Mais uma Vez Boston por Ben Affleck.


Temporada Oscar 2011

Opnião

por Caroline Araújo

Será que Ben Affleck daqui há algum tempo será lembrado como um diretor de atores¿ Bem, essa pode ser uma boa reputação na sua incursão pela profissão de diretor cinematográfico. Contudo, ele precisa de um pouco mais de tarimba artística para se firmar na coisa com categoria. Algo que o tempo irá trazer para este Realizador\ ator que soube como ninguém abraçar o bote salva-vidas que flutuava a sua frente e soerguer sua carreira que estava fadada a filminhos inexpressivos e papéis patéticos.

“The Town – Atração Perigosa” ( 2010) que estreou no inicio do ano nos cinemas tupiniquins é a segunda película que leva a assinatura de Sr. Affleck na direção  e é bom no ponto de vista técnico, mesmo tendo a trama inteira permeada dos clichês mais clichês possíveis já visto no mundo cinematográfico.

The Town” nos mostra a história de Doug MacRay (Ben Affleck) e seu bando de destemidos e eficazes amigos ladrões de bancos. São impecáveis. Não deixam pistas, rápidos e precisos. Boa mira. Num dos muitos assaltos a um banco no bairro de Charlestown ( Mais uma vez Boston sob as lentes de Affleck) James Coughlin (Frenético Jeremy Renner) – um dos compinchas de Doug  e seu melhor amigo– decide seqüestrar Claire Keesey (Rebecca Hall) – uma das gerentes do banco – como forma de vantagem estratégica caso viessem a deparar-se com a polícia.

 Nossos anti – heróis escapam e libertam Claire, entretanto, mais tarde vêm a descobrir, que a “moçoila” mora a dois palmos de distância do bairro onde eles se albergam e, como tal, poderá constituir um risco para o anonimato do bando. Doug coloca-se então de “espiar”  Claire,  apenas para assegurar que ela não ficou com alguma idéia da identidade dos seus seqüestradores. Ai vamos ao Clichê óbvio. Doug apaixona-se por  Claire e tudo vira um novelo de gato. Doug começa a ver-se pressionado de ambos os lados: James fica cada vez mais nervoso e quer rapar o pé a Claire; e do outro lado, Adam Frawley (Jon Hamm) agente do FBI que esta na cola do seu rastro perfumado de butuca para atacar.

Vamos por parte. Temos uma boa abertura inicial. Apenas aquela coisa documental falando sobre a bandidagem de Charlestown que é passada de pai para filho que incomoda pacas e acaba por gerar um certo didatismo desnecessário. As seqüências de ação são boas. Nada mirabolante e nenhuma super sacada seja de composição de planos ou na montagem, ela é convencional no que tange filmes de ação e mesmo assim é bem feita.

Já vimos um zilhão de filmes sobre assalto à bancos onde os bandidos se fantasiam.                    “ Caçadores de emoção” é um dos melhores exemplos. Então aqui, Affleck deveria ter ido além. O arco dramático que ele tinha em mãos, a relação da criminalidade passada de pai para filho, ficou superficial e um pouco forçada. Poderia ter sido esmiuçada com mais destreza. Temos a participação de Chris Cooper como pai presidiário de Doug que podia ter ido além.

O filme inteiro fica nos ombros de Affleck, Hamm, Renner e Hall, invertendo ações e isso de certa forma tira um pouco do desconforto da previsão das coisas pois são ótimas atuações.

Hall esta sempre firme e competente assim como Hamm que nos faz esquecer seu mais famoso personagem Don Drapper da série da HBO Mad Man. O próprio Affleck esta bem na atuação, mas é Jeremy Renner quem patrola todos de forma descomunal.

Assistindo ao filme lembrei de Al Pacino e Robert DeNiro que no inicio de suas carreiras interpretavam personagens explosivos nos filmes de ação\ policial das décadas de 60 e 70. Jeremy é igual à eles. Baixinho, não é bonito, mas é inspiradamente um excelente ator que consegue personificar exatamente os mesmos estereótipos que Pacino e DeNiro deram vida. Homens durões, sem ética, gângster, violentos e sempre ligados à família.

Esse é o grande trunfo de The town” e uma grata surpresa aos espectadores. Se continuar nesse ritmo Bem Affleck pode se consolidar nessa carreira. Tanto “ Gona Baby gone”(2007) quando “ The Twon” são reflexos do olhar aguçado que Ben possui em mostrar a própria cidade onde cresceu – BOSTON.

Palatável para o grande público, um pouco quadrado para os mais refinados, porém um filme bacana para assistir de galera. Jeremy Renner tem sua segunda indicação ao Oscar pelo papel de James. Ele concorre no domingo agora na categoria Melhor Ator Coadjuvante. É uma fantástica atuação, porém ele tem o Batam real – Christian Bale – na linha de frente. Por céus Gothan!

Ps: Blake Lively nas poucas cenas que aparece está muito bem e mostra-se uma promissora atriz.

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