Quando o Pedrigree faz falta


Opinião

por Caroline Araújo

Como qualquer vira-lata, a comédia romântica nacional estrelada por Malvino Salvador, Cléo Pires e Dudu Azevedo pode até se dar bem e agradar ao grande  público, no entanto como cinema a falta de pedigree pesa contra e nem com “engove” ajuda a digerir.

Capitaneada pelo peso de três atores principais serem conhecidos do publico por conta dos trabalhos recentes ou bem quisto na grande mídia televisiva nacional , o filme de estreia do diretor Tomás Portella“Qualquer Gato Vira – Lata”(2011), inspirada na peça homônima de Juca de Oliveira é um grande pastelão, sem recheio.

Na trama, Tati (Cleo Pires) é apaixonada por Marcelo (Dudu Azevedo), mas ele só gosta é de si mesmo e das piriguetes que caem na sua lábia. Depois de tomar um pé na bunda na frente do bar, Tati se descontrola, chora, e no momento de desespero, tentando se acalmar, conhece Conrado (Malvino Salvador), um professor de Biologia que defende a seguinte tese: as mulheres, ao irem para cima dos homens, estão acabando com anos de história evolutiva, deixando os machos perdidos. O certo, diz ele, é a mulher ficar na sua e deixar o homem tomar a iniciativa. É assim há muito tempo com os marrecos, os cavalos e os leões, por que as mulheres querem mudar isso agora?

A forma como Conrado defende sua tese, é ridícula. A atuação de Malvino esta esdrúxula na mesma proporção. Cléo esta irritante, antipática e esquizofrênica, na moral, levar o pé na bunda era óbvio com tanto grude e instabilidade. O único que está numa sintonia interessante entre personagem e ator é Dudu, e mesmo assim não é um primor.

As tentativas de fazer humor são capengas, piegas, pueris e de mau gosto para caramba! O argumento poderia ter dado origem a um roteiro interessante, mas Claudia Levay e Júlia Spadaccini – responsáveis por adaptar a peça homônima de Juca de Oliveira para as telas – se perderam no processo. Algumas sequências chegam a causar vergonha alheia, como a da empregada que se embriaga com restos de bebidas de uma festa e – a mais surreal de todas – que envolve um ponto eletrônico engolido por um dos personagens.

Os babacas  deste filme são extremamente babacas, a amiga excessivamente compreensiva, o biólogo é muito caricato, aquelas figuras na tela jamais parecem dialogar com o público. Álamo Facó  que interpreta Magrão, melhor amigo de Marcelo  interpreta o maior babaca que já tive o desprazer de ver na tela de cinema este ano. O tal Magrão é um ser irritante e parasita,
sendo um mistério como um cidadão desses consegue ter amigos. Não há uma só cena neste filme onde este cidadão não esteja fazendo alguma babaquice, chega a ser incrível. Enfim, faltam explicações e contexto e sobram pontas soltas, algo que não deveria haver em uma produção deste gênero.

Que Portella consiga realmente reger uma equipe para que seu próximo filme consiga minimamente funcionar, porque nem a mensagem que teoricamente todo filme passa, esse conseguiu com que fosse decodificada.

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