O Verdadeiro Vencedor


 

Temporada Oscar 2011

Opinião

por Caroline Araújo

Praticamente ano sim, ano não, um filme sobre alguma superação humana por meio do esporte, mais precisamente o BOXE ganha espaço nas telas cinematográficas. “Touro Indomável”, “ Rock”, “ A million Dollar Baby”, entre outros títulos estão ai para reafirma esse encantamento pelas luvas.

 Antes de mais nada, uma correção precisa ser feita. O papel que Christian Bale desempenha no novo filme de David O. Russell é algo assim, atordoante do ponto de vista da entrega de um ator ao personagem que esta ali para dar vida. É I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L, gravem bem isso, que ele perca o Oscar de melhor ator coadjuvante dia 27 de fevereiro. IMPOSSÌVEL! Porém, contudo, entretanto, todavia, ele deveria ter sido indicado ao Oscar de Melhor ATOR, porque o “Fighter”, o “lutador” verdadeiro deste filme É ele. Absoluto. Frenético. Inquieto. Inspirado. Febril. Inexorável.

“The Fighter – O vencedor” (2010) dirigido pelo “esquentatinho” diretor americano David O. Russell nos joga novamente no universo de suor, sangue, ringue, vitórias e derrotas e da volta por cima com um final feliz.

“The Fighter” narra a história de Dick ( Christian Bale) um ex boxeador que tinha uma carreira promissora, mas entrou em decadência por conta do uso de crack; então ele  se realiza treinando o irmão mais jovem Micky  Ward ( Mark Wahlberg) e injeta nele tudo que ele poderia ter sido e não foi. Temos uma tênue tensão familiar que ganha mais labaredas porque Alice ( Melissa Leo) mãe de Dick e Micky é a empresária do filho, a que controla tudo e a que com Dick, o filho mais velho, decide as lutas e a forma como Micky  treina.

Acontece que essa sociedade familiar é um belo castelo de cartas roídas, pois Micky só perde, só se envergonha e não consegue desenvolver um bom trabalho uma vez que mãe e irmão não enxergam o que ele deseja verdadeiramente. Enxergam apenas que ele é uma boa mina de dinheiro ganhando ou perdendo e que isso esta bom, pois sustenta o vício de ambos.

Já vimos essa história. Obvio. Russel não inova em sua direção. Ele faz bem as escolhas de linhas narrativas, bom julgamento fotográfico, uma trilha sonora complementar à história, uma gama de atores versáteis, bons profissionais, inspirados e apaixonados pelos seus personagens e uma dupla de Produtores executivos de peso. 

Darren Aronofsky e Mark Wahlberg. Esse é um projeto de Mark que havia chamado Darren para dirigir, porém há época ele estava desenvolvendo seu filme anterior “ O lutador” e já estava com a pré – produção de “ Black Swan” engatilhada. Então, Mark levou o projeto para as mãos de David que soube conduzir para poder colher finalmente, bons frutos para sua carreira.

A história em si é sobre Micky “Irish” Ward, de Lowell um bairro de Boston. Porém, Micky não existe sem Dick, e Dick passa a ser o verdadeiro Vencedor dessa parada, uma vez que ele desnuda-se de todas as cagas que coleciona, que só o fizeram arruinar a brilhante carreira que poderia ter tido, e em fim humildemente reconhece ser uma erva daninha para o irmão e parte para a redenção de ajudá-lo a ser um campeão, o vencedor do titulo.

Wahlberg simplesmente é pulverizado pela atuação de Bale, Melissa e Amy Admas que interpreta Chalene sua namorada. Amy por sua vez deixa de lado a fragilidade estampada nos finos traços que possui e coloca voracidade e pimenta nos olhos de sua personagem de forma consciente e precisa. Melissa esta F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A como a mãe, brega e sem visão real dos fatos que a cercam. Ela já havia sido indicada por  “Frozen River” e simplesmente desbanca em “The Fighter”. Conseguimos sentir sua loucura. Loucura em tentar manter um teatro familiar. Loucura em manter em casa aquelas filhas – meu deus, que filhas horríveis aquele coro de mulheres sem nada na cabeça – e de não perceber ou querer encarar que o filho se desfaz cada dia mais pelo vício do crack.

Um filme que tem a marca de Aronofsky, mais acentuada do que de Russell e que com certeza merece estar entre os 10 melhores filmes do ano. E acima disso, um filme que vai levar Christian Bale ao reconhecimento mais que merecido. Ele é um Batman nessa película, só que real.

“The Fighter” concorre nas categorias de Melhor, filme, Melhor Direção, Melhor Ator coadjuvante, Melhor atriz coadjuvante com Melissa Leo e Amy Adams, Melhor Montagem e Melhor Roteiro original.  Aposto em Melissa levando o careca dourado para casa também.

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