Amore, Sempre ele!!!


Temporada Oscar 2011

Opinião

por Caroline Araújo

A abertura inicial com a musica incidental e a boa montagem chega até a incitar que estamos diante de mais uma obra prima do outrora estupendo e inspirado cinema italiano de Fellini, pois, temos uma clara homenagem aos grandes mestres do cinema neo-realista italiano. Porém, com o caminhar da narrativa percebemos que essa “singela” homenagem nada, nada, mas morre na praia abruptamente.

Io Sono L’Amore Eu sou Amor” (2010) escrito e  dirigido pelo italiano  Luca Guadagno mais conhecido pelos documentários do que filmes ficcionais é uma bela tentativa de volta ao cerne do cinema clássico italino, entretanto, falta a furia e o charme tipicos da cinematografia desse país.

O filme tem uma premissa interessante onde uma família abastada de Milão, os Recchi, nomeia os seus sucessores para a empresa, dividindo-a entre o filho Tancredi  e o neto Edo. No meio da família encontra-se Emma, uma emigrante russa e mulher de Tancredi, que adoptou toda a cultura milanesa e se tornou o centro desta família. Emma irá no entanto apaixonar-se por um chef de cozinha e amigo de seu filho, que resultará numa mudança e destruição da sua própria família.

Emma é interpretada por Tilda Swinton, que obviamente se sobrepõe sobre os outros e consegue passar ao espectador a nulidade cultural que sofreu ao deixar suas raízes russas para virar um pseudo – italiana. Ela está muito bem e confortável.

Os demais atores carregam o arco dramático do filme até que razoávelmente bem, mas a indecisão confusa de Luca estraga algo que poderia ter sido realmente belo. O diretor tenta misturar várias técnicas e referencias de grande cineastas italianos numa mesma pelicula o que resulta em total falta de sentido de onde vem e para onde vai a história, sem contar que da metade para o fim do filme a beleza plástica dá lugar a uma sucessão de acontecimentos que em si estão mau amarrados e difíceis de crer.

 A direção de arte e figurino popotso, assim como a banda-sonora de John Adams está sublime,  como o momento em que Maria Callas entoa o verso que dá nome ao título. Infelizmente todo o filme que vemos nos primeiros tempos arrefece-se e a perde força e graça, ficando a premissa inicial à deriva deixando um questionamente  se o final não será um quanto rebuscado demais e, de certa forma, feito de forma apressada.

Outro ponto positivíssimo é a bela fotografia aliada a um figurino impecável. Antonella Cannarozzi é a figurinista responsável por este projeto e pelo seu trabalho foi indicada ao Oscar de melhor figurino. Mas acredito que não leva a estatueta para casa.

Fica a dica para um filme que pode agradar um programa entre amigos e gerar boas discussões sobre o depois. E Reparem na cara de buldog do ator Pippo Delbono que interpreta o marido de Emma. É até engraçada a inexpressividade.

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