Os CAVEIRAS estão de volta! Tropa de Elite 2 com força total.


Estréia

por Caroline Araújo

Em geral continuações são filmes arriscados. Independente de serem bons, eles herdam todo um mundo imagético de possibilidades que ficaram em aberto no filme anterior. E, precisam trazer algo novo, conquistar novamente o espectador. O mundo do cinema tem, dúzias de continuações que fracassaram, e na outra ponta, também várias continuações que superaram as expectativas. Ouso dizer que neste fim de semana, tivemos a estréia de uma das melhores e mais intensas continuações do cinema brasileiro, e digo mais: uma das melhores surpresas dos últimos 5 anos do cinema nacional.

“TROPA de ELITE2” – O inimigo é outro (2010) dirigido pelo bom e preciso José Padilha é, em minha opinião, o primeiro blockbuster nacional com conteúdo. Com o peso de fazer jus ao primeiro filme que foi um boom de crítica e público ao redor do globo, “Tropa de Elite 2” vem com força total e (o que é melhor!) Substância!!

Wagner Moura dá vida mais uma vez ao personagem de sua carreia – Capitão (agora Coronel) Nascimento. Ele esta inspirado, dedicado e totalmente dentro do personagem. Suas atuações são belas e intensas, roubando várias cenas. Temos um Coronel Nascimento cansado, porém sempre pronto para lutar pelo que acredita. Temos um Coronel Nascimento pai, ex-marido, que teve sua vida pessoal despedaçada por conta dos anos dedicados a polícia do Rio de Janeiro. Temos um Coronel Nascimento só. Mas isso é apenas aparente. 

André Ramiro também trás acidez e amargura na medida ao seu capitão Mathias. Mais decidido, mais feroz e mais audacioso. Temos outras boas surpresas como o chatão Fraga interpretado por Irandhir Santos.

Lula Carvalho faz uma fotografia fuída e realista. Alguns planos a meu ver foram inspirados em “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles – seqüência de corrida entre os labirintos da favela –  e isso para mim é mais que positivo. É o cinema nacional inspirando o próprio novo cinema tupiniquim. Daniel Rezende executa uma montagem instigante e o Roteiro de Braulio Montovani esta mais denso, recheado e ao mesmo tempo cru e realista. O que vemos na tela é sim, uma história citadina que se passa em uma grande cidade brasileira.

A violência tão explícita e tão evocada no primeiro filme, não é a mesma, embora esteja lá em cada canto. Agora temos um filme inteligente, verborrágico e intenso. Em alguns pontos sufocantes por conta da impotência vista nos olhos perjuros do Coronel Nascimento.

José Padilha explora bem o submundo das corporações policiais. É um dos poucos diretores que realmente sabem o exato ponto para dosar suas ações de direção. Ele produz um filme de ficção com muitas doses de realidade e que deixa o questionamento sobre muita coisa pipocando na cabeça do espectador.

Eu faria apenas duas mudanças. 1º ter um pouco mais da voracidade de atuação de Seu Jorge como o Berada, e 2º terminar o filme no fim da seqüência aérea sobre Brasilia. Ai era só ir para galera! Faca na Caveira fio!! rs

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