O Canto do Cisne


Grandes Estréias de 2011

por Caroline Araújo

A transformação de menina em mulher para muitas garotas é algo natural. Para outras, algo indiscutivelmente doloroso que as empurra ao desconhecido fazendo com que saiam da zona de conforto que comumente estão familiarizadas.  Na maioria das vezes meninas são como “ cisnes”  tímidos, que por serem demasiadamente belas e diferentes das demais que as cercam, sentem-se desconexas e precisam serem perfeitas para serem aceitas.

De uma forma primorosa, visceral e altamente sufocante o diretor estadunidense Darren Aronofsky ( “PI”, “Requiem for a Dream”e “ The Wrestler”) utiliza-se da mitologia do cisne para contara história sobre até que ponto essa ruptura da puberdade para a vida adulta nas mulheres, pode de certa maneira levar a psicose obssessiva e à doentia busca pela perfeição.

“BLACK SWAN – Cisne Negro” (2010) seu mais recente trabalho é um suspense extremamente humano, atual e verossímil. Aronofsky colocou suas lentes nos bastidores do ballet de New York, onde a vida de milhares de bailarinas é conseguir ser a expressão máxima da perfeita representação do primor. A pressão doentia de treinos, busca por reconhecimento, papéis de destaque nas peças de temporadas, a tão sonhada valorização de tanta dedicação, e também, as frustrações são pano de fundo na história de Nina Sayers (Natalie Portman) jovem bailaria dedicada que ganha o papel principal de Rainha Cisne, substituidno a veterana bailaria Beth ( Winona Ryder) ao mesmo tempo em que atravessa o calvário de sua própria transformação pessoal.

A Nina de Natalie é doce e frágil. Sofrida. Seu mundo rosa, cheio de pelúcias, plumas e parcas nuances cinzas é treinar e treinar até a exaustão. Nina mora com uma mãe (Barbara Hershey), que controla todos seus movimentos, controla seu corpo e suas vontades. Nina é a boneca que vive as projeções do que a própria mãe gostaria de ter sido. Tudo caminha na normalidade até que A Nina sem personalidade, ganha a possibilidade de se conhecer e de ser alguém além da garotinha da mamãe quando o diretor da companhia Thomaz interpretado de forma precisa pelo bom Vincent Cassel a escolhe para o papel principal da próxima temporada de espetáculos de “O lago dos Cines”.

Thomaz sabe que Nina é a bailarina que ele precisa. No entanto, a insegurança exacerbada da mesma em deixar de ser tão controlada em seus movimentos ( a insegurança de deixar de ser menina e ganhar o mundo) coloca em cheque mate a sua posição de protagonista da peça. Com isso, uma nova bailarina Lily (Mila Kunis) leve, audaciosa e libidinosa ganha espaço e atenção do diretor da companhia e coloca mais lenha na fogueira da esquizofrenia controladora de Nina.

BLACK SWAN é um filme simples, inteligentíssimo e sensível. A metáfora da transformação da menina em mulher, do patinho feio em cisne está presente na direção de arte genial de David Stein que mostra o tempo todo a dualidade de bem e mau, com as divisões bem claras de branco e preto, nas cenografias e nos figurinos. Nina sempre usa branco salpicado de rosa, enquanto Lily abusa do preto e cinta liga. Apenas quando Nina veste uma blusa de Lily é que ela começa a permitir que a mulher trancafiada em seu corpo mingon comece a se mostrar.

Matthew Linbatique coloca uma câmera sempre perto de Nina. Sua lente intrusiva e sempre à  mão salpicada de verde, em alguns momentos retrata a própria instabilidade que a protagonista atravessa. O roteiro de Mark Heyman, Andres Heinz e John McLaughlin é intenso e o mais bonito é que, mostra que no fundo a menina doce e perfeita, na verdade não é tão perfeita assim. Ela é apenas humana. A banda sonora do filme com a utilização de alguns feitos enriqueceu as cenas de dança de forma colossal. Principalmente nas que Nina finalmente deixa-se ser livre.

Natalie Portman está magistralmente impecável em sua atuação. A docilidade de seu olhar, sua ingenuidade, seu sofrimento e loucura, as diversas facetas que consegue colocar em Nina são extraordinárias. Não se duvida de seu sofrimento. Não se duvida de sua insegurança e o quão doloroso para ela é fazer algo que não esteja indiscutivelmente dentro de sua rotina enfadonha.

A sincronia entre a direção de Aronofsky e a interpretação de Natalie é absurda. Absolutamente. Aronofsky é um diretor de atores sem precedentes. Ellen Burstyn e Mickey Rourke que o digam, com suas premiações e indicações como Melhor Atriz e Melhor Ator em  “ Requiem for a dream” e “The Wrestler” respectivamente. E Natalie pode reafirmar. Ela já foi indicada para o Globo de Ouro de 2011  e para o SAG Awards 2011 de Melhor Atriz dramática.

Acrescento ainda que o filme de Darren deva colher prêmios e indicações de Melhor filme,direção, roteiro, montagem, ator coadjuvante (Cassel) e atriz coadjuvante(Hershey).

 Nós público agradecemos. No Brasil a previsão de estréia esta agendada para 04 de fevereiro de 2011.

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