Não se Pode Viver sem Amor.


4º Festival de Cinema NA Floresta

Por Caroline Araújo

Setembro começa e as mudanças de estação iniciam suas intempéries. Temperaturas nas alturas. Nenhuma brisa a soprar e os nervos humanos cada vez mais tensionados pelas loucuras climáticas. Junto com Setembro começa também, um dos períodos do ano mais férteis para as discussões e encaminhamentos do setor audiovisual de Mato Grosso. Começa o circuito de festivais mato-grossenses que este ano é aberto pela guerrilha de fronteira audiovisual da Amazônia, o 4º Festival de Cinema NA Floresta.

É noite alta no céu quando o avião pousa em Alta Floresta. Pólo mais ao norte possível desse imenso estado. Desde dia 01 de setembro o Centro cultural da cidade esta tomado por filmes, vídeos, curtas de diferentes logradouros brasileiros trazendo para o público deste município longínquo as possibilidades de contemplar a pluralidade de pensamento e de cultura de nosso povo através das lentes cinematográficas. Mais de 40 títulos pularam nas telas da floresta encantando e contando suas agruras para a população .

Não apenas no centro cultural, mas no meio da névoa onde inexoravelmente o tempo estanca, projeções foram realizadas para as comunidades rurais e comunidades periféricas que não tinham como sair de suas localidades e tem tanto direito quanto as outras de ter a possibilidade de se deixar levar pela mágica dessa janela que conta histórias.

A força e a importância de ações como esta na limítrofe região amazônica é inestimável. Estamos falando de formação de platéia. Estamos falando de demanda de público. Publico este que necessita de mecanismos culturais mais fortes e continuados para que outras ações consigam ser realizadas e além de receber o que acontece no Brasil e em mato Grosso, que eles possam produzir e espalhar suas próprias histórias por esse mundão de meu Deus.

O que este grupo de trincheira cultural faz em Alta Floresta é mostrar ao ESTADO de Mato Grosso que: Existem pessoas compromissadas com a perpetuação da nossa cultura, e principalmente com o erário público, pois essas ações são só possíveis se subsidias através de incentivos via leis ou editais, como neste caso da Petrobrás.

Mais o mais importante neste festival, é que ele exprime a essência que move milhões de trabalhadores da cultura, milhões de trabalhadores do audiovisual brasileiro e mato-grossense. Não se pode viver sem amor *, disse Durán, mas neste caso, não se faz CINEMA sem amor, sem paixão. Não se contrói nenhum projeto sério sem essas premissas. Não se leva cultura à todos sem essas constituições.

Alta Floresta mostra ao resto do estado, que mesmo dando-se valor a cultura, no nosso caso a AGRICULTURA, ações pequenas, mas pontuais e bem alicerçadas, resistem a constante contramão que os governos impingem aos produtores culturais mato-grossenses. E no fim, ou no meio ainda dessa caminhada, existem muito amor e muita paixão pelo cinema, mola mestra para que possamos continuar nossa jornada na consolidação de um setor cultural firme, digno e próspero. Próspero de produção, público e histórias. Vida longa ao Cinema na Floresta.

mais detalhes no site do evento: www.cinemanafloresta.com.br

* Jorge Durán, cineata brasileiro cujo um dos últimos trabalhos foi um longa- metragem com o título – “Não se pode viver sem amor”. O trabalho integrou a mostra competitiva do 4º Festival de Cinema Na Floresta.

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