Até o Limite ou a falta de..


Opinião

por Caroline Araújo

Não é difícil encontrar artigos ressaltando a falta de ideias originais  ou até mesmo a utilização exaustiva de velhas fórmulas nos filmes realizados na grande indústria americana atualmente. E infelizmente a aparente premissa de que quem sabe, o novo filme do cineasta Neil Burger, que nos mostrou um bom pulso com  “O Ilusionista”, fosse um mix de idéia original lapidado em velhas fórmulas acrescido de atores carismáticos e astros de peso como meros figurantes, despencou ladeira abaixo com a superficialidade demasiada que trabalhou em seu recente trabalho.

Partindo de um roteiro de Leslie Dixon“Corrente do bem” – baseado em um livro de Alan Glynn, Burger desvela uma pergunta interessantíssima: Será que existisse uma droga capaz de fazer com que o ser humano utilizasse 100% do seu cérebro? O cerne da obra, nos remete à um infindável turbilhão teórico, onde claramente tendemos a justificar como ilógica a possibilidade de tal droga, porém, essa negação é em parte um repelente aparente, no fundo cremos e sabemos que a existência de tal substância é possível e quem sabe real. E no fundo NÓS gostaríamos de testá-la.

Em “Sem Limites – Limiteless (2011)” – temos uma boa idéia que trabalha como catalisadora de acontecimentos, no bom e velho preceito de efeito dominó. Até ai tudo ok se não fosse, a falta de verossimilhança e crateras pontuais existente no roteiro de Dixon, que são complicadas de digerir.

Um escritor, ou melhor pretenso escritor em bloqueio criativo, Eddie Morra (carismático e bonitão Bradley Cooper), esta no fundo do poço. Não consegue escrever, mora num chiqueiro, levou um pé na bunda da namorada e não tem nem um centavo. Então a fada madrinha dos casos perdidos, coloca em seu caminho seu ex – cunhado que o presenteia com algo que abrirá as portas da percepção, literalmente. Após adentrar no mundo de “Alice” conduzido pelo comprimido de NZT que ingeriu tudo ganha cor, vida e solução.  É a realização do mito do sucesso imediato, sem esforço, absoluto, e sem prejudicar ninguém.

Acontece que, obviamente nem tudo são flores. É ai que a agilidade desanda. Vamos lá. As ações que ocorrem em velocidade vertiginosa – o efeito dominó – é algo que, para uma pessoa Super-Cérebro, seriam piadas. Ou seja não cola. Com a inteligência adquirida, ou melhor, estimulada e a natureza de suas ações, Morra teria o mundo nas mãos, certo¿ então me explica, para que envolver-se com agiotas estrangeiros?Alias, a natureza das ações do protagonista nos remete ao egocentrismo extremo. Nada de usar a inteligência para ajudar a resolver problemas humanitários, como cura de doenças, planos de paz, o lance é enriquecer, e fecha a régua.

Mas aqui faço um apontamento, você, como usaria o dom de Morra caso tivesse¿ Para fazer o bem ou o utilizaria a seu próprio favor, como o personagem?  Eis o ponto nevrálgico que a película trata, porem a superficialidade com que esboça essa questão é uma lastima,fazendo com que ao fim seja apenas um thriller artificial, repleto de lugares-comuns e perseguições típicas de um filme de gênero.Temos então uma dicotomia: a inteligência do personagem parece infinitamente maior que a dos seus realizadores, que fazem escolhas nada condizentes com o brilhantismo do protagonista.

Bradley Cooper exibe carisma e demonstra ser capaz de sustentar o filme mesmo que o seu personagem jamais consiga se tornar realmente tridimensional. Abbie Cornish tem uma beleza suave, esta linda e sabemos que é uma boa atriz, mas aqui figura como um objeto de desejo de Edward Morra e nada mais. Uma pena.

Robert De Niro empresta o peso de seu nome ao filme. Apenas isso. Bom ator como sempre, seu papel poderia até ter grande sacadas e memoráveis atuações se assim o quisesse. De Niro, apenas dá as falas, faz bocas e vai embora.

De qualquer forma, “Sem Limites” é um bom exercício fílmico para ser feito entre amigos, sozinho ou acompanhado. Burger, acerta em movimentos de camera inventimos, fotografias interessantes e uma trilha sonora que soma. E com certeza caso houvesse um programa de voluntariados de teste de NZT, você se habilitaria. Eis outro ponto. Será uma apologia aberta ao uso de drogas¿.. Absolutamente “Sem limites” nos leva a inúmeras discussões interessantes.. vale muito conferir.

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