A Dificil arte de ” Let it Be”

Opinião

por Caroline Araújo

O processo de amadurecimento e transformação pessoal que cada individuo passa, é uma jornada solitária e em alguns casos antagônica, mas necessária. Inúmeras histórias sobre esse “redescobri-se a si mesmo” começam e terminam todos os dias. Mas é claro que apenas algumas histórias rompem o cercado do senso comum e chegam ao conhecimento público e geram repercussão e posteriori produtos consumidos por seus pares.

Transformar um Best – Seller em filme é sempre uma tarefa delicada e com dois gumes. Ryan Murphy(GLEE) recentemente descobriu isso na pele. “Eat, Pray Love – Comer Rezar Amar” (2010) seu mais novo trabalho que acabou de aportar nas salas de cinema tupiniquins é baseado na história real da escritora Liz Gilbert que acabou virando um enorme sucesso literário de vendas ao redor do globo.

Liz tinha tudo o que muitas pessoas almejavam, mas não era realmente feliz. E após um descompasso em sua vida, decidi recomeçar, jogando tudo para o alto, e entrando numa jornada de auto-conhecimento de peito aberto, porém com data definida para encerrar. Viajar pela Itália, Índia e Bali durante um ano.

A riqueza humanística e mundana que a história de Liz carrega, conseguiu chegar em parte às telas de cinema. Julia Roberts empresta seu sorriso largo à personagem principal e esta coerente como na maioria de seus papéis, porém, ela poderia ter se inspirado mais. Senti uma reticência de atuação dela em quase todos os momentos pela qual Liz atravessa e isso fez com que o filme num todo, perde-se.

O próprio descompasso e frustração inicial que move Liz a ir em busca de si, achei pulado, não bem contato, totalmente em dicotomia paralela as etapas do seu caminhar que em alguns casos como a passagem de Liz pela Itália e Índia, foram longos e poderiam ser melhor contados em menos tempo.

A escolha de Javier Bardem para o papel masculino que faz par com Julia, foi bom, mas necessitava de mais aulas de português se ele era para ser um brasileiro verdadeiro. E Bardem, não está nem perto de suas grandes atuações. Morno, como as águas de Bali.

Bons planos, excelente direção de arte, minuciosa e bela. Fotografia adequada, trilha sonora precisa e envolvente – Eddie Vedder e sua voz sempre abocanham lágrimas, suspiros e corações – roteiro bom e direção em queda vertiginosa.

Nem mesmo a atuação inspirada de Richard Jenkins consegue segurar todos os bons elementos juntos para fazê-los com que ao fim pudéssemos dizer “ Puta Filme!”. Ao fim cheguei com a sensação de que algo estava desconexo, ou fora da casinha. Tinha tudo para ir longe, mas só conseguiu chegar na metade.

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Corujinhas e Corujões com 3D que vale a pena!

Em cartaz

por Caroline Araújo

A eterna fonte de inspiração grega das sagas épicas, heróis destemidos, guerras travadas, a paz tão almejada e reis “alvos” e bons de coração foi absolutamente o cruzeiro do sul para John Orloff (O preço da Coragem) e John Colle (Mestre dos Mares) desenvolverem a adaptação da série de livros infantis de Kathryn Lasky. E coube a Zack Snyder (300 e Watchmem) segurar a batuta da direção. Com isso temos em cartaz uma das melhores direções de arte em animações dos últimos tempos.

“The Legend of the Guardians: The Owls of Ga’Hoole, – A Lenda dos Guardiões”( 2010) dirigido por Snyder é o mais novo filme infanto – juvenil do momento, porém, ele esta mais para juvenil adulto do que infantil.

A produtora Animal Logic responsável pela animação de ponta magnificamente feita para este filme esta mais que de parabéns. Cada peninha das corujas parece ter vida própria. Movem-se desalinhadamente com o roçar ou o vento. As expressões faciais e acima disso, a mudança de olhar das corujas é algo assim, LINDO! Impressionante e estupendo. Ponto no placar.

A estrutura do roteiro esta bem amarrada. Desde o momento que sentamos na poltrona esperamos a tão verborragicamente referida batalha entre as corujas e ela acontece com um jogo de câmera de tirar o fôlego. Meu, que isso, ô loco! A trilha sonora bem acabada e uma fotografia aquarelada com um céu cor de baunilha digna de Degas ou Renoir. E o nosso Coruja Yoda de plantão Ezylryb¿ Em alguns momentos temos boas doses de Star Wars , Harry potter, Happy Feet  e Up misturados para gerar bons diálogos e boas ações seqüentes.

Assim como um bom épico que se preze, temos os moçinhos e vilões, os guerreiros e invejosos, os mestres e discípulos, os sacrifícios e as vitórias. Soren é o personagem principal. Uma corujinha “fofolet” que adora ouvir as histórias das grandes batalhas da antiguidade das corujas. Ele é tão doce e inocente que não percebe a inveja e o ciúme de seu irmão Clute que só cresce e intensifica.

Isso é o ponto de partida para mergulhar nessa história tão ricamente contada. Entretanto, falta o humor típico de filmes feitos ao público intanto-juvenil. Sobram cenas bem boladas, seqüência minuciosamente arquitetadas, planos violentos e ferozes, e falta, emoções fortes e mais inocência para fechar com gol de placa.

Nós adultos entendemos do inicio ao fim e gostamos. Temos um balé visual belo a frente. Agora nossos sobrinhos, filhos e afilhados poderão sair do cinema um tanto desapontados. Atribuo a isso o fato de Snyder ter feito a direção à distancia. Animal Logic é da Austrália enquanto o diretor acompanhava tudo do Canadá onde rodava seu próximo longa.

Fora essa distancia territorial, temos a distancia de gosto. Vemos e muito os gostos pessoais de Snyder na tela. Não seria problema, se ele estivesse fazendo um filme para adolescentes.

O que fica é uma sensação de que fizeram um tremendo filme bacana para determinado público, mas na hora de vender  ofereceram à outro e ai, gerou algo desconexo para o projeto.

De qualquer maneira “A lenda dos Guardiões” é uma ótima pedida para um filme em família ou em amigos. Entretenimento puro e simples com 3D que vale os centavos do ingresso!. E passe a régua.

Os CAVEIRAS estão de volta! Tropa de Elite 2 com força total.

Estréia

por Caroline Araújo

Em geral continuações são filmes arriscados. Independente de serem bons, eles herdam todo um mundo imagético de possibilidades que ficaram em aberto no filme anterior. E, precisam trazer algo novo, conquistar novamente o espectador. O mundo do cinema tem, dúzias de continuações que fracassaram, e na outra ponta, também várias continuações que superaram as expectativas. Ouso dizer que neste fim de semana, tivemos a estréia de uma das melhores e mais intensas continuações do cinema brasileiro, e digo mais: uma das melhores surpresas dos últimos 5 anos do cinema nacional.

“TROPA de ELITE2” – O inimigo é outro (2010) dirigido pelo bom e preciso José Padilha é, em minha opinião, o primeiro blockbuster nacional com conteúdo. Com o peso de fazer jus ao primeiro filme que foi um boom de crítica e público ao redor do globo, “Tropa de Elite 2” vem com força total e (o que é melhor!) Substância!!

Wagner Moura dá vida mais uma vez ao personagem de sua carreia – Capitão (agora Coronel) Nascimento. Ele esta inspirado, dedicado e totalmente dentro do personagem. Suas atuações são belas e intensas, roubando várias cenas. Temos um Coronel Nascimento cansado, porém sempre pronto para lutar pelo que acredita. Temos um Coronel Nascimento pai, ex-marido, que teve sua vida pessoal despedaçada por conta dos anos dedicados a polícia do Rio de Janeiro. Temos um Coronel Nascimento só. Mas isso é apenas aparente. 

André Ramiro também trás acidez e amargura na medida ao seu capitão Mathias. Mais decidido, mais feroz e mais audacioso. Temos outras boas surpresas como o chatão Fraga interpretado por Irandhir Santos.

Lula Carvalho faz uma fotografia fuída e realista. Alguns planos a meu ver foram inspirados em “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles – seqüência de corrida entre os labirintos da favela –  e isso para mim é mais que positivo. É o cinema nacional inspirando o próprio novo cinema tupiniquim. Daniel Rezende executa uma montagem instigante e o Roteiro de Braulio Montovani esta mais denso, recheado e ao mesmo tempo cru e realista. O que vemos na tela é sim, uma história citadina que se passa em uma grande cidade brasileira.

A violência tão explícita e tão evocada no primeiro filme, não é a mesma, embora esteja lá em cada canto. Agora temos um filme inteligente, verborrágico e intenso. Em alguns pontos sufocantes por conta da impotência vista nos olhos perjuros do Coronel Nascimento.

José Padilha explora bem o submundo das corporações policiais. É um dos poucos diretores que realmente sabem o exato ponto para dosar suas ações de direção. Ele produz um filme de ficção com muitas doses de realidade e que deixa o questionamento sobre muita coisa pipocando na cabeça do espectador.

Eu faria apenas duas mudanças. 1º ter um pouco mais da voracidade de atuação de Seu Jorge como o Berada, e 2º terminar o filme no fim da seqüência aérea sobre Brasilia. Ai era só ir para galera! Faca na Caveira fio!! rs