O Caos; o Inicio e o Fim. A Teosofia do devir Cinema de Terrence Malick

Opinião

por Caroline Araújo

Outro dia ouvia a frase: “ A arte é empirica”. Anotei.   Só fui de fato assimilar o cerne dessa frase depois de sair de uma sessão de cinema que trouxe as lágrimas a minha fronte simplismente bela beleza de um trabalho extremamente singular, autentico e devoto.

Quando eu era bem pequena, aos nove anos, assisti um certo filme chamado “Days of heaven”. O filme ficou dias a fio na minha mente, na época mais pela plásticidade das imagens com todo aquele peso simbólico. Foi ali, naquele recorte de espaço tempo na minha infância que eu fui tocada pelo devir cinema e nunca mais consegui me separar. Só que ali, eu também fui ungida pelas lentes textuais de um dos cineastas mais antológicos e ao mesmo tempo simples de se ler, que o cinema mundial já produziu: Terrence Malick. Então, mesmo este texto sendo sobre alguém que para mim é muito pontual, faço minhas balizações sem valoração pessoal.

Este texano com mais de 40 anos de uma carreia sólida e assim como seus filmes, densa e intensa de significados, possui no  curriculo 1 curta e 5 longas metragens e inumeros roteiros. Indicado a vários Oscars, sem nunca levar, é detentor de vários prêmios ao redor do globo, como melhor diretor em Cannes em 1979 por “Days of Heaven”, Melhor filme em Berlin em 1999 por “The Thin Red Line” e Melhor filme na ultima edição de Cannes por “The Tree of life”. Muitos Criticos consideram seus filmes obras primas. E de fato, o são.

Como poucos, Malick trás para o cinema contemporâneo uma proposta de interesse na linguagem, propondo não simplesmente o experimento, mas o transbordamento real das possibilidades de esgotá-lo e transcendê-lo de maneira fruída e fragmentada, indo além. Se o Cinema conta histórias com blocos de movimento\ duração gerando sensação como dizia Gilles Deleuze, Terrence vai no cerne sensorial imagético e expurga para fora de suas lentes a intensidade metafísica das imagens que compõe.

Malick formou-se em filosofia pela Universidade de Harvard junto com Phi Beta Kappa, e essa formação esta presente em toda a sua cinematografia. Através do cinema, Malick discute filosofia pura e simples elevando o dialogo entre o espectador e a obra a degraus internos, individuais ou coletivos, no mesmo instante que exterioriza a sua visão singular sobre os assuntos que aborda. Quem quiser concorde ou não com o que ele coloca para se questionar.

“The Tree of life” seu quinto filme entrou em cartaz no circuito comercial e levará muitos a comprar o ingresso por ser estrelado por Brad Pitt e Sean Penn. Mas eu aviso: quem for assistir o filme pelos astros vai se assustar. Você deve ir para entrar em uma viagem nem um pouco convencional da arte de se fazer um cinema autoral em meio a avalanche cabeça oca que nos assola e acima disso, entrar em um debate filosófico sobre a existência terrena, e uma divagação teosófica sobre o amor do PAI para com seus filhos.

O filme foi filmado em Smithville , Texas, em 2008 e conta o drama de uma familia em multiplos periodos da história e se foca na reconciliação de um individuo com O AMOR, misericórdia e beleza com a existencia de mortes e sofrimento.

Jack O’Brien ( Sean Penn) está à deriva em sua vida mordena como arquiteto. Em uma conversa ao telefone com seu pai Sr. O’Brien ( Brad Pitt), ele confessa pensar sobre seu irmão falecido todos os dias. Quando ele vê uma árvore sendo plantada em frente a um prédio, ele começa a reminiscência central do filme. Esta obra apresenta-nos um Terrence Malick no seu estado mais puro, sendo o filme mais filosófico e subjetivo dos últimos tempos. Afinal a arte é subjetiva, ou não?

“The Tree of life” se assemelha a uma exposição fotográfica em movimento, a beleza das suas imagens e a natureza reflexiva do seu argumento sidera-nos por completo, deixando-nos com a sensação de estarmos a assistir a algo verdadeiramente único e original.

BradPitt esta assombroso em um dos papeis mais interessantes de sua carreira. Desnudo, temos um pai duro, mas extremamente amoroso, mas que não sabe como mostrar isso aos seus filhos de uma forma que não seja disciplinadora. A disciplina tensional nos leva a vigilância que acarreta sempre em punições. Chegamos a Foucault “ vigiar e punir”.

Jessica Chastain, é a esposa submissa de O’Brien, ao mesmo tempo que é permissiva aos filhos. Belíssima. Lírica. Frágil. Sua interpretação é tocante.

A fotografia do mexicano Emmanuel Lubezki, conhecido pelo seu estilo inovador é algo soberbo. Grandiosos planos em contraponto de planos minimalistas e microscópicos. O balanço das imagens, quase a deriva, sempre em frenesi fibrilar encaixa como uma luva ao textual proposto por Malick.

“The Tree of Life” é um filme sobre relações intermitentes, filme de pulsações, porém indeléveis. Suas marcas estão aí (a formação do Universo) e não poderão jamais ser apagadas. Trata-se de uma ode aos aspectos mais minimalistas da Natureza , da vida humana e da crença em Deus. Na FÉ. Malick é um poeta e este filme é um poema sobre a essência do ser humano, seus receios, defeitos, virtudes, sonhos, emoções e tudo o mais, com uma estrondosa banda-sonora de Alexandre Desplat, complemento ideal das imagens que irrompem pelos nossos olhos adentro. Um filme icnográfico que não renuncia sua ousadia e experimentação para se perder em referências convencionais. Não é um filme fácil. Digestivo. É Caótico. Catarse. Instintivo.

Malick é um obstinado incurável e incansável em sua obra, criando uma atmosfera sinestésica que conecta os atravessamentos rizomático da histórica contada, em um apogeu épico e grandioso. O presidente do juri de Cannes de 2011, Robert De Niro, quando foi entregar o premio de melhor filme do festival explicou que a escolha de “The Tree of Life” foi difícil, porém “Tinha o tamanho, a importância, a intenção, o que quer que você fale, parecia se adequar ao prêmio”.

O cinema arte existe e pulsa enquanto Malick continuar em suas reclusões criativas (ele não concede entrevistas, ficou mais de 20 anos sem filmar entre “Days of Heaven e “The Thin Red Line”). E nós ficamos com as frases iniciais da Srª O’Brien: “existem dois caminhos na vida; o da natureza e o da Graça”. Terrence mistura os dois e nos serve. Nós bebemos! Amém!

As luzes solitarias de Coppola

Opinião

por Caroline Araújo

 

O cinema nasceu como ciência, antes de um devir arte. Era a tentativa de entender ou conseguir reproduzir o que o olho, o olhar humano conseguia ver, ser, transcender.  Depois, do empurrão cientifico, nas artes, teve o desdobramento entretenimento onde ganhou popularidade e galgou varias outras dimensões.

Acontece que, dede o primeiro contato que o cinema teve com a arte, esta nunca deixou de ser transformado por ela e de transformar por meio dela. Esta é a essência que vemos em “TETRO – Tetro(2010)” o primeiro roteiro original de  Francis
Ford Coppola
desde aquele que muitos consideram seu melhor filme, A Conversação (1974).

Os relacionamentos familiares povoam a maior parte das obras de Coppola, quem sabe seja um reflexo deste realizador de 71, através de um mosaico sentimental, suas próprias incertezas e dúvidas sobre o tema que circunda a maior parte de seus filmes: a família.

TETRO”, nos mostra uma outra visão de família de Coppola, um filme onde teatro, dança e ópera se misturam em  metalinguagem para comentar a história que está sendo contada.

A arte alinhava tudo. Nada mais natural, já que estamos diante de uma família de artistas. Escritor promissor, Tetro (Vincent
Gallo
) se isolou na Argentina para fugir da onipresença de seu pai, um maestro famoso, regente em Nova York. Faz anos que Tetro fugiu, e seu irmão mais novo, Bennie (Alden Ehrenreich), garçom de cruzeiro, prestes a completar 18 anos, aproveita uma parada no porto de Buenos Aires para procurar seu irmão-ídolo – mas o Tetro que ele encontra não é o mesmo das suas lembranças.

A trama vai sendo apresentada aos poucos, uma parte pelo próprio Tetro e outra através dos textos que ele havia escrito. Benny, com o auxílio de Miranda, esposa de Tetro, vai encontrando e unindo as peças, para entender um pouco mais sobre sua família. Fortes luzes estroboscópicas do inicio, que se tornam um elemento recorrente no decorrer do filme e que, quando explicadas, passam a justificar o comportamento de Tetro, metalinguagem pura e inteligentíssima de Coppola. Assim como essas luzes, o maestro Carlo, pai dos dois irmãos, também é uma figura onipresente personificando a  figura opressora e inimigo comum de Tetro e Benny.

Absolutamente este é um filme que mostra que o cinema de autor ainda pode funciona, caso seja bem feito.  “Tetro”, Coppola reafirma opções de estilo feitas ainda em início de carreira, insere-se na melhor tradição hollywoodiana do melodrama e, contra todas as expectativas,  e seus próprios tropeços , rejuvenesce a sua obra. Um despertar competente.

As atuações de Vincent Gallo, Mirabel Verdú e Alden Ehrenreich ao lado da fotografia, é o principal ponto positivo de Tetro. Gallo convence como um rebelde rapaz que tenta reconstruir a vida em outro lugar, longe de sua família achando que o
passado pode ser esquecido se não for “mexido”.  Mirabel vive uma excelente companheira, acostumada aos altos e baixos de seu marido. O destaque fica por conta de Ehrenreich, vivendo o curioso Benny, personagem responsável por mover toda a engrenagem da história.

 

Todo em preto e branco, utilizando as cores para aquarelar as memórias de Tetro, Coppola compõe um belo poema. Preciso, firme, com um trabalho de pós produção delicado, que somatizam a potencialidade interpretativa, gerando uma obra bela.

 “Tetro” é assombrado pelas cobranças do “palco” (“só há espaço para um gênio nesta família”, diz seu pai), pela ferrenha critica de Srª ALONE ( sozinha ) por exemplo, Coppola transforma os vários monitores do festival literário em coro e a própria não reação de Tetro aos acontecimentos, na sua catarse solitária que esperava pela vazão. Com isso ele povoa o quadro cinematográfico de tal maneira e ainda arruma uma forma inventiva de traduzir as vozes do público que exigem de Tetro a sua obra-prima. A verdade sobre si.  Tocante. A frase final no encontro de Tetro e Benny, onde resume-se tudo: No fim, somos uma Família. imperfeita. Rival em si. Mas, família. Catarse do diretor.  Ótima cinematografia para se apreciar. Valeu Coppola.

A barbaridade de um furão

 Pré Estreia

por Caroline Araújo

“Eu vivo, eu amo, eu mato e me satisfaço.” Sim, eu sou um bárbaro! Imagine onde foi que Robert E. Howard, em pleno 1932 encontrou inspiração para criar a saga do cimério CONAN, do fictício continente da Hibórea, nadando na literatura pulp da época e que sofreu de forma positiva uma transmídiação, vindo a ser HQ’s, Filmes, Séries televisivas e gamers. Henry Jenkis poderia facilmente estudar o efeito CONAN em seu trabalho de Cultura de Convergência.

Em fim, o bárbaro cimério sobreviveu 80 anos por manter sua inabalável fé na satisfação em “esmagar seus inimigos, vê-los caídos diante de seus olhos e ouvir os lamentos de suas mulheres”.  Essa motivação honesta ao menos deveria sirva de lição para o que Hollywood  reencontrasse motivações verdadeiras em suas produções de gênero.

“CONAN, the Barbarian – CONAN, O Bárbaro” (2011) dirigido por Marcus Nispel, que no passado demonstrou estilo e conhecimento do cinema de gênero realizando filmes como “ O Massacre da Serra Elétrica”, “Sexta Feira 13” e os “Desbravadores”, realiza aqui seu pior filme ABSOLUTAMENTE.

Primeiramente o filme que acaba de aterrissar nos cinemas mundiais não é um remake apesar do título idêntico ao do filme de 1982 estrelado por Arnold Schwarzenegger, e dirigido então por John Milius (“Amanhecer Violento” “Farewell to the King”). O Longa de Nispel de certa maneira, é até mais fiel ao material original que o longa-metragem dirigido por John, muito
mais próximo do ladrão hábil que E. Howard imaginou em 1932.

Jason Momoa (Game of Thrones), o novo cimério da parada, faz um trabalho mediano, nada estrelar. Luta bem. Tem porte de bárbaro, tem a mistura certa de carisma e brutalidade e até um certo ar exótico, mais que o louro Schwarzenegger dos anos 80.

A história é quase a mesma. O jovem Conan sobrevive ao massacre de seu povo por um conquistador e cresce em busca de vingança. Aqui o alvo dessa jornada é Khalar Zim (Stephen Lang), vilão que busca reunir todas as partes de uma máscara ancestral para reviver sua esposa, uma feiticeira poderosa, e juntos dominarem o mundo (Pink e Cérebro).

Contudo, a  criatividade dá lugar a um mecanismo carregado de exageros que na busca pela fidelidade ao material original de 1932, beira a vulgaridade, sendo extremamente chato e não conseguindo fazer o básico num filme de gênero fantasioso como este: Cenas de ação e bruxaria minimamente verossímeis.

Não é possível não fazer comparações. Se o original de 1982 tinha a brilhante trilha sonora de Basil Poledouris, cheia de fúria retumbante que fazia o espectador também querer SANGUE, a composição de Tyler Bates parece mais interessada em emular games como God of War. Falsa. Completamente.

O elenco de apoio é outro ponto solto. Deixa a desejar. Lang, repetindo a pose de vilão de Avatar é uma caricatura igual a  Rose McGowan , exagerada como a filha feiticeira de Zim, Marique, que só sabe revirar os olhos e fazer caras e bocas cretinas. Rachel Nichols interpreta a puro sangue sacerdotisa Tamara, mas nem os belos olhos brilhantes conseguem empurrar sua atuação. A mistura de donzela e guerreira não ressoou verdadeira. Da mesma maneira que o “Aprouch” de Sor CONAN e Tamara. Monja safadinha. E rápida hein.

Milius, que efetivamente entende o cinema e seus recursos, entregou sequências memoráveis – como a do bela elipse do crescimento do menino-escravo Conan na roda da moenda ou o ataque misterioso do início do filme na película de 1982.  No novo longa de Nispel, existe uma  busca desesperada de  adequar-se à ideia do cinema de “espada e feitiçaria” que corre hoje em Hollywood, como ele próprio fizera em “Desbravadores”, porém ele falha com força em CONAN.

Os eventos se sucedem de maneira corrida, não conseguimos sentir que um evento leva ao outro automaticamente. É como se estivéssemos pulando de um galho para o outro. Arrastado, sem nenhuma força impactante que seja sentida pelo espectador. Imagine que um filme de SANGUE, LUTA, VINGANÇA, não tenha minimamente ALMA de aventura. Pois bem, este novo CONAN é assim. Apensa de um começo interessante com o jovem Conan aparecendo como um pequeno selvagem, enfrentando sozinho quatro guerreiros e matando-os em segundos cheio de malabarismos bonitos, tudo arrefece rapidamente.

O “Barbarian” não é tão bárbaro assim, a brutalidade foi dar uma voltinha na praça da SÈ e não disse se volta, e  o subtexto cinematográfico não encontrou tradutor a altura. E ainda tem o bendito 3D. Faz me rir. Utilizando a musica de Tina Tuner que embala um outro “bárbaro” cult do cinema “We Don’t need another Hero”.

Quando o filme não tem Sazón…

Em cartaz

por Caroline Araújo

De boa intenção o inferno esta cheio é a máxima que define o novo “super bem intencionado” filme dirigido por Tom Hanks. O tema cheio de otimismo em face da situação econômica dos EUA parecia um tiro certo, uma injeção de ânimo em uma faixa de público específica, contando não apenas com a direção, mas com o roteiro e a atuação de Hanks em um dueto com a sempre bela Julia Roberts. Entretanto, temos uma película que não equilibra. Nem muito humor nem muito drama, algo entre inofensivo e sem gosto.

A premissa de “Larry Crowne – O Amor esta de Volta” (2011) é interessante e é fácil se identificar com os protagonistas durante a trama. Larry (Hanks) é um funcionário exemplar que trabalha em uma rede de supermercados, a Umart (qualquer semelhança é mera coincidência.. ou não). Mas a rotina certinha logo é destruída quando, achando que vai ganhar pela nona vez o prêmio de funcionário do mês, ele é demitido. O motivo: Não possuir um curso superior. A solução: Entrar em uma universidade.

 

Eis que nesta nova etapa da vida, além de fazer amizade com a bela e jovial Talia (Gugu Mbatha-Raw) e passar a integrar uma GANG¿ que fica rodando de Scotter , Larry conhece a professora Mercedes Tainot (Julia Roberts): emburrada, desiludida e desmotivada,  que não parece ser um exemplo de educadora nem aqui nem na conchinchina.

A direção de arte, assinada pelo cubano Carlos Menéndez (Miami Vice), acerta e dá um toque retrô ao filme, principalmente nas cenas da gang de scooters o que torna eficiente e ajuda a compor uma “aurea” de cada personagem. A trilha sonora segue a mesma linha e consegue deixar o longa um pouco menos morno com Hold on tight, Calling America, entre outros, e fica por conta de James Newton Howard.

Hanks e Roberts são bons. Ele já acostumado aos tipos pretensiosamente simpáticos e ela com a eterna infeliz e incompreendida. O elenco de apoio é competentíssimo. Hanks tem uma ótima mão para direção de cena. Chamo a atenção para alguns enquadramentos diferenciados na fotografia. Uma mistura dos planos convencionais com alguns inusitados como o olho de peixe do olho mágico da porta, ou os super closes das lanternas de carro. Isso dá uma quebrada na monotonia bege do projeto como um todo.

Verdade também seja dita. Os diálogos do roteiro são bons. Mas apenas eles. Nia Vardolos( Tula de Casamento Grego) que assina com Hanks o guión, é boa. Mas a dupla falhou feio, pois não só de diálogos legais vive um filme. Tem que ter um pouco de
tutano.

A história de uma cinquentão que vai para os bancos universitários e rola um “ affair” com a Teacher alcoólatra e recalcada é cheio de adversidades dramáticas e pontos de superação, porém da forma como foi feito “Larry Crowne” é tão morno, tão morno que nem para chazinho essa água serve. Tudo dá errado para você. “Tudo bem, amanhã é outro dia” Eca! Auto – ajuda deprimente. CVV é melhor que isso.

O filme em si ficou falso, vazio, sem tesão. Se a vida sem tesão é uma porcaria, imagina ficção sem tesão. Não dá né! A mensagem final de superação e de que nunca é tarde para recomeçar, independente da idade ficou solta no universo. Quem sabe com isso, Hanks entenda que dirigir um filme depois de 15 anos – The wondres foi rodado em 1996 – as vezes não é igual a andar de bicicleta.

Ps: e totalmente desnesserário a caricatura do professor de economia. Eu tive até pesadelo com aquele ser de botóx e cara de peixe palhaço!

O levante de um líder.

Em cartaz

por Caroline Araújo

 

“Dai a Cesar o que é de Cesar.” A obra original deste franchise(com Charlton Heston a encabeçar o elenco) estreou no longínquo ano de 1968 e depressa se tornou uma obra de culto. Anos depois, ganhou algumas refilmagens que apenas atolaram a pilha de filmes risíveis. Agora ao invés de remake ou sequencia, mais um episódio, ou melhor, o inicio de tudo , aporta nas telas ao redor do globo.

“Prequelas” possuem um sentimento de fatalismo que de certa forma, jogam sobre elas um “blush” interessantes. Como o espectador já conhece o que se vai passar no futuro, ele observa todos os acontecimentos com outros olhos, sendo cumplice entre a tela e a audiência, elevando as qualidades da obra em questão e encobrindo os seus defeitos, claro.

De qualquer maneira “Rise of the Planet of the Apes – A Origem do Planeta dos Macacos” (2011) trama dirigida por Rupert Wyatt e escrita por Amanda Silver e Rick Jaffa que nos joga dentro da saga de um planeta Terra sem homens, dominado por macacos, sendo uma “Prequela”, obvisamente não sairia ilesa de defeitos. Porém, sua amalgama com o público foi tão bem feita, que estes por menores passam, quase sem incomodar.

A história coloca o foco em Will Rodman (James Franco) um cientista que tenta encontrar uma cura para o Alzheimer, doença esta que afecta o seu pai (John Lithgow). Ele está a desenvolver o produto Alz – 112, e começa os testes em chimpanzés.  Mesmo
tendo dados extraordinários positivamente falando com os testes símios, um incidente ocorre que faz com que o projeto seja posto de lado, para desagrado de Will e os seus colaboradores. É ordenado o abate de todos os chimpanzés, mas Will, em segredo adota o chimpanzé Cesar (Andy Serkis), sem de longe sonhar que este seria o futuro líder da revolução dos macacos.

Primeiro ponto positivo: Andy Serkis proporciona-nos uma brilhante interpretação de Cesar, que deve mesmo ser sublinhada, pois faz o filme todo. Suas expressões, seus olhares. É muito intenso. Muito vivo! Até o clímax de seu personagem, que seria
o ultimo estágio para atestar sua incrível inteligência, é algo ferozmente denso em sua atuação.

 “Rise of the Planet of the Apes” não malhar muito para se afirmar como uma obra de entretenimento puro e eficaz.  É precisa. Competente. Acima de qualquer outra coisa, é uma aventura à boa maneira de Hollywood, com efeitos especiais de topo uma banda-sonora de Patrick Doyle empolgante, interpretações suficientemente seguras para prender o espectador à cadeira e um desenvolvimento narrativo fluido e entusiasmante, vários pontos de viradas e muitas pistas que fazem quem assisti ligar uma cena em um possível acontecimento futuro.

James Franco, esta bem. Não é nada demais, mas também não avacalha ( ao menos).No fim de contas, Rupert Wyatt tentou transmitir uma mensagem relevante, criticando o modo de ação do ser humano prepotente e refratando isso sobre o lado mais negro da engenharia genética. Os macacos digitais são surpreendentes e toda a ação é filmada com senso de sobriedade e crescente narrativo muito bem alinhavado.

Com um final, a lá “Eu sou a Lenda”, “Rise of the Planet of the Apes” preenche varias lacunas sobre essa história vanguardista, e eternamente atual. A final, sejam dominações dos macacos, maquinas ou ET’s, ao que parece a sombra negra da possível dizimação da raça humana, ainda é e será um fascínio ao homens por um bom tempo.

Love.. sempre ele!

Em cartaz

por Caroline Araújo

Por entre o manancial de produções voltadas para piadas escatológicas e situações repetitivas, eis que vez ou outra, enredos críveis, e acima disso, perfeitamente tangíveis ao público fazem-se presente nas telas.

“Crazy, Stupid, Love – Amor a toda Prova”(2011) dirgido pela dupla Glen Ficarra e John Requa (O Golpista do Ano) não é a ultima tostines do pacote, entretanto, nos brinda com uma história perfeitamente real falando sobre as escolhas que fazemos no caminhar de nossas vidas. Queremos o que¿ constituir família, criar laços e refestelar em memórias, ou sermos garanhões soltos, sem destinos e sem portos seguros para atracar¿

Cal Weaver (Steve Carell) é um corretor de seguros com uma emprego estável, casamento longevo e dois filhos brilhantes. Com um porém: sua esposa, Emily (Julianne Moore), cansou dos 25 anos de união e quer o divórcio. Cal, que desde a
adolescência só conheceu os prazeres sexuais providos por uma mulher, terá de voltar à caça, dessa vez com a ajuda de Jacob
(Ryan Gosling),
um tipo arrasa-quarteirão que conquista todas.

“Crazy, Stupid, Love” foge de formulas fáceis e aposta as fichas em um roteiro maduro, cheio de nuances interpretativas e em um time de atores de tirar o chapéu. Emma Stone, Maria Tomei e Kevin Bacon completam esse time. Outra coisa bacana, é a referencia à Patrick Swayze, como uma grande homenagem a um dos maiores galãs de comédias românticas de todos os  tempos.

O ponto clímax do filme, foi no timing correto, assim como as saidinhas engraçadas de Carell que davam o tom mais leve a trama de seu relacionamento em questão. Gosling empresta o seu charme natural, sem esforço. Seu personagem, talvez pelas veste me lembrasse de um pouco Brad Pitt em “Onze Homens e um segredo”. Mesmo assim, nada que comprometa.

“Crazy, Studip, Love” poderia ser mais do mesmo, mas foi feito com esmero, tendo uma boa fotografia de Andrew Dunn, e servindo inclusive de exemplo para o filão de comédias românticas nacionais observar e se inspirar. Ideias simples, atuações corretas, texto verossímil. Temos um entretenimento. Sem grandes pretensões. Apenas; correto. Vale o ingresso.