Cinemas

por Caroline Araújo

Segunda – Feira. Típica. Cheia. E insuportavelmente pesada da pressão de trabalhos urgentes e imprevistos (muitas vezes previstos) que começavam a pipocar. As engrenagens das sinapses necessitavam de descanso, tempo, relaxamento. Como função de gerente de produção jamais termina; vinte e quatro horas ligadas em todos os meios de comunicação possíveis, mesmo encerrado expediente, estava lá, enrolada em cachecol felpudo para barrar a lufada de brisa gélida batendo nos onze graus de temperatura, terminando de levar equipe para casa, hotel e afins quando subtamente, deixei, o insight do momento light fagocitar minhas vontades.

Procuro uma vaga no estacionamento, me certifico de estar agasalhada e coloco-me no caminho das escadarias para o cinema. Lógico. Vou deixar a mente flutuar em outros ares. Ela merece e eu também.

Fiquei extremante feliz quando vi que fora os típicos filmes deste período de férias, existia uma escada de salvação para os apreciadores da sétima arte. Cinema em época de férias escolares é um estudo antropológico interessante. Mas vou deixar isso para um próximo post. Ticket comprado, chocolate, água, em fim, kit cinema feliz em mãos, vamos a sessão.

“Whatever Works – Tudo PODE dar certo” (2009) é a mais recente (e BRILHANTE) película assinada por Woody Allen. Seca, sarcástica, verídica. Horrorosamente humana. Após sua incursão pela Europa, onde produziu uma safra de filmes bacanas, porém, nem todos com aquele brilho peculiar que conseguimos ver em “Annie Hall” ou “Hannah e suas Irmãs”, dois títulos que o consagraram como diretor e roteirista, Woody volta a Nova York, seu cenário predileto.

“Whatever Works” é simples. Já disse outras vezes que, nem sempre precisa banhar em rios de dinheiro uma produção para se ter um ótimo filme. Este é mais uma prova incontestável. Larry David na pele do insuportável “gênio” quase indicado ao Nobel, BORIS, esta estupendo. Personifica exatamente o típico ranzinza esquizofrênico imortalizado por Allen em filmes que já atuou. Na verdade é uma caricatura do próprio Allen.

Melody a sulista fugitiva que bate na porta de um estranho pedindo ajuda, ou melhor, moradia, caiu como uma luva para a atriz Evan Rachel Wood. A relação desses dois personagens, tão diferentes e de formações e universos tão distantes, é a química mais que perfeita para com que todos os outros personagens que orbitam ao redordeles   sejam cheios de histórias interessantes; e necessárias para o andamento do filme.

“Whatever Works” é despretensioso na mensagem que alinhava no decorrer das quase duas horas de projeção: Na busca diuturna pela felicidade, em sociedades tão miscigenadas e ultra-divididas por variáveis termos e posturas, indivíduos indiossincraticamente diferentes, precisam descobrir o que os move, o que lhes proporcione a tal FELICIDADE. E nessa fogueira de vaidades intelectualóides, idealista ou simplesmente mundana, TUDO, realmente TUDO pode dar certo. Basta apenas que, cada um tenha muito claro quem é, como é e o que quer.

Viver de máscaras, sobrepujado, inquieto internamente, refletindo em um espelho variantes de possibilidades e desejos velados, ou, na contra-mão da própria essência de cada um. Na verdade, o que se tem que ter em mente (e no coração) é de que, felicidade é muito mais do que um estado momentâneo. Ela é perene. E para ela ser verdadeira. Precisamos ser verdadeiros conosco e com o mundo. Nada de falácias.  E alguns momentos, canjica faz muito bem.

Subindo os créditos, minhas risadas internas saltitavam. O Cosmo, a velocidade da luz e a inércia. Tudo assustadoramente faz sentido. Apesar do frio, fui embora com a janela aberta, para sentir o vento refestelar os cabelos enquanto um blues tocava no som. Isso também poderia ser, uma pontinha de felicidade.

Corram para o cinema!!!!

Top More Than 10 – Part V

Todos MACHUCAM

Sessão Recomendar

Por Caroline Araújo

Enquanto ainda vou digerindo algumas estréias dos cinemas dessa ultima semana para oferecer minha singela opinião sobre. Então, continuemos com a lista das indicações de filmes que MERECEM e DEVEM ser vistos pelos aficionados por cinema de carteirinha. Deixando o leste europeu e sua contemplação fidedigna, chegamos aos Andes do sul em terras marcadas desde sempre por várias insurreições populares ou políticas, sempre em busca da tão sonhada liberdade e do direito a todos terem sim, uma vida digna.

“MACHUCA” (2004) dirigido por Andres Wood é simplesmente uma mistura latente entre a inocência pueril invadida abruptamente pelo amadurecimento urgente em uma sociedade regida pela constante opressão que busca a manutenção do poder; poder, em todos os níveis.

Uma história como outras tantas já dramatizadas no cinema. A amizade quase que impossível entre o garoto rico e o colega pobretão. A curiosidade entre as diferenças gritantes de valores e de possibilidades desses dois universos distintos. Porém, esse primeiro plano, a história dos garotos, é apenas uma cortina esfumaçada que máscara a dualidade exposta na tela. A dolorida passagem ditatorial da história Chilena na década de 70, quando o governo de Salvador Allende; SOCIALISTA, esmurra a ponta da faca das passeatas da direita NACIONALISTA que buscam o tal poder.

Temos um Chile fervilhante, nesse caldeirão onde os sonhos de seu povo eram jogados, assassinados, estraçalhados. Temos um grito preso em milhares de gargantas, que silenciosas se prostam, para defender o único e verdadeiro bem que elas possuem. Suas VIDAS.

Wood soube redesenhar um Chile caótico, selvagemente pressionado pelo “progresso” pelo novo, Pela Mudança e sim, pela América dos sonhos. Sutilmente sofremos com as dores e descobertas de Gonzalo Infante- o garoto rico – e Pedro MACHUCA – o garoto pobre. Sem sombra de dúvidas, MACHUCA figura como um dos melhores filmes latino-americanos realizados nesta última década. Misturando de forma precisa romance, amizade e a dialética eterna das lutas de classe. A esquerda e a Direita. Os proletários e a burguesia.

Sensível, indigesto, forte, gástrico e verossímil.

Cinematografia OBRIGATÒRIA para os amantes da sétima arte, em especial, aos Sul-americanos. Nossos horrores precisam sim, serem lembrados. SEMPRE!

Top More Than 10 – Part IV

Antes de TUDO.

sessão Recomendo

por Caroline Araújo

A indicação deste filme se faz por vários motivos. Primeiro, por ser um dos melhores filmes do leste europeu da última década do século passado, fazendo com que a Macedônia entrasse no seleto roll dos países produtores de grandes filmes já feitos na história dos homens. Segundo, a narrativa, inteligentemente pautada pelo TEMPO, é algo assim, asfixiantemente belo.

Before the Rains – Antes da Chuva”(1994) dirigido por Milcho Manchevisk é uma assinatura singular da sétima arte. Vivaz. Sua fotografia contemplativa aquarela as formas e as histórias paralelas que correm rumo ao mesmo fim.  Encontramos uma Macedônia dilacerada pela guerra. Temos três narrativas divididas como capítulos de uma prosa poética: ‘Palavras’, na qual um monge se apaixona por garota refugiada. ‘Rostos’,Uma fotógrafa se vê dividida entre marido e amante, entre o desejo e a dever, o incerto e a rotina. E ‘Imagens’, que mostra o retorno do premiado fotógrafo Aleksander à sua nativa Macedônia e onde podemos alinhavar todos os personagens anteriormente apresentados.

Sensível, sofrido, um metrônomo visual intenso, como uma latente fuga do próprio tempo entre as gotas da chuva que se vislumbra no horizonte à frente. Não é à toa que acumula na bagagem O Leão de Ouro de Veneza e o Oscar de Melhor Filme estrangeiro entre tantos outros prêmios que abocanhou ao redor do globo.

 Milcho Manchevisk é uma artista como poucos. Diretor, roteirista, fotógrafo, artista. Credito boa parte da força deste filme à alma de MILCHO, incansável na tentativa de fazer arte em sua terra e de mostrar ao mundo as nuance sutis de suas mais ricas belezas. Antes de tudo, esteja de alma lavada, leve e sem agrura (é meio complicado, mas tente).

Depois de “Before the Rains” outro prisma sobre o mundo e sobre o real sentido do verbo VIVER se fará presente entre os seus dias. Boa pipoca, e muito lenço de papel são utilidades básicas à mão.

Amigo Estou aqui.

Em cartaz nos cinemas

por Caroline Araújo

Tenho uma receita para vocês. Pegue Lee Unkrich, Randy Newman, Michael Arndt e Andrew Staton e coloque-os juntos em uma estação de trabalho. Municie-os com bons desenhistas, artes finalistas, iluminadores, modeladores e um equipamento tipo N.A.S.A. Deixe-os lá. Não importa o tempo. Quando abrirem a portinhola de saída terão em mãos algo que com absoluta certeza vai conseguir mortificar você. Mas aqui emprego a palavra mortificar com uma conotação positiva. Eles terão realizados juntos algo fantástico. Bem já o fizeram.

“Toy Story 3”(2010) que aportou nas salas de cinema ao redor do globo, é lindo. Magicamente belo. Encantadoramente humano. Sob a direção competentíssima de Lee Unkrich( Procurando Nemo), conta com uma trilha sonora precisa de Randy Newman (Monstros S.A) que embala o Roteiro sensível de Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine) e Andrew Staton (Wall – E).

 

Novamente os brinquedos mais agitados voltam à cidade. Em uma odisséia na busca pelo carinho de seu antigo dono, ou até mesmo, na busca de um novo dono. Recheado de piadinhas, e com certeza, sacadas mais adultas, “Toy Story 3” não é uma continuação do clássico filme de animação lançado na virada do século. Ele é mais que isso.

Aliás, existe atualmente uma tendência muito bacana nos roteiros que ganham formato de animação. Não são filmes infantis como muitos classificam. São filmes muitas vezes mais adultos. “Toy Story 3” assim como Up ou Wall-E são grandes exemplos.

O Mote principal é a questão de como lidamos com as mudanças e com as perdas que são acarretadas por essas mudanças. Será que estamos preparados¿ quando devemos mudar nosso foco e entender que outro caminho necessita ser tomado para continuarmos nossas próprias histórias ou missões¿ As relações humanas, sociais. Amizade. Qual o real peso dessa palavra¿ O que é SER ou TER amigo hoje em dia¿ com quem contar¿ Você tem¿ Eu tenho¿

Pela ótica de uma trupe de brinquedos decididos todas essas perguntas são levantadas e respondidas de forma doce, e ao mesmo tempo áspera, com aquele brilho pueril eterno de criança. Não existe vergonha em sair do cinema com os olhos marejados, ou com alguns lencinhos na mão. Eu confesso que sai.

Embora estejam nos cinemas disponíveis em salas 3D, os óculos dimensionais não extraem nada acima do que podemos ver na versão normal. Só achei muito escura a tela, mas acredito que era um problema de projeção. Não se fazem mais protecionistas como antigamente.

Sem sombra de dúvidas aposto nessa película para Oscar de Animação 2011. Esperemos outros concorrentes.

Top More Than 10 – parte III

Sessão Recomento

A sensibilidade da Guerra

por Caroline Araújo

São por conta de filmes como este que damos graças a Deus às pessoas criativas e sensíveis. Geralmente quando comentamos que assistimos um documentário, a imagem que se faz na mente é daquela infinidade de depoimentos sobre o assunto central do filme, “cabeças falantes” como alguns dizem, com algumas imagens de arquivos, ou imagens do cotidiano do assunto, em fim, jeitão padrão mesmo de documentar.

Acredito que a grande sacada é você documentar utilizando as infindáveis técnicas estéticas e cinematográficas existentes hoje exatamente para proporcionar um maior entrosamento com o espectador e também, uma certa fidelização do mesmo. O grande papel dos documentários são figurarem como ferramentas educacionais, mas não credite a este titulo o pensamento escolástico. Não. Falo aqui de educação no que tange o cerne da linha que alinhava educação e cultura, sendo ela a linha condutora inclusive de várias transformações e ações sociais e até, melhora de qualidade de vida.

Pois bem, discussões dialéticas a parte, voltemos ao filme. “Walts Im Bashir – Valsa com Bashir”(2008) dirigido por Ari Folman é um filme Israelense. Denso, tenso, extremamente atual, esteticamente cosmopolita e acidamente sensível. Filmes e mais filmes sobre as guerras travadas no oriente médio amontoam-se ano após ano. A grande habilidade de quem propõem-se a fazer um filme que fale sobre isso, é inovar e encontrar o prisma certo.

Ari Folman foi feliz em suas escolhas de prisma. A história central do filme é a busca de Folman, veterano de guerra, em recuperar suas memórias perdidas dos eventos que marcaram o massacre de Sabra e Shalita durante a Guerra do Líbano de 1982. De forma sensível, a película retrata o envolvimento do Estado de Israel, resgatando a participação dos pequenos soldados que lutaram esse confronto.

Uma trilha sonora, bacana, que nos transporta a uma melancólica sensação de passado vivido ( porém não vivemos aquela realidade), um traço animado que consegue exprimir a dureza dos acontecimentos que cercam nosso personagem, e uma montagem quebrada, que acaba com a cadência nos momentos necessários, transformando os relatos documentais, em uma narrativa cada vez mais interessante.

“Walts Im Bashir”foi lançado durante o Festival de Cannes de 2008 sendo ovacionado. Abocanhou inúmeros prêmios ao redor do Globo, incluindo o Oscar de melhor Filme estrangeiro de 2009. O mérito maior, é voltar a atenção do mundo para o Homem e sua eterna batalha em guerrear. Independente de fronteiras.

Top More Than 10 – Part II

Sessão Recomendo!

por Caroline Araújo 

Sorria e o Mundo Sorrirá Junto

 Continuando nossa série de indicações super mega blaster obrigatórias do cinema de verdade, saímos do Brasil e damos um jump CUT direto para a distante e diferente Ásia, que há alguns anos vem brindando o espectador com boas surpresas cinematográficas.

“OLDBOY”(2003) dirigido  pelo sul coreano Chan-Wook Park é fervorosamente fora da casinha e dever de casa para todos os bons cinéfilos de plantão. “OLDBOY” é o segundo filme da “Trilogia da Vingança” dirigida por Park, mas é absurdamente o melhor. Baseado em um mangá que fora publicado em 9 volumes em 1997, como o titulo da trilogia entrega, “OLDBOY” tem a VINGANÇA como carro chefe, porém, cirurgicamente costura uma teia onde Amor, Ultra-violência, o Tempo, hipnose, a crise da vida moderna, obstinações e tabus sexuais, municiem o filme a ponte de criar um denso e complexo poema visual que vai muito além de ser um filme que termina em 119 minutos de projeção.

A narrativa é sobre Oh Dae-Su (nosso “oldboy” interpretado por Min-Sik Choi), um homem que sem um porquê aparente é seqüestrado e levado à um fétido e impregnado quartinho, onde por durante 15 anos não existe contato com nenhum outro ser humano, tendo apenas uma TV como companheira. Mas ai de repente..chegamos a um plot point para ninguém botar defeito.

Existe uma mistura estética e de métrica narrativa e de montagem ácida. Ao mesmo tempo que temos a lentidão de um filme tipicamente asiático, temos a efervescência e hiper atividade de um videoclipe, e a eloqüência de um ótimo espécime cinematográfico de artes marciais. Junte à isso uma pitada de odisséia pós moderna, duas colheres do mix dos sentimentos humanos e coloque no fogo alto para que a combustão seja precisa.

Park consegue transformar a ultra-violencia em algo até certo ponto, belo. Fato este que o coloca no restrito roll de diretores que obtiveram sucesso semelhante nas telas, como Kubrick, Tarantino ou Lynch. Tudo no filme tem uma agressividade extrema, mas o mundo em suma é agressivo. Viver, se olharmos por um certo prisma, é assustadoramente agressivo.

Com um pulso de mestre o diretor consegue de maneira subliminar demonstrar o confinamento do homem atual dentro de si, dentro de todos os tipos de relações existentes na sociedade moderna. O Filme em si é uma apaixonante e desesperada busca por respostas, neste universo onde as respostas são inexistentes, ou, são respostas que queremos ter. Não as que realmente são.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri de Cannes em 2004, “OLDBOY” ao mesmo tempo que perturba, incinera, dilacera e seca todas as infindáveis sensações que nos presenteia. Absurdamente dolorido, encantadoramente esquizofrênico, em uma sinfonia para todos os sentidos.