Se eu for até a metade disso…


Opinião

por Caroline Araújo

Uma vez um grande amigo proferiu uma frase que desde então ulula minha mente quando me deparo com situações que
de certa forma, morrem na praia: “ Se eu for até a metade disso, não preciso ir tão longe.” Ela é boa em vários contextos, sinta-se livre para experimentá-la. Para mim ela é uma representação convexa do que a diretora Catherine Hardwicke, poderia
ter feito e não fez. Ela podia ter ido até a metade ,e sim, chegaria bem longe.

“Red Riding Hood – A Garota da Capa Vermelha” (2011) que estreou semana passada no Brasil vem com a premissa de ter dado uma “ repaginada contemporânea” à fábula da menina de capinha vermelha com cesta de doces que passeia no bosque até a casa da sua vovozinha.

Esqueça a inocência da menina da fábula, transforme-a em uma garota de olhos grandes e boca carnuda que exale desejo. Coloque um lenhador jovem esbanjando testosterona que duela com um ferreiro encantadoramente apaixonado pelo amor e celibato da garota em questão. Acrescente um lobisomem, uma vovozinha ultra hippe, um padre que personifique o maniqueísmo totalitário e um pai alcóolatra atrapalhado, e crie um clima dark com uma fotografia que brinca com as matizes de cinza e a direção de arte até interessante. Ai, chame uma diretora que faz de conta que vai conseguir desconstruir o mito da menininha da capinha e nos brindar com uma visão “Ual” e deixe ela apenas conduzir tudo num tremendo banho maria.

A questão em si, é que, é legal brincar e tentar atualizar velhas histórias. Às vezes surgem produtos bons, muitas vezes não. Acontece que Catherine dispunha sob sua batuta de muitos bons elementos fílmicos ( e orçamento) e deixou com que se embolassem em um amontoado de clichês que ficaram piores pois não queriam ser clichês. Céus! Perdoai! Os irmão Grimm  reviraram no túmulo.

Amanda Seyfried dá vida a Valerie, uma moça que é apaixonada por um jovem lenhador, Peter (Shiloh Fernandez) e que se vê prometida ao moço mais cobiçado de seu vilarejo, o ferreiro rico Henry (Max Irons). O legal é que Amanda tenta, mas não segura bem às nuances interpretativas, mas parece é que no fundo ela não foi bem dirigida. Já Shiloh, putz, passa para próxima. Max podia ter composto seu ferreiro mais febril, mas dos três jovens do triangulo é o que menos erra.

Repleta de pontos negativos, a produção também falha muito. As infindáveis viagens de grua, dão sono.  A trilha sonora composta pelas editoras Nancy Richardson (A Saga Crepúsculo: Eclipse) e Julia Wong (Maré de Azar) apresenta informações de formas desconexas e em alguns momentos com uma narração em off totalmente equivocada. O roteiro de David Johnson  não ajuda em nada, mas a edição poderia ter salvo algo. As músicas presentes na trilha confirmam o caráter teen que tentaram dar ao filme e comprova ainda a falta de tato cinematográfico dos realizadores.

Garry Oldman que incorpora o Padre Salomom, mais uma vez, constrói um personagem estereotipado, beirando a histeria e é o trunfo interpretativo nesta película. Ele salva. Amém. Julie Christie nos dá a vovó bicho grilo, que não acrescentou muito a não ser o ar de vovó maluca de carteirinha e possível “lobona”. Curioso foi uma cena hilária,  totalmente perdida no contexto, remetendo a clássica série de perguntas sobre orelhas, nariz e boca para a vovozinha.

A desconfiança sobre a identidade do lobo poderia ser melhor explorada no roteiro e na direção. Tentaram criar um clima de suspense típico dos filmes teen “quem que matou?”, mas ele não vigora tanto, na verdade é um suspense empacado, entendem?

Em fim, no fundo acho que o grande plano de Hardwicke seja pulverizar os conceitos e histórias clássicos de vampiros e lobisomens e outras fábulas imaginárias, assim ela pega uma história destroça os arquétipos consagrados e nos entrega bonecos mau acabados. Só pode ser. E o mais tosco é que ela é covarde no desconstruir. Duas frases uma proferida por Peter e outra por Padre Salomom resumem bem. Em um momento Valerie vai atrás do lenhador para dizer que é ele que ama, depois de uma amassos ele diz: “ Eu comeria Você” . E Padre Salomom pergunta a garota quando esta é praticamente apedrejada pelo vilarejo tentando descobrir quem é o lobo mau: “Quem é que te deseja¿” Amigos, se você vai abordar  verbalmente esses subtextos, aborde, vá além e se consagre. Inquiete-se. Ouse. Agora não diga ou faça firula que vai e no fundo fraqueja. Isso é mediocridade.

Ta aí, de forma geral “ Red Riding Hood” é simplesmente, medíocre.

 

2 Respostas para “Se eu for até a metade disso…

  1. Eu amei esse filme pois ele e uma nova versao da chapeuzinha vermelho so que bem ixxiii mil vezes melhor!!
    galera eu espero que tenha continuação desse filme pois todo fiolme que e bom tem que continuar!
    beijus sua fã ingrid rodrigues de castro

  2. Ok, você me convenceu, vou ter que comentar seu post =)

    Este filme é um excelente exemplo de que a direção perdeu a mão no meio do caminho… realmente deveria ter parado na metade hehehe.

    A ideia de reproduzir clássicos com abordagens mais “contemporâneas” é ótimo, é como desconstruir personagens que de alguma forma fizeram parte da nossa infância/juventude. Só espero que os diretores consigam parar antes de estragar tudo.

    É preciso coragem para não ir tão longe😉

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