The Social Time – David Fincher acerta mais uma vez!


Em cartaz

por Caroline Araújo

Quando assisti “Fight Club”(1999) pela primeira vez, sai da sala do cinema extasiada. Primeiro por ser um roteiro ousado, forte, coeso e inquietante. Segundo por contar com Brad Pitt extremamente excitante no papel de Tyler Durden e na moral existe alguém mais que poderia personificar esse super ego sexy e  psicótico¿¿ E terceiro porque David Fincher havia conquistado definitivamente meu coração (em “Seven”(1995) eu já havia dado uma parte pequena à ele), com uma direção precisa, ágil, magnífica, David entrava no hall dos grandes diretores dessa geração. Sim! David simplesmente havia pego uma história esquizofrênica e feito um puta filme! E com isso, de certa forma, Fincher colocou uma boa dose de combustível criativo para Hollywood continuar queimando massa cinzenta em busca de boas estórias. Boas estórias que o próprio Fincher presenteia o público como o viciante “Panic Room”(2002) e com sua obra máxima (até mês passado) “The Curious Case Of Benjamin Button”(2008).

Agora, dois anos após seu filme mais emblemático, David consegue burlar toda a selvageria hollywoodiana que busca desesperadamente faturamento garantido com continuações infindáveis e adaptações ilógicas; em uma história atual e relevante cuja, a realidade dos fatos expostos entrelaça com a vida citadina de milhões de pessoas ao redor do mundo de uma forma inteligente, dramática, divertida e sem nenhum clichê piegas.

“The Social network – A rede Social” (2010) é um recorte, digamos, do sonho “ americano” e mundial de fama, dinheiro e a eterna necessidade de saber o que se passa na vida alheia. David Fincher precisou apenas olhar para a internet para se inspirar. E logicamente, o roteiro extremamente bem feito de Aaron Sorkin foi determinante para que a história sobre o surgimento da maior rede social – FACEBOOK – não fosse apenas mais um filminho sobre nerds da computação a ganhar as estantes de vídeo locadoras à fora.

“The Social Network” é denso. E essa densidade visceral deve-se em primeiro momento ao roteiro de Sorkin, depois à direção de Fincher e em terceira instância ao elenco escolhido à dedo e extremamente focado no projeto proposto. Jess Eisenberg e Andrew Garfield (“Doctor Parnarssus”) estão fantásticos!! Eisenberg consegue personificar perfeitamente um jovem gênio extremamente arrogante por sua inteligência o que muitas vezes transpassa não possuir nenhum sentimento quente pelas pessoas a não ser a sua árdua tarefa de demonstrar que dificilmente alguém será mais inteligente que ele no que ele se propõe à fazer. Jess dá vida à Mark Zuckerberg de uma forma despretensiosa, insolente e simbiôntica. Já Andrew equilibra a frieza aparente de Mark com uma doçura sutil, com a simplicidade de gostar daquele cara esquisito que tem como melhor amigo e com a lealdade latente de um homem de verdade na pele de Eduardo Saverin.

Fechando o trio central encontra-se Justin Timberlake interpretando Sean Paker outro super gênio da informática que deu trabalho com seu Napster, mostra que é um bom ator e a sua entrada tardia na trama é o ponto de equilíbrio etambém o ponto de mudança de nossos heróis modernos de Harvard

Imaginar que um dos maiores empreendimentos virtuais da atualidade nasceu de uma noite de bebedeira regada à dor de cotovelo em um dormitório de Harvard e que o seu crescimento enquanto negócio, confunde-se com o próprio crescimento individual dos meninos gênios; pois não trata-se mais de um blog de fofocas, trata-se de um negócio lucrativo e viciante e que o mundo inteiro quer estar conectado, é imaginar que o acaso é tão inexorável quanto o destino.

E o publico quer ver isso, porque é a interferência desse público comprando a idéia de Saverin e Zuckerberg que fez com que o FACEBOOK tornasse o que é hoje. E sem defender lado algum, sem apontar moçinhos os bandidos, temos os personagens, os fatos e os desdobramentos e este público é quem levará para casa seu julgamento do que acredita ser real ou não sobre o que se conta na tela. Essa é outra riqueza do filme de Fincher. A não defesa de ninguém. E a possibilidade de todos serem os juízes dessa questão.

2010 foi brindado com vários filmes bons, alguns já cheguei de apontar como pretensos ao próximo Oscar e acredito piamente que “The Social NetWork” vai estar entre os indicados de melhor filme, direção, roteiro, melhor ator, melhor ator coadjuvante e montagem.

 É finalmente Fincher terá o reconhecimento que merece. Fecha aspas.

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