Top More Than 10 – Part V


Todos MACHUCAM

Sessão Recomendar

Por Caroline Araújo

Enquanto ainda vou digerindo algumas estréias dos cinemas dessa ultima semana para oferecer minha singela opinião sobre. Então, continuemos com a lista das indicações de filmes que MERECEM e DEVEM ser vistos pelos aficionados por cinema de carteirinha. Deixando o leste europeu e sua contemplação fidedigna, chegamos aos Andes do sul em terras marcadas desde sempre por várias insurreições populares ou políticas, sempre em busca da tão sonhada liberdade e do direito a todos terem sim, uma vida digna.

“MACHUCA” (2004) dirigido por Andres Wood é simplesmente uma mistura latente entre a inocência pueril invadida abruptamente pelo amadurecimento urgente em uma sociedade regida pela constante opressão que busca a manutenção do poder; poder, em todos os níveis.

Uma história como outras tantas já dramatizadas no cinema. A amizade quase que impossível entre o garoto rico e o colega pobretão. A curiosidade entre as diferenças gritantes de valores e de possibilidades desses dois universos distintos. Porém, esse primeiro plano, a história dos garotos, é apenas uma cortina esfumaçada que máscara a dualidade exposta na tela. A dolorida passagem ditatorial da história Chilena na década de 70, quando o governo de Salvador Allende; SOCIALISTA, esmurra a ponta da faca das passeatas da direita NACIONALISTA que buscam o tal poder.

Temos um Chile fervilhante, nesse caldeirão onde os sonhos de seu povo eram jogados, assassinados, estraçalhados. Temos um grito preso em milhares de gargantas, que silenciosas se prostam, para defender o único e verdadeiro bem que elas possuem. Suas VIDAS.

Wood soube redesenhar um Chile caótico, selvagemente pressionado pelo “progresso” pelo novo, Pela Mudança e sim, pela América dos sonhos. Sutilmente sofremos com as dores e descobertas de Gonzalo Infante- o garoto rico – e Pedro MACHUCA – o garoto pobre. Sem sombra de dúvidas, MACHUCA figura como um dos melhores filmes latino-americanos realizados nesta última década. Misturando de forma precisa romance, amizade e a dialética eterna das lutas de classe. A esquerda e a Direita. Os proletários e a burguesia.

Sensível, indigesto, forte, gástrico e verossímil.

Cinematografia OBRIGATÒRIA para os amantes da sétima arte, em especial, aos Sul-americanos. Nossos horrores precisam sim, serem lembrados. SEMPRE!

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