Simplesmente J. Edgar – Oscar 2012


Opinião

Por Caroline Araújo

A palavre chave dessa vez é DIDATÍSMO. Sim. A mais recente empreitada de Clint Eastwood na direção, conserva apenas a sua assinatura fotografia e a predileção por temas de época, que datam algum momento parte da história. Contudo, deixando o quinhão de reflexão que tão habilmente acostumou-se a usar, Super Clint, nos entrega, um filme informativo, quase uma reconstituição de fatos, sobre o homem por trás da construção de um dos aparelhos de justiça mais eficientes da história americana. O FBI.

“J. Edgar”(2011), começa sua história ainda na década de 20, onde temos um jovem J. Edgar Hoover, interpretado de forma magnânima por Leonardo de Caprio, que dedica sua vida quase que exclusivamente ao trabalho, e dessa forma, vai galgando degraus e rapidamente ascende a posição de Diretor Chefe do Bureau de investigação que mais a diante transformara-se no FBI.

De certa forma, Eastwood, fez uma escolha detalhista, em alguns pontos demasiada, ao optar por mostrar passo a passo a transição do jovem idealista Hoover para o diretor do FBI que chantageava presidentes, demitia agentes por não estarem de acordo com o padrão intelectual e físico( e estilístico também!) desejado por ele e controlava a mídia divulgando mentiras.

 

Di Caprio, personifica Hoover com uma paleta de nuances impressionante, vemos o velho diretor em fim de carreira lutando para defender a imagem do FBI que teme ver tudo o que construiu desmoronar. Mas no fundo, a rocha e a retidão que ele externa, são apenas um muro, para esconder a fragilidade desse homem que se escondeu a vida inteira dentro de si mesmo. Um homem egoísta, arrogante, inseguro, paranoico que conseguimos desvelar cada camada, embora, mesmo que a maquiagem tenha corroborado para a atmosfera cênica, eu acho que em alguns momentos ela ficou over por demais. Mas isso passa batidão.

“J. Edgar”  é um bom filme, tem a marca, pulso e cadência, características do bom trabalho que Eastwood sempre executa. Contudo, a tentativa de Clint em humanizar um dos ícones mais famosos da história americana do século 20, é exitante, e parece nos contar apenas meias histórias.

A questão sexual de Hoover, sua homossexualidade, foi tratada de forma inteligente e tocante, mas grande parte do mérito deve ser creditada ao parceiro de Di Caprio em cena, Armie Hammer (“The Social Network”) que criou com Leo um dueto perfeito. Uma das cenas mais poderosas, é quando Hoover, após perder a mãe, se veste de mulher frente a um espelho e estilhaça um colar com um choro copiosamente dolorido. Isso nos leva a angustia que deva ter sido sua vida, escondendo-se entre estatuas que colecionava em seu quarto (só vemos isso quando ele sucumbe ao fim do filme) e entre o peso de externar uma retidão absurda de caráter.

Naomi Watts integra o elenco central, sendo a secretaria e confidente, que passa quase 40 anos ao lado de Hoover. Singela sua participação. Judi Dench como sempre é uma atriz que agrega em suas interpretações. O peso do preconceito, da instituição família, do dar importância ao que os outros ( sociedade) encaram como certo esta todos enraizado nas suas aparições. perfeita A delicada construção que Clint faz, do Herói e anti –herói ( Sim Hoover se enquadra em ambos) é um belo trabalho.

Sem duvida alguma, Di Caprio entrega-se e é este filme. Sem o peso que devota, não teria a importância e magnitude que conseguiu externar. Não é uma das obras primas de Eastwood, mas vale cada centavo do ingresso. Recebeu varias criticas positivas e indicações ao Globo de ouro, entretanto, no Oscar deste ano, foi solenemente ignorado. Uma pena. Di Caprio merecidamente deveria estar com seu nominho nessa lista.

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