O “Home Run” do ano!


Opinião

Por Caroline Araújo

Mostrar os bastidores de alguns dos esportes mais populares das terras do Tio Sam é mais que recorrente em filmes de Hollywood. Até ai, nenhuma novidade. Em tempos de mitologias gregas, façamos o seguinte: Juntamos dois Titãs consagrados de roteiros – Steven Zaillian (“A Lista de Schindler”) e Aaron Sorkin ( “The Social Network”), um homem de coração puro e alma destemida para comandar a nau como o diretor Bennett Miller (“Capote”), e o próprio Apolo sob a terra – BRAD PITT –  para personificar um homem comum, mas de princípios sérios. Tudo em seus devidos lugares¿ sim¿ Ok, então temos nas mãos uma das equações mais positivas do cinema de Hollywood da atualidade.

Não é todo mundo que gosta de números, contudo, a cada dia eu acho a lógica da matemática e dos números fundamental. Para tudo!! Acredito sim, que existe uma dinâmica e uma repetição cíclica de fatos, uma previsibilidade no desempenho humano – seja ele aplicado no que for – que fascina. E que pode nos ajudar a buscar mais eficiência evitando erros conhecidos e que mundanamente persistem. Ainda assim, é claro, existe também o imprevisível. Verdade. Mas ele é apenas o contraponto de toda a previsibilidade calculável.

“Moneyball – O Homem que mudou o Jogo” (2012) a nova incursão de Miller na direção é uma longa baseado no livro de Michael Lewis sobre a temporada de 2002 do fracassado time de baseball Oakland Athletics. O filme acompanha as desventuras de Billy Beane (Brad Pitt), gerente do malfadado time que após uma temporada tão gloriosa quanto frustrante (uma equipa de basebol do meio da tabela) – cansa-se do padrão de funcionamento que os dirigentes impingem nos times. Fruto de capacidades económicas mais frágeis, e vendo os seus melhores jogadores constantemente serem desviados para as equipes mais abastadas, fazendo com que o time que comanda viva o ciclo vicioso de se contentar com as migalhas, impedindo-os de competir numa prova marcada pela lei do mais forte e pela falta de fair-play financeiro, Beane resolve usar um método apresentado a ele por Peter Brend (Jonah Hill), um jovem economista que cai no mundo do baseball utilizando fórmulas matemáticas para montar times.

Brend aponta que a fórmula de comprar astros de baseball é errada. Não são astros que uma equipe deve ter, mas vitorias. “E isso só é possível se você tiver jogadores que tenham boas médias em todos os fundamentos, e que custem 10 vezes menos que os Astros.” Você deve comprar Vitórias”, não jogadores.

Bennett Miller surge no panorama cinematográfico como um daqueles realizadores que só se envolve nos projetos que realmente lhe dizem alguma coisa, afastando-se um pouco da máquina de fazer cinema que é Hollywood. E isso nos salta aos olhos nos belos closes, e montagem de quadros que são mais que simplesmente imagens. Silenciosamente a composição delas fala ao espectador. A narrativa não se livra de alguns dos habituais lugares-comuns do gênero de filme esportivo, que isso fique bem claro. Mas acontecimentos inesperados sempre lhe dão algum espaço para brilhar e inovar, transformando o poderia ser um filme previsível numa obra repleta de simbolismo e uma forte carga emocional.

Pitt faz-nos acreditar na dor interna de Billy Beane com uma facilidade tremenda e Miller insere-nos na esfera dos acontecimentos com uma naturalidade deveras abismal.Nós passamos a viver o filme.Mas, “Moneyball” é muito mais que um filme sobre basebol, sobretudo porque emiti uma enorme mensagem de esperança e alertar a humanidade para a importância da integridade numa era pautada pela doença do dinheiro. Fotografia clara, bem dosada. Montagem construída com cenas emocionante de jogos ganhos no último minuto.

A força de um protagonista perseguido por fantasmas das escolhas do passado –“será que foram corretas¿” E um dueto fantástico! Pitt e Hill possuem diálogos que em vários momentos parece um jogo (metalinguagem), onde cada um rebate e completa a fala do outro. Philip Seymour Hoffman empresta sua faceta como o técnico dos Oakland que faz gosto ruim para as estratégias de Beane, e ficamos com ódio dele. Boa atuação.

Mas temos que destacar outro mérito de Miller: A Produção impecável! ele observou cada detalhe e assim, nos sentimos mergulhados no campeonato de 2002. Até mesmo as narrações dos jogos que vemos em tela foram feitas pelos narradores oficial da NFL, que falavam sem roteiro, apenas vendo as cenas. O estádio do Oakland Athletics também recebeu vários detalhes daquele ano de 2002, e até os patrocinadores da época foram trazidos de volta.

“Moneyball” defende a ideia de que o dinheiro não é o mais importante. Beane é um idealista, pai carinhoso, mas também um sujeito frustrado que, um dia, acreditou no sonho de um futuro fantástico, como esportista, e que viu suas ilusões terminarem sem o êxito prometido. Mas isso não justifica trair seus princípios, superstições e caráter. O filme é atual, real e próximo do espectador. Vivo. Pitt esta absoluto! Alias, há um bom tempo não existe um ator que consiga ter uma pluralidade de papéis e proporcionar a cada um deles interpretações únicas como este cara tem feito. Fora indicado ao Globo de Ouro de melhor ator drama, mas não levou. Pecado.

 

Nesta nova temporada de premiações “Moneyball” deve ganhar indicações de Roteiro adaptado, fotografia, montagem, ator coadjuvante e Melhor Ator para Pitt. E se os deuses do Olimpo mexerem os dedinhos, quem sabe, dessa vez ele leve. Amém!

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