Plante uma idéia.


Em cartaz

por Caroline Araújo

A rotina semanal de trabalho sempre acima da escala aceitável esta cada vez mais intensa. Então, quando o ápice do suportável é atingido; uma boa escapada para o cinema mais próximo se faz a saída estratégica pela direita. E nada mais estratégico do que entre os filmes em cartaz, comprar o ticket daquele que tem um bom ator encabeçando. Pelo menos é a tentativa mais certeira de NÃO entrar numa fria cinematográfica. Bem, minha escolha do fim de semana mostrar que pelo menos nisso ainda estou certa.

Dilacerante. Psicologicamente desconcertante. Assustadoramente coerente. Cinematograficamente bem feito. Perturbadoramente excelente. E , assim; estrelado por um ator que até o dado momento nos brindou com dois dos melhores filmes já apresentados em 2010 em duas atuações distintas e magistralmente bem feitas.

“Inception – Origem” (2010) o mais recente trabalho de Christopher Nolan, que trás na bagagem nada mais nada menos que “Batman Begins” e “Dark Knight”, é simplesmente excepcional, em todos os sentidos.

Primeiro por ser um roteiro circular meticulosamente fechado, nas várias saídas labirínticas proposta por Nolan. Segundo, por ser um filme que interage o tempo inteiro com seu público. Ele “planta” uma idéia, e gradativamente rega, fazendo-a crescer em cada espectador da sala.Terceiro, Nolan tem um pulso de direção indiscutível. Ele sabe quando quebrar a métrica de uma cena para levar seu público a um delírio fílmico e trazê-lo de volta quando bem quiser.

Quarto, Leonardo Di Caprio comanda. E BEM. Como é engraçado vê-lo “crescido” com ares de mais velho, pai de família, solitariamente atormentado por lembranças que não consegue se desvencilhar. O garoto retardado de “Gilbert Grape” cresceu e ganhou o mundo. No primeiro semestre conferimos sua atuação grandiosa em “Shutter Island” , e com esta ele só reforça que cada vez mais caminha para sua merecida consagração como um dos grandes atores da atualidade. Sem falar nos outros atores que fecham o elenco. Ellen Page esta bem, mas inda a vejo (e acho que outros também) como a mirrada adolescente grávida de “JUNO”. Cillian Murphy esta excelente. Marion Cotillardi esta encantadora, como sempre. Ela tempera muitas das cenas de Leo. Joseph Gordon – Levitt parece que deixa para trás os papéis de nerd e mostra-se mais como Arthur, braço direito de Dom, interpretado por Di Caprio.

Quinto, que som é esse¿¿¿ Nolan mais uma vez utiliza uma engenharia sonora absurda (ele fez isso em Dark Knight) e absolutamente o filme perderia 30% da intensidade ou mais se não fosse por ela. Aquele som de navio, como se a qualquer momento fossemos atracar em algum local, ô loco meu!! Os 148 minutos de projeção voaram sulfuricamente, pela intensidade de informação e composição de tela que temos a frente. A genialidade esta em ligar certas idéias e ver se poderiam dar certo , Nolan fez isso e sim, elas dão certo!!! Absolutamente Christopher Nolan esta ganhando sua cadeira cativa na galeria dos grandes diretores.

Sexto, o apuro técnico do filme o torna grandioso. Assista-o uma, duas, três ou mais vezes. VALE muito a pena. Este é um daqueles filmes que demoramos a digerir. E queremos sempre mais!!!! O Dom, precisa vencer Mal para encontrar a paz. Essa pegadinha, foi bem ajambrada, hein.

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