Tudo certo.


Temporada Oscar 2011

Opinião

Por Caroline Araújo

Fala-se muito sobre a hegemonia do cinema norte-americano nas salas nacionais sempre abarrotadas com blockbusters Yankes, que deixamos escapar por entre os dedos os bons filmes independentes  feitos naquele país. Exatamente por isso, que quando nos deparamos com pérolas deliciosamente brilhantes, devemos divulgá-la.

É isso que acontece em “The Kids all Right – Minhas mães e Meu Pai” (2010) da diretora estadunidense  Lisa Cholodenko conhecida pela direção das séries televisivas “Six Feet Under” e “ The L Worl”.

“The Kids all Right” é atual, sensível, humano, real. As mudanças na composição de padrões familiares que temos na sociedade atual são posta na tela de uma forma tão natural e serena, sem a busca pelo choque social. Talvez isso seja o mai chocante, positivamente falando.

Nic (Annetet Benning) e Jules (Julianne Moore) são um casal gay, bem sucedido enquanto familia e estruturado socialmente. Elas possuem um casal de filhos Joni (Mia Wasikowska definitivamente deixando para trás a insossa interpretação que fez em ALICE) e Laser (Josh Hutcherson) que foram gerados por elas e um desconhecido doador de espermas.

Tudo corria bem até que Joni e Laser decidem fazer contato com o tal doador e conhecer seu pai biológico. Então temos acrescentando a trama Paul  interpretado por Mark Ruffalo em um papel sob medida; que ao mesmo tempo em que nunca havia até então pensado na constituição de raízes e família, ganha uma completa em um passe de mágica.

A introdução de Paul nessa família, coloca um filtro multifacetado sob os personagens criando um arco dramático intenso e inteligente. Os medos, as inseguranças, as mudanças, o dia a dia, todas as situações habitualmente vivenciadas por qualquer família estão aqui.

Juliane Moore na pele de Jules confere um frescor rebelde a sua arquiteta\ paisagista sendo o contraponto de sua esposa Nic magistralmente interpretada por Annette Benning.

Benning esta sublime na pela da médica perfeccionista que representa o chefe dessa família moderna. Ao mesmo tempo em que temos a dureza, Annette nos brinda com uma fragilidade meiga de Nic que estava até então escondida. Sua interpretação é uma valsa, suave e bem marcada com uma docilidade espantosa.

Um roteiro excelente, bem construído e  principalmente bem dirigido. Lisa consegue extrair de seus atores interpretações que não são interpretações, elas são os seus vizinhos por assim dizer. Sem levantar bandeira alguma, Cholodenko mostra que, as diferenças só são tabus se você for um tabu para você mesmo.

“The Kids All Right” deu a Benning o Globo de Ouro de melhor atriz comédia\ musical e venceu na categoria de melhor Filme Comédia\ Musical.

Recebeu quatro indicações ao Oscar 2011, Melhor Filme, Melhor Atriz para Annette Benning, Melhor Ator coadjuvante para Mark Ruffalo e Melhor Roteiro original para Cholodenko.

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