A Profundidade Indelével do Sofrer.


Temporada Oscar 2011

Opinião

Por Caroline Araújo

Como podemos mensurar a extensão da dor da perda de um filho¿ Como encontrar a ponta do novelo de sentimentos emaranhados que essa perda pode nos levar¿ Como descobrir a porta para não deixar-se prostar perante o sofrer.

Temos um casal, Becca e Howie. Bela casa, boa vizinhança, bons trabalhos, bonitos e saudáveis e; secos. Completamente. Secos por uma perda. Secos pela solidão. Becca e Howie perderam seu filho Danny de 4 anos em um atropelamento na porta de casa, assim, de repente.

Este é o drama mostrado no novo trabalho do cultuado diretor indie John Cameron Mitchell,  “Rabbit Hole – Reencontrando a Felicidade” (2010) adaptado de uma peça homônima vencedora do Pulitzer de David Lindsay – Abaire e estrelado por Nicole Kidman e Aaron Eckhart.

Assim como outros críticos, sentei para assistir “Rabbit Hole” para conferir a aclamada interpretação de Nicole que desde “The Hours” no qual levou para casa quase todos os prêmios de interpretação feminina inclusive o Oscar, não mais havia acertado a mão nas suas escolhas trabalhísticas.

Pois Bem, Kidman imprimiu um encarceramento solitário do sentir a perda do filho, fingindo para si que os dias passam e os afazeres continuam. E na outra ponta deste casal temo Eckhart surpreendentemente intenso na pele de Howie que não sente vergonha ou embaraço em mostrar o quanto sofre pela ausência do filho, mas ao contrário de sua esposa Becca, ele crê que precisam tocar a vida.

Michell nos dá um drama atual e intimista, o foco não é a morte do filho. Não. O foco é o estraçalhamento da relação marido\ mulher, a atomização do casamento através da tomada de estratégias suicidas escolhidas por cada um para tentarem sobreviver à tormenta desse sofrer.

 

Bem fotografado, com uma luz difusa que preenche e aconchega, tentando contrapor a falta de carinho que Becca e Howie hesitam em tecer um para com o outro. É interessante a forma como Becca busca apoio para sua dor tendo contato com Jason (Miles Teller), um garoto quadrinhista e que fora o motorista responsável pelo atropelamento de Danny ao invés de acompanhar Howie as reuniões de grupo de apoio.

“Rabbit Hole” é letárgico. Assim como a relação de Becca e Howie. Um filme bom no qual eu atesto que o ponto alto seja a interpretação de Aaron e não de Kidman. Sim ela esta muito bem mesmo com a falta de expressão em alguns momentos devido ao Botox, porém; Aaron mostra serviço naturalmente e confirma sua atual posição de uma dos atores mais versáteis e talentosos da atualidade. E sem ser estrela.

 

 Dianne Wiest e Sandra Oh estão no elenco como Nat e Gabby respectivamente e muito bem em seus papéis.

Nicole Kidman concorre por sua interpretação ao Oscar de Melhor Atriz. Como disse é um bom trabalho, mas confesso que não é tão merecida de prêmios assim. Apenas uma boa atuação. Por fim, fica a dica para os cinéfilos de plantão conferir a película e tirarem suas conclusões. Para mim era quase o buraco sem fim do coelho de Alice. Fecha aspas.

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