Quem merece e quem leva o Oscar 2011

Apostas e palpites

Depois de uma corrida disciplinada para assistir todos os concorrentes nas diversas categorias ao maior prêmio da industria cinematográfica mundial, chegamos ao ponto de analisar os indicados, fazer nossas apostas e torcer pelos preferidos. Quem acompanha Padawanonline sabe que em todas as resenhas criticas aqui expostas anteriormente, já havia feito além dos chutes dos quais seriam indicados, os apontamentos de alguns prováveis vencedores. Então decidi compilar tudo em um grande artigo e pontuar porque acredito nos seguintes indicados para irem para casa com o careca dourado. Mas antes vamos há algumas considerações importantes para o entendimento das apostas.

Baseado em fatos reais

Absolutamente o Oscar 2011 tem uma particularidade interessante. Nunca em todas as outras 82 edições houve tantos filmes indicados que fossem inspirados em histórias reais.  Um Jovem gênio dos computadores extremamente geek, um engenheiro aventureiro de escaladas, um rei gago, um ex-boxeador que soergue sua carreira e ajuda o irmão a tornar-se um vencedor. Seria o grande palco da ilusão sofrendo a dialética de trabalhar o real com retoques ficcionais¿ Tudo é verdade¿ câmera documental ganha exponencial seguidores e admiradores fazendo com que filmes baseados ou não em fatos reais, trabalhassem a verossimilhança visual para chegarem mais próximo ao público. E qual é o resultado final¿ Excelentes filme, ora pois!

Canção Original:

Randy Newman  por Toy Story 3 tem sua 18º Indicação à melhor canção. Já levou para casa em 2002: Venceu – Canção Original – “If I Didn’t Have You” – Monsters, Inc., todos os Toy story foram indicados nessa categoria mas nunca venceram e o premio seria a coroação do filme que fecha a trilogia con chave de ouro, com uma sensibilidade ímpar para com toda uma geração de fãns.

Alan Menker por Enrrolados com “ I See the Light”, dos compositores é o que possui mais oscar’s em casa, venceu pela pequena sereia, a bela e a fera, pocarontas e aladin! É o grande favorito.

Tom Douglas com Comming Home por “Country Strong” – é o mais fraco dos indicados embora seja um dos maiores escritores de Country Music dos Estados Unidos

A.R. Rahman compositor  e cantor Indiano por “If I Rise” de “ 127 Hours”  já foi indicado por Slumdog Milionaire e venceu em 2009 as categorias de melhor trilha sonora e melhor canção. É um forte favorito pois suas composições são simbiontes com a montagem de Jon harris e isso é que fortalece toda a história de “127 hours”

Quem merece ganhar: A. R. Rahman.

Quem provavelmente levará para casa: Randy Newman como se fosse por todo o fantástico trabalho que executou com os filmes Toy Story.

Roteiro Original:

Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg  por “The Kids all Right” imprimi toda a força  pela qual Lisa que ficou conhecida pela série de L World neste filme, é sua primeira indicação.

Christopher Nolan por Inception – é sua segunda indicação nessa categoria, a primeira foi em 2000 por “Memento”. Para grandes críticos é um dos mais viscerias roteiros já escritos e absolutamente o grande merecedor da noite.

David Seidler é o grande opositor de Nolan nesta categoria. Roteirista Britanico – americando de 74 anos que luta contra um cancer desde 2000, já trabalhou com Francis Ford Copolla na década de 80 e volta aos holofotes com o roteiro de  “The King’s Speech”. Ganhou o BAFTA neste ano e na mesa de apostas esta bem cotato. É um belo trabalho garboso, mas sem a genialidade Nolan.

Mike Leigh  por “ Another Year” esta novamente na lista dos indicados de melhor roteiro original. Este Britânico de 68 anos acumula 7 indicações de oscar em sua carreira. Essa é mais uma, e seria uma ótima opção de premiação para coroar todo o trabalho de sua vida. Isso se não tivesse Nolan e Seidler em seu caminho.

Paul Tamasy,Eric Johnson,Keith Dorrington concorrem por The Fighter,  primeira indicação e o elo fraco dos candidatos.

Quem merece ganhar: Christopher Nolan

Quem Provavelmente levará para casa:  Chistopher Nolan porue não foi indicado à Melhor direção e este seria um prêmio consolo.

Roteiro Original:

Danny Boyle e Simon Beaufoy por “127Hours” – è a primeira indicação de Boyle nessa categoria e a segunda de Beaufoy que vencera anteriormente por “ Slumdog Milionaire”. A dupla conseguiu transformar a história de um cara preso pelo braço numa fenda de Canyoland por 5 dias em algo além da própria luta de sobrevivência, transformaram em várias criticas sociais muito bem embasadas.

Aaron Sorkin por “The Social Network” – primeira indicação de Aaron que já havia chamado a atenção em sua primeira incursão nos roteiros com “A few Good Men”. Sem a precisão do trabalho que executa e a forma como propicia o desenrolar da história Fincher não faria o filme que fez. É um dos pilares centrais de  “The Social Network” e de quebra o grande favorito nesta categoria.

Michael Arndt por “Toy Story 3” –  sua segunda indicação, a primeira foi por “ Littler Miss Sunshine” em 2007 no qual ganhou o prêmio. A forma como conduz as ações em Toy Story 3 foi fantástica, pois sem um bom roteiro para um filme de animação, tudo se perderia. Ele soube ir na essência. É a pedra no sapato de Sorkin.

Ethan e Joel Coen por “ True Grit” – Eles são os queridinhos totais da Academia de Cinema americana. Já levaram para casa o careca dourado em 1996 por “ FARGO” e em 2007 por “ No Country For Old Men”. Fazem uma bela releitura, são a verdadeira dupla dinâmica, mas não levam.

Debra Granik por “ Winter’s Bone” – primeira indicação, forte trabalho. Preciso. O roteiro de Debra nos leva aos confins do Missouri onde Ree Dolly defende a dignidade que ainda lhe resta. Indigesto. Porém preciso. Estar concorrendo já vale muito.

Quem merece ganhar: Aaron Sorkin

Quem provavelmente leva para casa: Aaron Sorkin e sem pestanejar.

Efeitos Visuais:

Vamos direto. Peter Bebb, Chris Corbould,Paul Franklin e Andrew Lockley por “Inception”. Eles colocaram qualquer um dos outros concorrentes no chinelo. Por isso MERECEM GANHAR. Só não levam caso  os membros da academia tenham batido as cabeças na pia e escolherem qualquer outro concorrente.

Mixagem de Som:

Na minha singela opinião outra barbada. Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick por “Inception”. Mesma equipe de “ Dark Knight” e mostra que disso eles entendem magistralmente. 30% desse filme se deve ao Som. Não aposto em nenhum outro.

Edição de Som:

Richard King por “ Inception” e fecha a régua. Porque essa aposta. Exatamente pelo que disse acima. EQUIPE. Não dá para premiar a mixagem e a edição ser de outro.

Melhor Maquiagem:

“The Wolfman”-  se “ Alice” de Tim Burton estivesse concorrendo apostava nela, como não esta vou em “The Wolfman” que tem um trabalho bem bacana e é uma das coisas que chama a tenção verdadeiramente neste filme.

Trilha Sonora Original:

Aqui temos um duelo de Titãs. Todos já tiveram indicações, alguns já faturam, o fato é que as trilhas são fundamentais aos produtos fílmicos finais.

Quem merece ganhar: Hans Zimmer por “Inception” já perdi a conta de quantas indicações esse mago da musica já teve.

Quem Provavelmente leva para casa: Trent Reznor e Atticus Ross  por “ The Social network” tecnicamente impecável.

Montagem:

Quem merece ganhar: Jon Harris por “127 hours”. Já havia dito isso anteriormente

Quem Provavelmente leva para casa: Tariq Anwar por  “ The King’s Speech”. É sua segunda indicação e o trabalho dele trás elegância ao filme de Hooper.

Ator Coadjuvante:

Quem merece e quem provavlemnte leva para casa: CHRISTIAN BALE. sem comentários

Atriz Coadjuvante:

Quem merece e quem leva para casa é: MELISSA LEO. segunda indicação e papéis de mães loucas sempre levam o careca dourado. 

 Melhor Ator:

Quem merece: Colin Firth

Quem provavelmente leva para casa: Colin Firth, já ganhou todos os prêmios e Christian Bale não concorre, porque senão….

 

 Melhor Atriz:

Quem merece e quem leva: Natalie Portman. Tirando Nicole Kidman que não sei porque esta concorrendo as outras performaces femininas são belos trabalhos, mas nenhum equipara ao de Portman.

Melhor Diretor:

quem merece e quem leva é David Fincher. Um dos mais precisos diretores da nova safra, concorreu por O Curioso Caso de Benjamim Button e não levou. Essa é sua vez. Ele conseguiu transformar uma história de nerds em um filme tecnicamente perfeito, além de cativante ao publico.

Melhor Filme:

Quem merece: Inception, Black Swan ou The Social Network.

Quem provavelmente leva para casa: The Social Network. Com certeza é a melhor produção. O único problema é se quisererm coroa aquele filme do rei….

Resta agora conferir se algum palpite acima, eu acerto. Preparando a pipoca e esperando a cerimônia. Tchau.

Mais uma Vez Boston por Ben Affleck.

Temporada Oscar 2011

Opnião

por Caroline Araújo

Será que Ben Affleck daqui há algum tempo será lembrado como um diretor de atores¿ Bem, essa pode ser uma boa reputação na sua incursão pela profissão de diretor cinematográfico. Contudo, ele precisa de um pouco mais de tarimba artística para se firmar na coisa com categoria. Algo que o tempo irá trazer para este Realizador\ ator que soube como ninguém abraçar o bote salva-vidas que flutuava a sua frente e soerguer sua carreira que estava fadada a filminhos inexpressivos e papéis patéticos.

“The Town – Atração Perigosa” ( 2010) que estreou no inicio do ano nos cinemas tupiniquins é a segunda película que leva a assinatura de Sr. Affleck na direção  e é bom no ponto de vista técnico, mesmo tendo a trama inteira permeada dos clichês mais clichês possíveis já visto no mundo cinematográfico.

The Town” nos mostra a história de Doug MacRay (Ben Affleck) e seu bando de destemidos e eficazes amigos ladrões de bancos. São impecáveis. Não deixam pistas, rápidos e precisos. Boa mira. Num dos muitos assaltos a um banco no bairro de Charlestown ( Mais uma vez Boston sob as lentes de Affleck) James Coughlin (Frenético Jeremy Renner) – um dos compinchas de Doug  e seu melhor amigo– decide seqüestrar Claire Keesey (Rebecca Hall) – uma das gerentes do banco – como forma de vantagem estratégica caso viessem a deparar-se com a polícia.

 Nossos anti – heróis escapam e libertam Claire, entretanto, mais tarde vêm a descobrir, que a “moçoila” mora a dois palmos de distância do bairro onde eles se albergam e, como tal, poderá constituir um risco para o anonimato do bando. Doug coloca-se então de “espiar”  Claire,  apenas para assegurar que ela não ficou com alguma idéia da identidade dos seus seqüestradores. Ai vamos ao Clichê óbvio. Doug apaixona-se por  Claire e tudo vira um novelo de gato. Doug começa a ver-se pressionado de ambos os lados: James fica cada vez mais nervoso e quer rapar o pé a Claire; e do outro lado, Adam Frawley (Jon Hamm) agente do FBI que esta na cola do seu rastro perfumado de butuca para atacar.

Vamos por parte. Temos uma boa abertura inicial. Apenas aquela coisa documental falando sobre a bandidagem de Charlestown que é passada de pai para filho que incomoda pacas e acaba por gerar um certo didatismo desnecessário. As seqüências de ação são boas. Nada mirabolante e nenhuma super sacada seja de composição de planos ou na montagem, ela é convencional no que tange filmes de ação e mesmo assim é bem feita.

Já vimos um zilhão de filmes sobre assalto à bancos onde os bandidos se fantasiam.                    “ Caçadores de emoção” é um dos melhores exemplos. Então aqui, Affleck deveria ter ido além. O arco dramático que ele tinha em mãos, a relação da criminalidade passada de pai para filho, ficou superficial e um pouco forçada. Poderia ter sido esmiuçada com mais destreza. Temos a participação de Chris Cooper como pai presidiário de Doug que podia ter ido além.

O filme inteiro fica nos ombros de Affleck, Hamm, Renner e Hall, invertendo ações e isso de certa forma tira um pouco do desconforto da previsão das coisas pois são ótimas atuações.

Hall esta sempre firme e competente assim como Hamm que nos faz esquecer seu mais famoso personagem Don Drapper da série da HBO Mad Man. O próprio Affleck esta bem na atuação, mas é Jeremy Renner quem patrola todos de forma descomunal.

Assistindo ao filme lembrei de Al Pacino e Robert DeNiro que no inicio de suas carreiras interpretavam personagens explosivos nos filmes de ação\ policial das décadas de 60 e 70. Jeremy é igual à eles. Baixinho, não é bonito, mas é inspiradamente um excelente ator que consegue personificar exatamente os mesmos estereótipos que Pacino e DeNiro deram vida. Homens durões, sem ética, gângster, violentos e sempre ligados à família.

Esse é o grande trunfo de The town” e uma grata surpresa aos espectadores. Se continuar nesse ritmo Bem Affleck pode se consolidar nessa carreira. Tanto “ Gona Baby gone”(2007) quando “ The Twon” são reflexos do olhar aguçado que Ben possui em mostrar a própria cidade onde cresceu – BOSTON.

Palatável para o grande público, um pouco quadrado para os mais refinados, porém um filme bacana para assistir de galera. Jeremy Renner tem sua segunda indicação ao Oscar pelo papel de James. Ele concorre no domingo agora na categoria Melhor Ator Coadjuvante. É uma fantástica atuação, porém ele tem o Batam real – Christian Bale – na linha de frente. Por céus Gothan!

Ps: Blake Lively nas poucas cenas que aparece está muito bem e mostra-se uma promissora atriz.

5 Dias de Agonia= 127 horas

Temporada Oscar 2011

por Caroline Araújo

Desesperador e claustrofóbico. Quem já leu o livro Between a Rock and a Hard Place, ou quem já viu o documentário na TV paga sobre a história de Aron Ralston sabe como o filme termina.

Temos um rapaz – Aron Ralston –  apaixonado por aventuras radicais que despenca por uma fenda em Canyonland, na imensidão do deserto do Parque Nacional de  Utah, e tem seu braço direito preso por uma “pedrona”. Sem comida, sem celular,mas, com uma filmadora e uma máquina fotográfica à tira colo. Absolutamente sozinho, e sem a mínima possibilidade de ser encontrado caso alguém dê por falta de sua pessoa, já que Aron fez questão de viajar sem contar para ninguém onde iria. Temos uma luta imóvel, solitária e desesperada pela sobrevivência. Temos a certeza da mortalidade, fato. Temos 5 dias – 127horas de pura agonia.

 

“127 hours – 127 horas” (2010) do oscarizado diretor britânico Danny Boyle (Slumdog Milionaire) é um beliscão, ou um tapa no espectador confortavelmente sentado em sua poltrona. O filme é baseado no livro de Ralston, é uma história real e é uma clausura se pararmos para pensar que a história transcorre numa maldita fenda de um canyon.

 

Acontece que Danny E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R-M-E-N-T-E coloca uma sonda diretamente em nossas memórias afetivas inundando o filme com os delírios e um balé visual de mensagens subliminares euforicamente montadas em seqüências gasosas que potencializam a angustia de contar os milésimos de segundo em meio ao silencio sulfúrico do deserto em questão.

Aron é um bom rapaz. Isso fica claro desde o começo. Descolado, prestativo, bonito, faz amizade fácil e rapidamente nos joga em seu universo pessoal de aventura. No inicio de sua super jornada encontra duas moças perdidas e as leva para um mergulho fantástico em uma galeria de águas cristalinas. Eis um dos planos mais belos da película. A imensidão azul turquesa desse lago escondido é algo belíssimo.

Exatamente por ser tão cool é que acontece o que aconteceu. A potencialização disso na semiótica de Boyle se dá com os “Max –planos” que ele desde o inicio, como os takes da torneira pingando, o mega close no canivete suíço que ele esquece no apartamento, a secretária eletrônica recebendo o recado deixado pela irmã entre outras sacadinhas ensaísta que o diretor nos dá preparando o caminho para o que virá depois.

Anthony Dod Mantle e Enrique Chediak. Gravem esses nomes. Anthony foi responsábel pela Fotografia de Slumdog Milionaire e Chediak é um Fotografo Equatoriano responsável pela direção de fotografia do filme brasileiro “Besouro”. Eles criaram fotografias incríveis. A saturação do azul em meio ao terracota das fendas e recorte do deserto de Utah são poesia! O plano do gavião que passa todos os dias ao mesmo horário num vôo solitário pelo azul cobalto claro é lindo!

Some à isso a Montagem perfeita do ponto de vista métrico – narrativo, acelerando e diminuindo o ritmo que  Jon Harris executa em sintonia simbionte com a trilha composta por A. R. Rahman que é languinar, pulsante e precisa. Rahman é um mago na composição sonora, vai no cerne dos sentimentos e sensações que assolam Aron nesse castigo e eleva ao máximo a angustia corrosiva que abocanha cada hora mais de sofrimento.

 

Depois desses elementos juntos chame Franco, James Franco. É verdadeira sua atuação. É pujante o sofrer das constatações que ele passa ao publico no decorrer das nuances que ele dá a Aron com o passar das horas.

Franco esta maduro. Forte. Seguro. Sua atuação é soberba. Intensa. Ele consegue segurar todas as pontas e não arrefece e isso é muito complicado de se fazer em um filme onde a câmera não desgruda do nosso ator nem para fazer xixi. Absoluto. É emocionante de ver como ele se entregou de corpo e alma a este projeto.

“127 hours” é um filme que faz sim você parar para pensar em vários pontos de sua vida. Em o que se dá ou não importância. No imediatismo. Nas coisas efêmeras que nos deixamos envolver. Nada disso vai ajudar, quando no veio da solitude total, a única coisa que te faz companhia é a própria respiração que escuta.

Boyle fez um belo filme. Sem sombra de dúvidas. Bom roteiro e bons elementos técnicos em consonância. A crítica mundial tem dado excelentes scores e muito se fala sobre a fatídica cena da mutilação do braço. E eu digo. Não é fácil de assistir. Porque¿ Porque ela é REAL.

Não é uma cena inventada para ganhar público. Ela A – C – O – N – T – E – C – E – U! Aron foi até o fundo de seu próprio labirinto para conseguir coragem suficiente para fazer o que era preciso, e o fez. Doloridamente. Quem em sã consciência neste momento acredita que faria o mesmo¿ falar que faria, muitos dizem. Fazer. São outros quinhentos.

“127 hours” esta concorrendo à 5 Oscars dia 27 agora. Melhor Filme, Melhor ator para James Franco, Melhor Roteiro adaptado para Danny Boyle; Simon Beaufoy, Melhor Trilha Sonora para A. R. Rahman, Melhor canção Original para A. R. Rahman, Rollo Armstrong e Dido (ela é estupenda!) e Melhor montagem para Jon Harris. Acho que deveria ter tido a menção a Fotografia que é uma plástica sem igual.

 

Em fim, fica um dos filmes mais intensos e reais. Não ganha o premio de melhor filme deste ano. Mas vale muito estar entre os 10 melhores. Arrisco os palpites aos prêmios técnicos de trilha sonora, canção e montagem que realmente são muito superiores aos outros concorrentes. E Fica a dica de que assistam, sem medo.

Ps: A filmagens foram feitas exatamente na mesma fenda que Aron teve a queda. A cena do amputamento do braço foi rodada apenas 1 vez com VÁRIAS câmeras ao mesmo tempo de diferentes angulações e a bela cena do lago foi a licensa poética do diretor. Tudo bem, Boyle pode né?!

Amore, Sempre ele!!!

Temporada Oscar 2011

Opinião

por Caroline Araújo

A abertura inicial com a musica incidental e a boa montagem chega até a incitar que estamos diante de mais uma obra prima do outrora estupendo e inspirado cinema italiano de Fellini, pois, temos uma clara homenagem aos grandes mestres do cinema neo-realista italiano. Porém, com o caminhar da narrativa percebemos que essa “singela” homenagem nada, nada, mas morre na praia abruptamente.

Io Sono L’Amore Eu sou Amor” (2010) escrito e  dirigido pelo italiano  Luca Guadagno mais conhecido pelos documentários do que filmes ficcionais é uma bela tentativa de volta ao cerne do cinema clássico italino, entretanto, falta a furia e o charme tipicos da cinematografia desse país.

O filme tem uma premissa interessante onde uma família abastada de Milão, os Recchi, nomeia os seus sucessores para a empresa, dividindo-a entre o filho Tancredi  e o neto Edo. No meio da família encontra-se Emma, uma emigrante russa e mulher de Tancredi, que adoptou toda a cultura milanesa e se tornou o centro desta família. Emma irá no entanto apaixonar-se por um chef de cozinha e amigo de seu filho, que resultará numa mudança e destruição da sua própria família.

Emma é interpretada por Tilda Swinton, que obviamente se sobrepõe sobre os outros e consegue passar ao espectador a nulidade cultural que sofreu ao deixar suas raízes russas para virar um pseudo – italiana. Ela está muito bem e confortável.

Os demais atores carregam o arco dramático do filme até que razoávelmente bem, mas a indecisão confusa de Luca estraga algo que poderia ter sido realmente belo. O diretor tenta misturar várias técnicas e referencias de grande cineastas italianos numa mesma pelicula o que resulta em total falta de sentido de onde vem e para onde vai a história, sem contar que da metade para o fim do filme a beleza plástica dá lugar a uma sucessão de acontecimentos que em si estão mau amarrados e difíceis de crer.

 A direção de arte e figurino popotso, assim como a banda-sonora de John Adams está sublime,  como o momento em que Maria Callas entoa o verso que dá nome ao título. Infelizmente todo o filme que vemos nos primeiros tempos arrefece-se e a perde força e graça, ficando a premissa inicial à deriva deixando um questionamente  se o final não será um quanto rebuscado demais e, de certa forma, feito de forma apressada.

Outro ponto positivíssimo é a bela fotografia aliada a um figurino impecável. Antonella Cannarozzi é a figurinista responsável por este projeto e pelo seu trabalho foi indicada ao Oscar de melhor figurino. Mas acredito que não leva a estatueta para casa.

Fica a dica para um filme que pode agradar um programa entre amigos e gerar boas discussões sobre o depois. E Reparem na cara de buldog do ator Pippo Delbono que interpreta o marido de Emma. É até engraçada a inexpressividade.

O Verdadeiro Vencedor

 

Temporada Oscar 2011

Opinião

por Caroline Araújo

Praticamente ano sim, ano não, um filme sobre alguma superação humana por meio do esporte, mais precisamente o BOXE ganha espaço nas telas cinematográficas. “Touro Indomável”, “ Rock”, “ A million Dollar Baby”, entre outros títulos estão ai para reafirma esse encantamento pelas luvas.

 Antes de mais nada, uma correção precisa ser feita. O papel que Christian Bale desempenha no novo filme de David O. Russell é algo assim, atordoante do ponto de vista da entrega de um ator ao personagem que esta ali para dar vida. É I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L, gravem bem isso, que ele perca o Oscar de melhor ator coadjuvante dia 27 de fevereiro. IMPOSSÌVEL! Porém, contudo, entretanto, todavia, ele deveria ter sido indicado ao Oscar de Melhor ATOR, porque o “Fighter”, o “lutador” verdadeiro deste filme É ele. Absoluto. Frenético. Inquieto. Inspirado. Febril. Inexorável.

“The Fighter – O vencedor” (2010) dirigido pelo “esquentatinho” diretor americano David O. Russell nos joga novamente no universo de suor, sangue, ringue, vitórias e derrotas e da volta por cima com um final feliz.

“The Fighter” narra a história de Dick ( Christian Bale) um ex boxeador que tinha uma carreira promissora, mas entrou em decadência por conta do uso de crack; então ele  se realiza treinando o irmão mais jovem Micky  Ward ( Mark Wahlberg) e injeta nele tudo que ele poderia ter sido e não foi. Temos uma tênue tensão familiar que ganha mais labaredas porque Alice ( Melissa Leo) mãe de Dick e Micky é a empresária do filho, a que controla tudo e a que com Dick, o filho mais velho, decide as lutas e a forma como Micky  treina.

Acontece que essa sociedade familiar é um belo castelo de cartas roídas, pois Micky só perde, só se envergonha e não consegue desenvolver um bom trabalho uma vez que mãe e irmão não enxergam o que ele deseja verdadeiramente. Enxergam apenas que ele é uma boa mina de dinheiro ganhando ou perdendo e que isso esta bom, pois sustenta o vício de ambos.

Já vimos essa história. Obvio. Russel não inova em sua direção. Ele faz bem as escolhas de linhas narrativas, bom julgamento fotográfico, uma trilha sonora complementar à história, uma gama de atores versáteis, bons profissionais, inspirados e apaixonados pelos seus personagens e uma dupla de Produtores executivos de peso. 

Darren Aronofsky e Mark Wahlberg. Esse é um projeto de Mark que havia chamado Darren para dirigir, porém há época ele estava desenvolvendo seu filme anterior “ O lutador” e já estava com a pré – produção de “ Black Swan” engatilhada. Então, Mark levou o projeto para as mãos de David que soube conduzir para poder colher finalmente, bons frutos para sua carreira.

A história em si é sobre Micky “Irish” Ward, de Lowell um bairro de Boston. Porém, Micky não existe sem Dick, e Dick passa a ser o verdadeiro Vencedor dessa parada, uma vez que ele desnuda-se de todas as cagas que coleciona, que só o fizeram arruinar a brilhante carreira que poderia ter tido, e em fim humildemente reconhece ser uma erva daninha para o irmão e parte para a redenção de ajudá-lo a ser um campeão, o vencedor do titulo.

Wahlberg simplesmente é pulverizado pela atuação de Bale, Melissa e Amy Admas que interpreta Chalene sua namorada. Amy por sua vez deixa de lado a fragilidade estampada nos finos traços que possui e coloca voracidade e pimenta nos olhos de sua personagem de forma consciente e precisa. Melissa esta F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A como a mãe, brega e sem visão real dos fatos que a cercam. Ela já havia sido indicada por  “Frozen River” e simplesmente desbanca em “The Fighter”. Conseguimos sentir sua loucura. Loucura em tentar manter um teatro familiar. Loucura em manter em casa aquelas filhas – meu deus, que filhas horríveis aquele coro de mulheres sem nada na cabeça – e de não perceber ou querer encarar que o filho se desfaz cada dia mais pelo vício do crack.

Um filme que tem a marca de Aronofsky, mais acentuada do que de Russell e que com certeza merece estar entre os 10 melhores filmes do ano. E acima disso, um filme que vai levar Christian Bale ao reconhecimento mais que merecido. Ele é um Batman nessa película, só que real.

“The Fighter” concorre nas categorias de Melhor, filme, Melhor Direção, Melhor Ator coadjuvante, Melhor atriz coadjuvante com Melissa Leo e Amy Adams, Melhor Montagem e Melhor Roteiro original.  Aposto em Melissa levando o careca dourado para casa também.

Au Au – ” Dogtooth” dilacera.

Temporada Oscar 2011

Opinião

por Caroline Araújo

Quando Mr. Night Shyamalan fez “A Vila”, foi bem assim 8 ou 80. Críticos e público se dividiram e muito se perdeu no cerne que o diretor colocou na tela, a questão de até que ponto nos armamos e acreditamos em ideologias que nos enclausuram de ver e sentir o mundo lá fora como se isso conseguisse afastar todo e qualquer desagravo que pudesse nos assolar. Pois bem, Shyamalan infelizmente não teve o pulso – coisa extremamente comum em seu filmes diga-se de passagem – para que a mensagem pretendida conseguisse tocar o público.

Yorgos Lanthimos por sua vez, fez e de uma forma extremamente perturbadora. “Kynodontas”(Grego) – “Dogtooth(Inglês) –“Canino Branco” (português)  (2009) é o terceiro filme desse jovem diretor grego que possui um foco apuradíssimo e sabe exatamente onde quer chegar.

O Filme conta a historia de uma família formada por pai, mãe e três filhos, um homem e duas mulheres. Que são educados e tratados dentro de casa, são completamente excluídos do mundo exterior, tudo o que sabem são seus pais que contam como agir, pensar e falar. O pai que controla e faz à vida deles inclusive da mulher desse modo sendo o único que possui contato com a vida citadina.

 

Nenhum personagem tem nome. E nem sabemos suas idades. Os filhos aparentam terem de 18 à 20 e poucos anos. Tudo se passa em uma enorme casa com piscina, um grande jardim, afastada da sociedade e totalmente cercada por um muro e vegetações. O mundo inteiro dos filhos se resume a casa, lugar que não deixam nem por um segundo.

Pelo pai são ensinados a latir e lamber como cachorros, além de considerar gatos como os mais terríveis predadores do universo. Para completar a triste situação, às vezes a mãe define palavras de um jeito errado, por exemplo: “zumbi” é uma flor amarela e “estrada” é um vento forte e “mar” é a cadeira da sala.

 

Este filme grego cria um incomodo desconforto critico\ social no espectador, só que com inteligência, senso de humor e uma bizarrice que só o cinema independente pode se dá ao luxo de ter. E justamente por essa bizarrice que ele foi vencedor da mostra Um Certain Regard em Cannes ano passado.

 

“DogTooth” é desconfortante, esquizofrênico e castigante. Não foi feito para agradar. Foi feito para enfiar o dedo em feridas e deixar o sangue à mostra. A essência humana consegue ser cruel até mesmo quando ela “pensa” não estar agindo pelo mau e sim pelo bem.

 

Você não vai sair da sessão com vontade de dar um repeteco, não. Até porque é indigesto tudo o que nossa memória afetiva extrai da película vista. Corajoso, audacioso eu diria. E ele é bom por isso, porque nos chacoalha para que saiamos da zona de conforto com a qual estamos habituados. Yorgos Lanthimos mostra ser um promissor diretor europeu e ainda vamos ouvir bastante sobre ele futuramente.

 

O Filme concorre ao Oscar do dia 27 de fevereiro na categoria de melhor filme estrangeiro. Muito ácido para agradar os “quadrados” da academia, mas seria uma grata surpresa sua vitória. Para finalizar, digo: ASSISTAM com o coração e mentes bem abertos.

Ps:  A tradução do titulo original para inglês ou português é a única falha, em latim “Kynodontas” significa “Canino” que tem muito mais ligação com a história.

Com Vocês O antagonista: O Microfone!! God Save the King!

Temporada Oscar 2011

Em cartaz\ Opinião

por Caroline Araújo

Austero. Com um roteiro enxuto que permite o desenrolar da história com uma fluidez assombrosa, temos à frente um dueto antológico de dois grandes atores – um britânico e outro australiano – que, invariavelmente representam sem querer, o império e a colônia – numa leitura semiótica das entrelinhas dessa quase peça teatral que ganhou as lentes e o pulso sensível do diretor praticamente desconhecido Tom Hooper.

 

Elegante em sua essência e na composição do desenho proposto. Hooper executa um filme que cumpre habilmente o papel de repassar sua mensagem que é Conta a história justamente do pai da atual Rainha Elizabeth I (que é mostrada criança no filme), o relutante rei George VI (Colin Firth) que não foi preparado para ser rei porque tinha um irmão mais velho destinado ao cargo, que seria o Rei Eduardo VIII (Guy Pearce). E que num lance célebre e discutido durante décadas, largou tudo pela mulher que ama – apaixonou-se por uma certa Wallis Simpson, plebeia americana duas vezes divorciada que a Corte então não considerava adequada para ser rainha consorte.  Mas, no caminhar para que o então Duque de York torne-se rei, ele precisa passar por uma catarse que apenas um simples “solucionador” de problemas da fala, Lionel Logue (Geoffrey Rush) é capaz de colocar tão clara e incisivamente em sua frente. E ainda temos a Segunda Grande Guerra batendo à porta.

Como um monarca pode reger seu povo se não consegue falar para ele ou por ele¿ Esse é o ingrediente básico da receita servida por Tom. Bertie, como é conhecido pelos mais íntimos, é gago e não existe cristo que o faça solucionar essa humilhante constrangedora situação.

 

“The King’s Speech – O Discurso do Rei” (2010) dirigido por Tom Hooper e estrelado por Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter é um filme feito para ganhar prêmios. Cuidadosamente montado, perfeitamente fotografado em uma construção de narrativa onde a angustiante atuação de nosso protagonista Bertie é potencializada ao extremo pelos belos enquadramentos que extraem ao máximo a atmosfera cenográfica onde a história passa e intensifica o drama de certo ponto bobo, como um algoz terrível.

Colin Firth internaliza Sir Albert Frederick Arthur George – George VI – de uma forma magistral. Quase choramos com sua asfixiante necessidade de ser compreendido, porém, em sua total impotência em derrubar essa barreira e conseguir expressar-se habilmente.

 

Por sua vez, Rush dá luz a Lionel Logue de forma espetacular. Interpretações engajadas nas reações que ambas exercem uma sobre a outra de tal maneira, humana e comovente. É tão eloqüente o poder que este filme exerce que, semióticamente temos o império tentando sobrepujar sua colônia – as 12 indicações agraciadas ao filme ao Oscar 2011 – que por onde tem passado tem conseguido angariar um bom número de premiações. Ele é um bom filme? Sem sombra de dúvidas. Ele é a prova cabal de que é eterno o fascínio que a família real inglesa detém sobre seu povo, seja inglês , seja os colonizados por eles, como os Estados Unidos. Porém, é o melhor filme de 2010? Não. Mas é um filme feito para ganhar prêmios.

 

É um filme conservador, linear e nem um pouco inovador. É técnico e nesse quesito é fantástico. É um filme para atores, dois neste caso, e neles se coloca todo o arco dramático. Muito se especula desde que após as 12 indicação ao Oscar deste ano, levou ainda o premio do sindicato dos produtores dos EUA como melhor produção do ano e melhor direção para Tom Hooper, além de ter abocanhado 7 dos quatorze BAFTAS que concorria, inclusive de Melhor Filme e Melhor Filme britânico.

 

Entretanto, opino que, se existe justiça divina ou terrena ( e eu sou otimista nisso) ele não ganha. Porque¿ bem, uma película presenteada com o Oscar de Melhor Filme do ano deve ser uma película que nos surpreenda, que nos marque pela sua originalidade e arrojo artístico, que nos fique gravada na memória por muitos e bons anos. E isto é algo que “The King’s Speech” está muito longe de fazer, exatamente pelo seu conservadorismo. Mas isso é marca registrada dos trabalhos de Hooper. Basta conferir sua direção nas séries  Prime Suspect e John Adams.

The King’s Speech concorre as estatuetas douradas de Direção, Melhor Filme, Melhor Ator para Colin Firt, Melhor Ator Coadjuvante para Geoffrey Rush, Melhor Atriz Coadjuvante para Helena Bonham Carter, Melhor Fotografia para Danny Cohen, Montagem, Melhor trilha sonora, mixagem de som, Roteiro original, direção de arte e figurino. Estes dois últimos devo classificá-los como belíssimos projetos artísticos, com riqueza de detalhes e pluralidade de texturas.

 

Ainda não conferi os trabalhos de James Franco, Javier Barden que concorrem com Firth na categoria de melhor ator. Mas assim como Natalie Portman, a incorporação do personagem feito por ele é tamanha que sua atuação salta e torna-se brilhante. Sem contar que Firth bateu na trave no ano passado com sua indicação por A simple man quando Jeffrey Brigdes levou por Crazy Heart (Brigdes concorre esse ano por True Grit).

E Hooper ainda tem que fazer muito filme antes de ganhar um Oscar de direção. Nesse quesito Fincher, Aronovsky e o Clã Coen saem bem na frente. A colônia sobrepuja o império.