O Bom e Velho Faroeste esta de volta!


Temporada Oscar 2011

Opinião

por Caroline Araújo

A respiração ofegante, exausta de tanto esforço que o corcel, negro como o ébano que tinge a totalidade da abóboda celeste salpicada de estrelas reluzentes que se estende acima em um plano em contra – plongê perfumado de uma poesia visual sagas que somente os Coen sabem tão habilmente compor, é simplesmente belo de se assistir. Litter Black tenta, mas não consegue e seu corpo eqüino despenca na rala savana do oeste e ali jaz.

Há algum tempo o gênero de Western deixaram as glórias cinematográficas no passado, e passou a viver de parcas produções que se aventurassem em não deixá-lo morrer. Porém, o sucesso de crítica e publico que a nova adaptação do romance de Charles Portis tem conseguido por onde passa, comprova que o público quer na verdade, Bons filmes.

“True Grit – Bravura Indômita” (2010) escrito, dirigido e produzido por Ethan e Joel Coen é um sedutor western que não pode ser considerado remake do filme de mesmo título de 1969 que deu a John Wayne o Oscar de melhor ator. Este é a leitura visual e poética, cheia de humor negro, personagens caricatos e bizarros, tons fortes, planos visuais esplendorosos, diálogos ácidos e interpretações marcantes no bom e velho exemplo de filmes capitaneados pelo clã Coen.

O filme conta o drama de Mattie Ross (Hailee Steinfeld), uma menina de 14 anos que vai à cidade de Fort Smith, Arkansas, para reaver o corpo de seu falecido pai. Determinada, ela também procura por justiça e, quando não obtém ajuda pelas autoridades legais, resolve contratar o agente federal Rooster Cogburn (Jeff Bridges) para ajudá-la a vingar a morte de seu pai.

LaBoeuf (Matt Damon) um Ranger que também está à procura do criminoso responsável pelo assassinato do patriarca da família Ross, logo se junta à dupla na saga pelas terras poeirentas dos Estados Unidos.

 

A direção dos irmãos Coen é conscienciosa e precisa. Diálogo único. Somado a isso temos uma fotografia plácida que diz muito mais do que exprimir um quadro visual. Ela consegue capturar a essência de solitude de natureza selvagem que dá lugar ao progresso civilizatório que ganhou o oeste americano e marcar isso fortemente em nossas memórias afetivas com uma força absurda.

Sem contar que Bridges coloca a interpretação de Wayne no chinelo. Ele está fantástico e extremante confortável na pele Cogburn. Damon não deixa por menos assim como Josh Brolin que aparece rapidamente, mas esta grotescamente bem.

Não é a toa que “Bravura Indômita” concorre a 10 Oscars este ano. Melhor Filme, Diretor, Ator(Bridges que merece mesmo!!), Atriz Coadjuvante para Steinfeld, Roteiro Adaptado, Figurino, Direção de Arte, Mixagem de Som, Edição de som e claro, Fotografia.

É o terceiro ano consecutivo que os Coen emplacam um filme entre os melhores do ano. Temos definitivamente aqui os “queridinhos” da Academia. Querido ou não, o que deve se deixar de auferir é que Joel e Ethan imprimiram uma nova forma de fazer cinema, bebendo na fonte dos grandes clássicos do cinema mundial. E fazem isso tão bem que não é a toa que seus filmes são o que são.

Palmas para eles. Presentes para nós. E se uma zebra não deixar premiar os dois grandes favoritos as mais valiosas estatuetas da estação, que caia no colo dos Coen porque com certeza estará em mãos merecidas.

Uma resposta para “O Bom e Velho Faroeste esta de volta!

  1. Carol, linda resenha! Esse filme é fantástico, eu tô torcendo pro Jeff Bridges, o meu eterno Dude, pra levar pra casa a estatueta! Ri e chorei muito com esse filme e estou curiosa para ver a versão com John Wayne. “This ain’t no coon hunt!”

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