Tudo tem magia, bem, quase tudo…

Opinião

Por Caroline Araújo

A geração dos trinta e poucos anos de hoje cresceu sob o olhar dos contos de fadas e histórias encantadas produzidas em grande escala pelos estúdios Disney, que durante décadas representou o encanto das histórias palpáveis, ou não, para todas as idades.

Essa mesma geração também acompanhou de camarote o degringolar de todo este império dos sonhos, quando temporada após temporada, os filmes produzidos pelo estúdio simplesmente não emplacava mais bilheterias astronômicas, e outra; cada vez mais a equipe técnica- modeladores, roteiristas, diretores- abriam pequenos bureaus e faziam seus filmes. E eles faziam um baita sucesso. Prova cabal é a PIXAR um dos mais notáveis grupos oriundos dos primórdios do reino de Walt.

 

Digo isso para poder inserir o momento atual em que os estúdios Disney se encontram. Após algumas fusões bem sucessivas, e uma mudança geral nos diretores de produção, gradativamente, os filmes encantados foram voltando , voltando e ; realmente encantando as platéias ao redor do globo. E essa retomada, não só nos desenhos, mas também, nos filmes em que fantasia e magia explodem na tela. Conferimos isso em 2007 com “Encantada” e voltamos a apreciar agora em 2010 com “The Sorcerer’s Apprentice – Aprendiz de Feiticeiro” dirigido por Jon Turteltoub com Nicola Cage e Monica Belucci no elenco.

Diferentemente de “Encantada” que era um musical e misturava animação 2D com atores reais, “The Sorcerer’s Apprentice” é só magia e efeitos especiais interessante que lembram saudosas sessões da tarde. Porém, falta um pouco mais de pó de pirlimpimpim , mas a gente agüenta.

Temos novamente a luta de poder entre feiticeiros, bem versus mal. Temos o cara bacana que perde seu amor e durante 1.000 anos vaga pela terra em busca de seu aprendiz para poder então libertar-se da árdua e pesada tarefa de manter os mauzões eternamente presos. Temos logicamente um aprendiz mega trapalhão, assim como, a garota (loira) dos sonhos do moleque nerd de plantão. Some ainda atores de peso que parecem estarem se divertido pacas durante as gravações, jogue um pouco de raios, não, jogue muitos raios. Misture tudo e passe pela pós- produção para marcar luz.

Não é nenhum primor de roteiro, mas é bem feito, redondo, e até certo ponto bem dirigido. Nicolas Cage confere a Balthazar Blake seu eterno olhar de cachorro perdido na mudança e esta extremamente confortável no papel. Jay Baruchel que dá vida ao aprendiz do título é o típico improvável eterno nerd dos filmes. E a gente espera que ele cresça no decorrer dos minutos da história, porém, ele quase se afoga na paria. Uma pena, porque quem sabe poderia empolgar mais a todos os espectadores.

Alfred Molina esta ótimo como o vilão Horvath. Alias, Alfred é praticamente sinônimo de excelentes atuações. E Monica Belucci empresta sua beleza para a feiticeira Verônica. Muito se fala dela, porém pouco aparece, sua atuação não  interfere nos rumos fílmicos então classifico que ela faz bem o papel ao qual foi escalada.

Piadas pontuadas, referencia a filmes célebres como “Fantasia”, uma seqüência muito bonita em Chinatown, e boas risadas. Tipo de filme leve ( até de mais, mas tudo bem) para todas as idades principalmente para os sobrinhos, primos e filhos ficarem quietinhos durante quase duas horas. Delícia! Rs…

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O Terrível Ataque do Sr. Noite…..aghhhhhhhhhh!!!!!!!!

em cartaz

por Caroline Araújo

Tempo. Invisível métrica de realidade que rege o dia a dia da humanidade. Somos tanto reféns quanto controladores do TEMPO desde os primórdios. E assim, não todos, mas um grupo seleto de seres humanos compreende a essência de se valorizar o tempo em todos os níveis. E um GRANDE grupo de indivíduos faz parte dos que gastam esse intangível ser (sim podemos conotar TEMPO com um ser, Onipresente, Onisciente…) de uma forma irresponsável e finita. Sim, em um dado momento o TEMPO também acaba.

 E quando nos deparamos com um representante desse grupo de despreparados “temporalmente”, nunca almejamos tanto para que nosso objeto principal passe tão rápido.

Neste último fim de semana catapultei definitivamente a estrela decadente do diretor Mr. Night Shyamalan. Digo isso, porque, durante estes anos todos mantive uma pesquisa afinco para tentar, digo TENTAR, compreender as engrenagens que movem a imaginação desse homem e que o fazem realizar filmes. Ou melhor, as engrenagens que o fazem conseguir investidores que abrem seus cofres e permitem que este diretor ANIQUILE seus projetos.

 Cheguei a seguinte conclusão: Senhor noite É uma estrela cadente (decadente). Assim como as estrelas ele teve um ápice em sua carreira meteórica com o mais que acertado pulso tanto na direção quanto na criação do roteiro de “Sexto Sentido”, mas foi tão cedo, tão cedo, que aproveitar esse momento foi algo que o TEMPO não permitiu. Por que? Ora, simplesmente após este filme, paulatinamente um filme após outro, Senhor Noite desconstruía o que havia conseguido com “Sexto Sentido” e mostrava ao mundo que não passa de poeira cósmica mais ou menos ajambrada.

 

E não é diferente o que ele faz com “O último Mestre do Ar”, filme em cartaz na maioria dos cinemas.  Mr. Night não só aniquila o roteiro como consegue empobrecer vertiginosamente toda a grandiosidade da história em si, total falta de respeito para com a série de animação que dá origem ao projeto fílmico em questão: AVATAR.

 Shyamalan havia dado várias entrevista na qual afirmava que não era uma adaptação de AVATAR, mas a sua visão, sua própria trilogia adaptada da história em questão. E fazia isso, da mesma forma que Peter Jackson havia feito com “The Lord Of the Rings”. Acredito que ai, Tolken revirou no túmulo algumas vezes. Total Blasfêmia.

 

“O Último Mestre do Ar” é terrível. Mau feito o pica- pau se me permitem a expressão. Uma ópera de péssimas interpretações. Não existe nenhum super astro. E daí? Super astro não é sinônimo de filmes estupendos. Porém, os atores que entraram nessa barca furada são ou eram bons. Com filmografias interessantes, mas que, deixam de serem relembradas no simples fato de encararem personagens que estão tão pessimamente construídos, quanto direcionados.

 

Shoun Taub que interperta Iroh é o único que consegue sobressair ao rídiculo direcionamento de cena. Só ele. Noah Ringer interpret de Aang, nosso AVATAR, esta à deriva em suas expressões inexpressivas. Dav Patel é praticamente um pastel sem recheio sepultando a grandiosidade de seu personagem, o príncipe ZUKO. Ai você pensa: Não é uma história assim tão difícil. Existe um mundo onde existem 4 tribos que coexistem. Cada tribo domina um dos 4 elementos. Isso trás equilíbrio a vida e é mantido por conta da encarnação do AVATAR; único ser capaz de dominar os 4 elementos. Como em todas as histórias de o bem vence o mal e espanta o temporal, uma das tribos, neste caso a Nação do Fogo, sobrepuja as demais para mostrar seu poderio. E para conseguir sucesso, defenestra a nação do AR que seria o berço do próximo AVATAR e intimida e humilha as nações da ÁGUA e TERRA. O que acontece?  Logicamente os fracos e oprimidos se rebelam quando percebem que o AVATAR não morreu, então visualizam a luz no fim do túnel da esperança e vão à luta. Basicamente é isso.

 

O que acontece é que Senhor Noite parece ter surtado ao fazer direção, roteiro, produção desta película. O que torna mais complicada qualquer defesa de seu trabalho. Ele conseguiu sim fazer uma ambientação visual meia boca, o que eu julgo ser um mérito dentro desse submarino em declínio. Depois do ultimo fiasco filmográfico sob sua direção – FIM Dos TEMPOS, este projeto apontava como sua ultima oportunidade de redenção e recuperação do prestígio que havia conseguido com Sexto Sentido. Ledo engano. Shyamalan falhou miseravelmente nesta tentativa.

 Diálogos precários, atores pessimamente trabalhados, aniquilamento da história original, roteiro capenga e ainda por cima nada em 3D com a publicidade de estréia do filme TODA voltada para 3D.  Com certeza este artigo é mais um para engrossar os 95% de críticas negativas que “ O Último Mestre do Ar” recebeu ao redor do globo. Críticas estas que o diretor estadunidense com ascendência indiana disse ter recebido porque seu filme possui “uma sensibilidade européia” que é incompreendida pela massa acostumada com o estilo hollywoodiano. Sensibilidade européia?? Ele é pior que Mr. Bean!!!! Quanto mais tenta se defender, mais se afunda!!

 

Quantos níveis de sonho esse cara desceu¿ Alô Nolan, chama ele para realidade!!!! Nem Ed Wood considerado o pior diretor de cinema de todos os tempos era tão ruim. Ele era ruim porque eram tosco seus trabalhos, mas até ai, era genial. Agora Mr. Night Shyamalan é quase Uwe Boll. Só falta chamar os críticos para uma surra de boxe. Mas acho que ele não tem colhões para isso. Também, o que esperar de alguém chamado noite…..

No meio do caminho, em alguns momentos, sempre TEM uma pedra.

Sessão Desrecomendo

Por Caroline Araújo

 Existem filmes que muitas vezes lemos inúmeras resenhas e criticas cheias de controversas e pontos abertos e instintivamente temos um desejo inconsciente de saber se essas opiniões fazem jus ou não ao cerne do produto. A arte de escolher um filme para relaxar na tarde domingueira de inverno, não é fácil. E entre alguns títulos a mão, filmes para rever, filmes para estrear , respirei fundo e no uni duni tê escolhi um que a algum tempo estava guardado na geladeira do será¿.. e deveria deixá-lo lá por mais uma era.

“The Fountain – A Árvore da Vida” (2006) dirigido pelo inteligentíssimo Darren Aronofsky é um tropeço absurdo na filmografia deste diretor que tão claramente sabe (ou sabia) para qual ponto guia o espectador. É só olhar na filmografia dele. Aronofsky assina o instigante “Pi” , o sufocante “Requiém para um sonho” e o soco na cara e chute na porta “The Wrestler” que trouxe luz para o talento de Mikey Rourke.

“The Fountain” é minimalista por demais. Um roteiro arrastado onde 3 histórias interpretadas pelos mesmos atores em papéis que supostamente seria complementares em cada uma das histórias pois, elas estão diretamente conectadas (isso na cabeça de quem escreveu esta claro), não conseguem ter um limite claro entre realidade e ficção, deixando com que fiquemos em um bote a deriva no mar aberto.

Rachel Weizs e Hugh Jackman por mais que se esforcem (e tenha certeza eles se esforçam muito) não seguram a película nem aqui nem na Cochinchina.

A banda sonora do filme é intensa e merece destaque. Alguns efeitos especiais são interessantes. Mas nem mesmo a montagem “Hip Hop Montagem” que é a especialidade de Darren está na medida, conectada, ou seja, lá o que com o filme feito. A meu ver, foi como se o diretor quisesse abraçar o mundo colocando todos os conteúdos possíveis e imagináveis dentro desse abraço. Acontece que nessas situações alguma coisa sempre fica de fora. Na realidade o filme em si é uma ode ao amor eterno, que transpassa eras e vidas, porém, muito mal ajambrado.

Neste caso, o bom senso, uma boa direção e um bom roteiro ficaram bem de fora desse abraço.

Plante uma idéia.

Em cartaz

por Caroline Araújo

A rotina semanal de trabalho sempre acima da escala aceitável esta cada vez mais intensa. Então, quando o ápice do suportável é atingido; uma boa escapada para o cinema mais próximo se faz a saída estratégica pela direita. E nada mais estratégico do que entre os filmes em cartaz, comprar o ticket daquele que tem um bom ator encabeçando. Pelo menos é a tentativa mais certeira de NÃO entrar numa fria cinematográfica. Bem, minha escolha do fim de semana mostrar que pelo menos nisso ainda estou certa.

Dilacerante. Psicologicamente desconcertante. Assustadoramente coerente. Cinematograficamente bem feito. Perturbadoramente excelente. E , assim; estrelado por um ator que até o dado momento nos brindou com dois dos melhores filmes já apresentados em 2010 em duas atuações distintas e magistralmente bem feitas.

“Inception – Origem” (2010) o mais recente trabalho de Christopher Nolan, que trás na bagagem nada mais nada menos que “Batman Begins” e “Dark Knight”, é simplesmente excepcional, em todos os sentidos.

Primeiro por ser um roteiro circular meticulosamente fechado, nas várias saídas labirínticas proposta por Nolan. Segundo, por ser um filme que interage o tempo inteiro com seu público. Ele “planta” uma idéia, e gradativamente rega, fazendo-a crescer em cada espectador da sala.Terceiro, Nolan tem um pulso de direção indiscutível. Ele sabe quando quebrar a métrica de uma cena para levar seu público a um delírio fílmico e trazê-lo de volta quando bem quiser.

Quarto, Leonardo Di Caprio comanda. E BEM. Como é engraçado vê-lo “crescido” com ares de mais velho, pai de família, solitariamente atormentado por lembranças que não consegue se desvencilhar. O garoto retardado de “Gilbert Grape” cresceu e ganhou o mundo. No primeiro semestre conferimos sua atuação grandiosa em “Shutter Island” , e com esta ele só reforça que cada vez mais caminha para sua merecida consagração como um dos grandes atores da atualidade. Sem falar nos outros atores que fecham o elenco. Ellen Page esta bem, mas inda a vejo (e acho que outros também) como a mirrada adolescente grávida de “JUNO”. Cillian Murphy esta excelente. Marion Cotillardi esta encantadora, como sempre. Ela tempera muitas das cenas de Leo. Joseph Gordon – Levitt parece que deixa para trás os papéis de nerd e mostra-se mais como Arthur, braço direito de Dom, interpretado por Di Caprio.

Quinto, que som é esse¿¿¿ Nolan mais uma vez utiliza uma engenharia sonora absurda (ele fez isso em Dark Knight) e absolutamente o filme perderia 30% da intensidade ou mais se não fosse por ela. Aquele som de navio, como se a qualquer momento fossemos atracar em algum local, ô loco meu!! Os 148 minutos de projeção voaram sulfuricamente, pela intensidade de informação e composição de tela que temos a frente. A genialidade esta em ligar certas idéias e ver se poderiam dar certo , Nolan fez isso e sim, elas dão certo!!! Absolutamente Christopher Nolan esta ganhando sua cadeira cativa na galeria dos grandes diretores.

Sexto, o apuro técnico do filme o torna grandioso. Assista-o uma, duas, três ou mais vezes. VALE muito a pena. Este é um daqueles filmes que demoramos a digerir. E queremos sempre mais!!!! O Dom, precisa vencer Mal para encontrar a paz. Essa pegadinha, foi bem ajambrada, hein.