He’s Back! Oliver Stone e Pilhas de Dinheiro.

Em cartaz

Por Caroline Araújo

 Em 1987 Oliver Stone dirigiu um dos filmes mais marcantes da geração Yuppie, que estava sedenta depois de viajar kilometros na acidez e desconstrução da Nova Hollywood dos anos 70. Algumas décadas depois, e vários filmes bons, medianos e ruins depois também; um dos diretores mais performáticos e megalomaníacos da atualidade, aposta suas fichas na continuação do sucesso de 1987, e; acerta. Precisamente.

“Wall Street – Money Never Sleeps” – Wall Street –O dinheiro nunca dorme (2010)” é uma bela apologia ao bom cinema feito no fim dos anos 80 e inicio dos noventa, com clássicas tomadas, cortes precisos, roteiros estruturados e atores inspirados.

Nosso magnata da bolsa de valores de New York esta de volta e quebrado. Temos um Gordon Gekko reinterpretado por Michael Douglas com o mesmo charme do primeiro filme. Os bastidores dos bastidores do mundo do sob e desce das ações, é um terreno fértil para cada aparição de Douglas na tela. A difícil trinca parece brincadeira de criança quando a ponta do fio é descoberta e puxada ao espectador.

Shia LaBeouf  que interpreta o jovem e ambicioso corretor que namora a filha de Gekko, Kim (Carey Mulligan) consegue convencer. A gente até esquece-se dele e os carros transformers de outrora. Josh Brolin está ótimo como o inescrupuloso Bretton. È muito bom ver bons atores que antes estavam tão pessimamente aproveitados, tendo a chance de mostrar o peso de suas escolhas.

As tomadas aéreas que mostram os arranha-céus Yankes são lindas. Abrimos um colchete aqui para uma das cenas iniciais, onde simplesmente um giro de 360º supino é quase um plano seqüência de tirar o fôlego de qualquer fotografo da platéia.  Edição ágil, mesclando boas doses de computação gráfica e o bom e velho punch de cortes secos ou fusões, são ótimas sacas. Com um elenco dedicado, Susan Sarandon, Frank Langella e Charlie Sheen com seu Bud Fox do passado, Stone acerta mais uma vez. Trilha sonora bacana e a feliz participação do cowboy centenário “O Bom, O mau e o Feio” interpretando Jullie fecham a conta dessa película. Se esta em dúvida, não tenha, corra para o cinema e compre seu ingresso. E pipoca, claro!

Um Homem Qualquer

Opinião

Por Caroline Araújo

Muitos dizem que o cinema nacional brasileiro é um cinema de “Autor”, seguindo a tendência capitaneada pelo cinema europeu pós 1950 e que modificou em grande estilo a indústria cinematográfica americana, dando a ela uma nova oxigenação artística para se reinventar. Ok. Voltemos ao cinema nacional. Reinventar. Quem sabe essa seja uma premissa necessária para o cinema brasileiro. Reinventar-se. Inventores. Criativos por favor!

Um verdadeiro cinema de “autor” tem sempre um “Q” à mais, instigante, desconcertante, e simplesmente genial, sob a ótica de conseguir abordar temas , por outros prismas e mostrar as diversas matizes necessárias. Em fim, sinceramente o Brasil possui parcos filmes de “AUTOR”.

Demorei em atualizar este blog justamente porque estava a procurar as palavras certas, ou menos ácidas, para exprimir a sensação de extremo vazio que “ Um Homem Qualquer” (2009) de Caio Vecchio abateu sobre a minha pessoa. A tal “tragicomédia metropolitana” de um cara qualquer – JONAS (Eriberto Leão) – que vive angustiado com a falta de afeto e emprego e visualiza a única saída de seus problemas com atos criminosos, sinceramente me doeu a alma.

O Roteiro é de própria autoria de Caio, que diz ter começado em 1999, num desabafo criativo contra a Igreja e contra o imperialismo norte-americano, mas meus amigos, a questão religiosa é vista sim; afinal JONAS é um nome bíblico e temos um “apóstolo” andarilho interpretado por Carlos Vereza que mostra isso bem; e só. A sensação que tive ao fim da película foi de um emaranhado de cenas que não tiveram a continuidade de ação para ligarem-se as outras por total despreparo do diretor. Vazio criativo, entendem¿

Nanda Costa completa o elenco principal e esta bem no papel de namoradinha de Jonas e estudante de Teatro, porém, é fraco. Fraco para ser um marco no decorrer da história em si. Existe um apelo sexual exacerbado. Aliás, diretor brasileiro adora cenas de sexo fortes e demoradas. Parece que se não tem sexo no filme, não é nacional. Isso me lembra Claudio Assis com seu “AMARELO MANGA” -o ser humano é ESTOMAGO e SEXO! E o dia a dia tem mostrado como Assis estava certo.

Gente para. “Cinema, Aspirinas e Urubus”, “ Serras da Desordem” ou “ Mutum” mostram exatamente o contrário. Filmes estupendos e sem o apelo sexual. Possuem substância. Visual e textual. Coisa que “Um homem Qualquer” desconhece e acaba caminhando para a vala comum do cinema nacional pretensioso.

Mesmo assim, é um exercício necessário assisti-lo. Uma filmografia diferente e que para outros, que vejam ou sintam diferente de mim, possa passar como um bom filme. Mesmo assim, acho que para fazer um longa – metragem é imprescindível uma pesquisa, não só de conteúdo, como estética. Isso faria uma diferença gritante na película em questão.

Não se Pode Viver sem Amor.

4º Festival de Cinema NA Floresta

Por Caroline Araújo

Setembro começa e as mudanças de estação iniciam suas intempéries. Temperaturas nas alturas. Nenhuma brisa a soprar e os nervos humanos cada vez mais tensionados pelas loucuras climáticas. Junto com Setembro começa também, um dos períodos do ano mais férteis para as discussões e encaminhamentos do setor audiovisual de Mato Grosso. Começa o circuito de festivais mato-grossenses que este ano é aberto pela guerrilha de fronteira audiovisual da Amazônia, o 4º Festival de Cinema NA Floresta.

É noite alta no céu quando o avião pousa em Alta Floresta. Pólo mais ao norte possível desse imenso estado. Desde dia 01 de setembro o Centro cultural da cidade esta tomado por filmes, vídeos, curtas de diferentes logradouros brasileiros trazendo para o público deste município longínquo as possibilidades de contemplar a pluralidade de pensamento e de cultura de nosso povo através das lentes cinematográficas. Mais de 40 títulos pularam nas telas da floresta encantando e contando suas agruras para a população .

Não apenas no centro cultural, mas no meio da névoa onde inexoravelmente o tempo estanca, projeções foram realizadas para as comunidades rurais e comunidades periféricas que não tinham como sair de suas localidades e tem tanto direito quanto as outras de ter a possibilidade de se deixar levar pela mágica dessa janela que conta histórias.

A força e a importância de ações como esta na limítrofe região amazônica é inestimável. Estamos falando de formação de platéia. Estamos falando de demanda de público. Publico este que necessita de mecanismos culturais mais fortes e continuados para que outras ações consigam ser realizadas e além de receber o que acontece no Brasil e em mato Grosso, que eles possam produzir e espalhar suas próprias histórias por esse mundão de meu Deus.

O que este grupo de trincheira cultural faz em Alta Floresta é mostrar ao ESTADO de Mato Grosso que: Existem pessoas compromissadas com a perpetuação da nossa cultura, e principalmente com o erário público, pois essas ações são só possíveis se subsidias através de incentivos via leis ou editais, como neste caso da Petrobrás.

Mais o mais importante neste festival, é que ele exprime a essência que move milhões de trabalhadores da cultura, milhões de trabalhadores do audiovisual brasileiro e mato-grossense. Não se pode viver sem amor *, disse Durán, mas neste caso, não se faz CINEMA sem amor, sem paixão. Não se contrói nenhum projeto sério sem essas premissas. Não se leva cultura à todos sem essas constituições.

Alta Floresta mostra ao resto do estado, que mesmo dando-se valor a cultura, no nosso caso a AGRICULTURA, ações pequenas, mas pontuais e bem alicerçadas, resistem a constante contramão que os governos impingem aos produtores culturais mato-grossenses. E no fim, ou no meio ainda dessa caminhada, existem muito amor e muita paixão pelo cinema, mola mestra para que possamos continuar nossa jornada na consolidação de um setor cultural firme, digno e próspero. Próspero de produção, público e histórias. Vida longa ao Cinema na Floresta.

mais detalhes no site do evento: www.cinemanafloresta.com.br

* Jorge Durán, cineata brasileiro cujo um dos últimos trabalhos foi um longa- metragem com o título – “Não se pode viver sem amor”. O trabalho integrou a mostra competitiva do 4º Festival de Cinema Na Floresta.