A barbaridade de um furão


 Pré Estreia

por Caroline Araújo

“Eu vivo, eu amo, eu mato e me satisfaço.” Sim, eu sou um bárbaro! Imagine onde foi que Robert E. Howard, em pleno 1932 encontrou inspiração para criar a saga do cimério CONAN, do fictício continente da Hibórea, nadando na literatura pulp da época e que sofreu de forma positiva uma transmídiação, vindo a ser HQ’s, Filmes, Séries televisivas e gamers. Henry Jenkis poderia facilmente estudar o efeito CONAN em seu trabalho de Cultura de Convergência.

Em fim, o bárbaro cimério sobreviveu 80 anos por manter sua inabalável fé na satisfação em “esmagar seus inimigos, vê-los caídos diante de seus olhos e ouvir os lamentos de suas mulheres”.  Essa motivação honesta ao menos deveria sirva de lição para o que Hollywood  reencontrasse motivações verdadeiras em suas produções de gênero.

“CONAN, the Barbarian – CONAN, O Bárbaro” (2011) dirigido por Marcus Nispel, que no passado demonstrou estilo e conhecimento do cinema de gênero realizando filmes como “ O Massacre da Serra Elétrica”, “Sexta Feira 13” e os “Desbravadores”, realiza aqui seu pior filme ABSOLUTAMENTE.

Primeiramente o filme que acaba de aterrissar nos cinemas mundiais não é um remake apesar do título idêntico ao do filme de 1982 estrelado por Arnold Schwarzenegger, e dirigido então por John Milius (“Amanhecer Violento” “Farewell to the King”). O Longa de Nispel de certa maneira, é até mais fiel ao material original que o longa-metragem dirigido por John, muito
mais próximo do ladrão hábil que E. Howard imaginou em 1932.

Jason Momoa (Game of Thrones), o novo cimério da parada, faz um trabalho mediano, nada estrelar. Luta bem. Tem porte de bárbaro, tem a mistura certa de carisma e brutalidade e até um certo ar exótico, mais que o louro Schwarzenegger dos anos 80.

A história é quase a mesma. O jovem Conan sobrevive ao massacre de seu povo por um conquistador e cresce em busca de vingança. Aqui o alvo dessa jornada é Khalar Zim (Stephen Lang), vilão que busca reunir todas as partes de uma máscara ancestral para reviver sua esposa, uma feiticeira poderosa, e juntos dominarem o mundo (Pink e Cérebro).

Contudo, a  criatividade dá lugar a um mecanismo carregado de exageros que na busca pela fidelidade ao material original de 1932, beira a vulgaridade, sendo extremamente chato e não conseguindo fazer o básico num filme de gênero fantasioso como este: Cenas de ação e bruxaria minimamente verossímeis.

Não é possível não fazer comparações. Se o original de 1982 tinha a brilhante trilha sonora de Basil Poledouris, cheia de fúria retumbante que fazia o espectador também querer SANGUE, a composição de Tyler Bates parece mais interessada em emular games como God of War. Falsa. Completamente.

O elenco de apoio é outro ponto solto. Deixa a desejar. Lang, repetindo a pose de vilão de Avatar é uma caricatura igual a  Rose McGowan , exagerada como a filha feiticeira de Zim, Marique, que só sabe revirar os olhos e fazer caras e bocas cretinas. Rachel Nichols interpreta a puro sangue sacerdotisa Tamara, mas nem os belos olhos brilhantes conseguem empurrar sua atuação. A mistura de donzela e guerreira não ressoou verdadeira. Da mesma maneira que o “Aprouch” de Sor CONAN e Tamara. Monja safadinha. E rápida hein.

Milius, que efetivamente entende o cinema e seus recursos, entregou sequências memoráveis – como a do bela elipse do crescimento do menino-escravo Conan na roda da moenda ou o ataque misterioso do início do filme na película de 1982.  No novo longa de Nispel, existe uma  busca desesperada de  adequar-se à ideia do cinema de “espada e feitiçaria” que corre hoje em Hollywood, como ele próprio fizera em “Desbravadores”, porém ele falha com força em CONAN.

Os eventos se sucedem de maneira corrida, não conseguimos sentir que um evento leva ao outro automaticamente. É como se estivéssemos pulando de um galho para o outro. Arrastado, sem nenhuma força impactante que seja sentida pelo espectador. Imagine que um filme de SANGUE, LUTA, VINGANÇA, não tenha minimamente ALMA de aventura. Pois bem, este novo CONAN é assim. Apensa de um começo interessante com o jovem Conan aparecendo como um pequeno selvagem, enfrentando sozinho quatro guerreiros e matando-os em segundos cheio de malabarismos bonitos, tudo arrefece rapidamente.

O “Barbarian” não é tão bárbaro assim, a brutalidade foi dar uma voltinha na praça da SÈ e não disse se volta, e  o subtexto cinematográfico não encontrou tradutor a altura. E ainda tem o bendito 3D. Faz me rir. Utilizando a musica de Tina Tuner que embala um outro “bárbaro” cult do cinema “We Don’t need another Hero”.

Uma resposta para “A barbaridade de um furão

  1. Obrigado. Já tava meio assim pra ir assistir Conan, apesar de ser fanzão, pq já no trailer dava pra ver que o Conan tava longe de ser conan… Po, o cara era chamado de gigante de bronze e colocam um cara bem pequeno pra ser um conan. De qualquer forma vou assistir pra confirma rque é uma merda.

    bom que da vntade de reassistir os antigos😉

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