Presente de natal para a geração X: TRON aporta nas telas.

em Cartaz

opinião

por Caroline Araújo

Quando me coloquei no caminho do cinema, ao mesmo tempo, comecei a imaginar o passado. Lembrei de várias tardes prostrada na frete da TV assistindo sessão da tarde. Visualizei algumas madrugadas nas quais ficava sentada no banco da praçinha em frente a casa da avó na Vila Xavier em Araraquara – S.P, discutindo sobre filmes com meu tio André. Entoei algumas canções que fizeram parte da minha infância tão saudosa na década de oitenta.

Ao chegar ao cinema eu estava literalmente embalada para entrar naquela sala de projeções e deixar-me na atmosférica nostálgica regada por um trilha sonora que já dava pista no trilher.

TRON: The Legacy – TRON: O Legado” (2010) dirigido por Joseph Kosinsk é um sopro de nostalgia sobre algumas gerações criadas à sombra deixada pelo filme original “TRON” de 1982, cujo o cerne conceitual estava muito à frente de deu tempo quase três décadas atrás.

É impossível não ter comparação com o filme de oitenta. Mas falo isso no bom sentido. As luzes, as roubas emblemáticas, a trilha que simplesmente transcende o que foi os anos oitenta, a tênue linha limítrofe entre a virtualidade e o real, e claro Jeff Bridges. Rever Jeff tão novinho, mesmo que totalmente feito por computadores foi incrível.

TRON: O legado, passa exatamente 20 ano depois do sumiço misterioso de Kevin Flynn, o gênio da computação criador do jogo TRON que dá nome a saga de 82. Seu filho Sam (Garrett Heldlund sem carisma algum), cresce detendo a mesma genialidade do pai, porém regada a boas doses de improbabilidade administrativa, nunca tendo interesse em tocar a empresa deixada à ele pelo progenitor.

Depois que Allan, Fiel escudeiro e amigo de Flynn pai, procura Sam para novamente frisar que acredita que seu pai não morreu e lhe entregar a chave do famigerado fliperama que Kevin possuía; a trilha de pães de João e Maria levam Flynn filho direto para a GRID e o mundo virtual inteiramente criado por seu pai e no qual este ficara prisioneiro todo este tempo.

Desse ponto em questão, iniciamos uma viagem visual belíssima, muito bem dirigida, com uma direção de arte fantástica e estupidamente bem pensada, não negando em nada a origem de toda essa história nos idos anos oitenta. Pelo contrário , credito a Kosinsk a ótima jogada de simplesmente pegar o que fora feito em 1982 e melhorar no que tange a computação gráfica e brindar aos espectadores com cenas bacanérrimas de ação, como a corrida de motos de luz, ou as lutas com discos. Ual!

Os fãs de TRON não ficaram desapontados, mas ainda sim a saga original é superior a esta continuação. A Trilha de Daft Punk nos leva à um túnel sensorial atemporal incrível. Jeff Bridges é preciso. Sua aparição como Kevin sênior , cansado, conformado em partes com seu destino é madura.

O decorrer da história, a tentativa de Sam de voltar ao mundo real trazendo seu pai, e a forma como eles precisam agir para isso acontecer é o que move todo o restante da película. Não esquecendo claro, do personagem dinâmico à tira colo , a bela Olivia Wilde.

O Universo de TRON sempre foi uma história instigante, como se fosse uma mensagem do futuro para a geração pós verve psicodélica de 1970. As questões tecnológicas abordadas que pareciam impossíveis em 1982 hoje são realidades e usuais no dia a dia.

TRON: O legado é uma boa experiência sensorial, muito alinhada com as viagens propiciadas por alguns gamers. Você não percebe os 127 minutos de projeção voarem. Sem contar que o filme bebe MUITO em outra história Cult – STAR WARS – para amarrar algumas cenas.O final naquela ponte suspensa, entre criador e criatura foi muito Star wars. Somando à isso a roupa de Obbi Wan que Kevin Flynn usa.

Aos que puderem assistir o filme de 1982 antes de embarcarem nessa viagem oitentista, fica a dica. Aos que não, fica a certeza de que o filme agrada várias faixas etárias e grupos de amigos. E aos mais entoados no discutir questões filosóficas, boas dose de cafés da madrugada e discussões infinitas. Na verdade, eu queria mesmo era uma moto daquelas. Rs…

The Social Time – David Fincher acerta mais uma vez!

Em cartaz

por Caroline Araújo

Quando assisti “Fight Club”(1999) pela primeira vez, sai da sala do cinema extasiada. Primeiro por ser um roteiro ousado, forte, coeso e inquietante. Segundo por contar com Brad Pitt extremamente excitante no papel de Tyler Durden e na moral existe alguém mais que poderia personificar esse super ego sexy e  psicótico¿¿ E terceiro porque David Fincher havia conquistado definitivamente meu coração (em “Seven”(1995) eu já havia dado uma parte pequena à ele), com uma direção precisa, ágil, magnífica, David entrava no hall dos grandes diretores dessa geração. Sim! David simplesmente havia pego uma história esquizofrênica e feito um puta filme! E com isso, de certa forma, Fincher colocou uma boa dose de combustível criativo para Hollywood continuar queimando massa cinzenta em busca de boas estórias. Boas estórias que o próprio Fincher presenteia o público como o viciante “Panic Room”(2002) e com sua obra máxima (até mês passado) “The Curious Case Of Benjamin Button”(2008).

Agora, dois anos após seu filme mais emblemático, David consegue burlar toda a selvageria hollywoodiana que busca desesperadamente faturamento garantido com continuações infindáveis e adaptações ilógicas; em uma história atual e relevante cuja, a realidade dos fatos expostos entrelaça com a vida citadina de milhões de pessoas ao redor do mundo de uma forma inteligente, dramática, divertida e sem nenhum clichê piegas.

“The Social network – A rede Social” (2010) é um recorte, digamos, do sonho “ americano” e mundial de fama, dinheiro e a eterna necessidade de saber o que se passa na vida alheia. David Fincher precisou apenas olhar para a internet para se inspirar. E logicamente, o roteiro extremamente bem feito de Aaron Sorkin foi determinante para que a história sobre o surgimento da maior rede social – FACEBOOK – não fosse apenas mais um filminho sobre nerds da computação a ganhar as estantes de vídeo locadoras à fora.

“The Social Network” é denso. E essa densidade visceral deve-se em primeiro momento ao roteiro de Sorkin, depois à direção de Fincher e em terceira instância ao elenco escolhido à dedo e extremamente focado no projeto proposto. Jess Eisenberg e Andrew Garfield (“Doctor Parnarssus”) estão fantásticos!! Eisenberg consegue personificar perfeitamente um jovem gênio extremamente arrogante por sua inteligência o que muitas vezes transpassa não possuir nenhum sentimento quente pelas pessoas a não ser a sua árdua tarefa de demonstrar que dificilmente alguém será mais inteligente que ele no que ele se propõe à fazer. Jess dá vida à Mark Zuckerberg de uma forma despretensiosa, insolente e simbiôntica. Já Andrew equilibra a frieza aparente de Mark com uma doçura sutil, com a simplicidade de gostar daquele cara esquisito que tem como melhor amigo e com a lealdade latente de um homem de verdade na pele de Eduardo Saverin.

Fechando o trio central encontra-se Justin Timberlake interpretando Sean Paker outro super gênio da informática que deu trabalho com seu Napster, mostra que é um bom ator e a sua entrada tardia na trama é o ponto de equilíbrio etambém o ponto de mudança de nossos heróis modernos de Harvard

Imaginar que um dos maiores empreendimentos virtuais da atualidade nasceu de uma noite de bebedeira regada à dor de cotovelo em um dormitório de Harvard e que o seu crescimento enquanto negócio, confunde-se com o próprio crescimento individual dos meninos gênios; pois não trata-se mais de um blog de fofocas, trata-se de um negócio lucrativo e viciante e que o mundo inteiro quer estar conectado, é imaginar que o acaso é tão inexorável quanto o destino.

E o publico quer ver isso, porque é a interferência desse público comprando a idéia de Saverin e Zuckerberg que fez com que o FACEBOOK tornasse o que é hoje. E sem defender lado algum, sem apontar moçinhos os bandidos, temos os personagens, os fatos e os desdobramentos e este público é quem levará para casa seu julgamento do que acredita ser real ou não sobre o que se conta na tela. Essa é outra riqueza do filme de Fincher. A não defesa de ninguém. E a possibilidade de todos serem os juízes dessa questão.

2010 foi brindado com vários filmes bons, alguns já cheguei de apontar como pretensos ao próximo Oscar e acredito piamente que “The Social NetWork” vai estar entre os indicados de melhor filme, direção, roteiro, melhor ator, melhor ator coadjuvante e montagem.

 É finalmente Fincher terá o reconhecimento que merece. Fecha aspas.