Muita àgua e pouco elefante


em cartaz

por Caroline Araújo

Há algum tempo tenho intensificado os estudos sobre direção de arte, e ultimamente venho levantando a bandeira desta área que muitas vezes é depreciada na concepção fílmica. Eu afirmo que a direção de arte em conjunto com a direção de fotografia são os membros dorsais de um filme, representando a alma e o corpo da película. E se, um projeto audiovisual entende a importância de ter uma harmonia entre esses dois elementos, uma boa parte da narrativa esta salva.

“Water for Elephantes – Água para Elefantes” (2011) o mais novo filme assinado pelo diretor Francis Lawrence, responsável pelos “Eu Sou a Lenda e Constantine”, é uma aula de composição cênica de uma direção de arte primorosa e um belo trabalho de fotografia.

Adaptação do livro homônimo de Sara Gruen (escritora canadense militante de várias causas a favor dos animais), o filme narra a história de Jacob Jankowski (Robert Pattinson), jovem filho de imigrantes poloneses que vê sua vida girar 360º e desabar, durante a Grande Depressão dos anos 30. Seus pais morrem num acidente justo no dia de seu exame final na escola de veterinária e ele fica sabendo que não tem nada, além de dívidas. A solução é, literalmente, colocar o pé na estrada, como vários desempregados e novos pobres faziam naquela época.

Ao léu sem lenço ou documento eis que a luz de um trem lhe chama ao longe e Jacob decide embarcar. Desse momento em diante o fantástico mundo do circo, com suas ilusões, fantasias, amores e também amarguras e durezas passam a fazer parte do cotidiano de Jacob. Um belo drama romântico à moda antiga assim pode ser definido  Água para Elefante.

 É um filme de narrativa tradicional, talhado á imagem e à semelhança dos grandes clássicos de antigamente. Preocupa-se apenas em contar bem a sua história, o que faz com muita eficiência, graças não somente à direção segura de Lawrence, mas a sua direção de arte e a Fotografia de Rodrigo Prieto. A  fotografia do mexicano Rodrigo PrietoO Segredo de Brokeback Mountain e Biutiful” – conseguiu extrair grandezas imensas para enriquecer a narrativa.

O Triangulo amoroso formado por Jacob, Marlena (Reese Whiterspoon) e August (Christopher Waltz) que é a mola mestra de toda a história estava fora de sintonia. Pattinson, mostra que um pouco mais corados e com quase nenhuma fala ele até funciona, mas não teve química com Resse que como sempre bem aplicada no papel não transcende para dar vida a uma verdadeira estrela de espetáculo.

 Na outra Ponta temos Waltz que defenestra os dois num show a parte de interpretação. Febril, esquizofrênico, muito parecido com a linha que utilizou para compor em Bastardos Inglórios, ele não dá margem para erro e acerta em cheio.

O Elefante do título é interpretado por Rosie, fofa, tenho que dizer. Poucos são os momentos de atuação dela, mas são pontuais e são os elos dramáticos da história.

De uma forma geral, “ Water for Elephantes” funciona como um bom drama, mas não vai além e não se imortaliza. Vale o ingresso, vale sim. E acho que poderia ter sido mais se o moçinho fosse outro ator. Robert precisa estudar um pouco mais.

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