Quando a liberdade poética é bem aplicada


Opinião

Por Caroline Araújo

Experimentar. Ousar. Dois verbos comumente mencionados quando trata-se de referendar uma nova produção artística que se faz porta – bandeira de novos horizontes artísticos. Contudo, igualmente comum é a não ousadia e o não experimento feito por essas tão “ditas” novas artes.

Sexta passada, durante o 17º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – MT fui jogada avassaladoramente dentro de um turbilhão de ousadia experimental sem precedentes. Um jorro criativo de sensibilidade e poesia visual digno de grandes obras primas. Tinha acabado de contemplar uma sessão do longa metragem experimental feito por Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”) e Karin Anoüz (“ Madame Satã” e “Céu de Suely”) e estava realmente tocada.

“ Viajo porque preciso, Volto porque te amo” (2009) é sem dúvida alguma um filme com alma, um filme com paixão, um filme com uma sensibilidade extrema. Não existe métrica. Esqueça .Existe instinto e uma grande vontade de escarafunchar os arcabouços das sensações humanas nos momentos de solidão; nos momentos onde o auto-conhecer se faz latente e urgente.

Nosso protagonista interpretado com tamanha voracidade verbal por Irhandir Santos, não precisa aparecer. Conseguimos captura toda sua angustia, amargor, desamor, solitude e paixão em suas andanças pelos cafundós ressequidos do sertão.

O filme foi feito com pedaços dos outros filmes dos diretores que não haviam sido utilizados, mesclando uma ficção documental de uma homem e sua própria busca por entender esse amor.

A utilização de montagens sobrepostas e a coloração de super 8 e 16 mm, intercalada com fotos muito belas acelerava e desacelerava o decorrer narrativo de uma maneira bem interessante. Temos na frente dos olhos uma aula de narrativa e de utilização de imagens. Direção bem delineada. Impossível entrever onde começa ficção e onde termina o documentário.

Marcelo e Karin fizeram bem. Muito bem. Absolutamente teremos pessoas que irão detestar justamente pelo o público ter a enxurrada diária do modelo enlatado de cinema. Mas o mérito deles é a ousadia em fazer um poema de amor ao outro e de amor próprio de uma forma, forte, intensa e livre. O titulo é tão forte quanto a construção textual que ele implode da mente do espectador. E o mais engraçado para mim, é que assisti-o logo após assistir o longa americano “Comer, rezar e amar” que trata exatemnte sobre o auto-conhecer. Diferente do americano, “ Viajo porque preciso, Volto porque te amo” não precisou de feitos, super astros e essa tralha toda para cumprir o que propõe e ir além até.

Isso é Cinema de verdade!

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