Quando atuar é uma questão de talento.


em Cartaz

por Caroline Araújo

Demorei uma semana para conseguir encontrar as palavras certas para este texto. Após o turbilhão fílmico pré –oscar, voltamos a rotina das salas de cinema cuiabanas que continuam em defasagem. Então, vamos ao  filme mais adulto e menos apelativo sexualmente falando que encontrava-se em cartaz.Filme de exorcismo volta e meia ganham as telas. São cheios de sangue, barulhos que te assustam e situações que beiram o realmente possível e o quase improvável.

Baseado no livro The Making of a Mordern Exorcist, de Matt Baglio “The Rite – O Ritual”(2011) dirigido por Mikael Håfström -” 1408, Fora de Rumo“- e com roteiro adaptado por Michael Petroni  é um filme que até conseguem manter a tensão sem as ferramentas consagradas do gênero , porém, a insossa interpretação do protagonista afoga o brilhantismo e profundidade que a película poderia alcançar.

O filme mostra um seminarista reticente, Michael Novack – interpretado pelo pouco conhecido Colin O’Donoghue –  sendo enviado ao Vaticano para um curso de exorcismo após ter entrado para o seminário numa tentativa de fugir da sina familiar de ter que tocar a funerária de seu pai. Acontece que desde o principio Michael, confabulava apenas utilizar a chance no seminário para estudar e quando tivesse que se ordenar, pularia fora. Entretanto o incomensurável destino prega-lhe várias peças.

Mesmo à contra gosto e na Itália, Novack vestido de um manto cético absurdamente enfadonho, conhece um dos únicos exorcistas em atividade, o Padre Lucas, e começa assim mais um round do eterno embate entre o bem e o mal, a fé e o ceticismo, a ciência e a religião.

A má escolha de Colin faz com que o filme perca ritmo. Ele se torna chato. MUITO Chato. O que suplanta tanta chatice são as escolhas do elenco secundário como Alice Braga, com a competência habitual como uma jornalista que segue o personagem principal ou os excelentes Ciarán Hinds (Padre Xavier), Toby Jones (Padre Matthew) e Rutger Hauer (o pai de Michael) que  também ajudam a elevar a qualidade do jogo. Mas é mesmo Anthony Hopkins que rouba a cena.

Sir Hopkins esta inspirado, insano, febril. Sua entrega literalmente ao cão seboso é um presente de interpretação. Os lanhos do tempo em sua fronte estão acentuados o que nos dá uma expressão por deveras formidável de Padre Lucas e é dele todo o mérito de se pagar o ingresso desse filme.

O diabo É presente em “The Rite”, sim senhor! Mas como um oponente intelectual. Suas respostas e debates são instigantes – e ele até faz uso de tecnologia, como uma ligação telefônica, para fazer-se crer que ele existe realmente. Essa tentativa de manter o filme o mais realista possível, sem grandes arroubos hollywoodianos de perversão, choques e poucos sustos fáceis ou cabeças girando e vômitos de sopa de ervilhas, é o que torna junto com o subtexto do roteiro de Petroni O Ritual recomendável.

O filme possui uma elegância fotográfica e uma ambientação cênica competente, possui uma direção exata que sabe o porto onde quer atracar, porém O’Donoghue não convence e ao contrário, estraga todos esses elementos. Somente quando Hopkins personifica o demônio é que ganhamos um salto gigante de atuação e conseguimos esquecer o aguado e sem graça padre Novack.

Em todo caso “ The Rite” é uma boa indicação para se assistir na tela grande e nos escurinho do cinema, mas tente esquecer a atuação de Colin. Desastre.

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