Precisamos falar sobre NOSSOS Kevin’s – Oscar 2012


Opinião

Por Caroline Araújo

A visão rubra que se espalha pela tela não irá desmanchar-se ao final da película. Ela vai continuar em sua mente, mesmo que não queira, não tem como apagar. Lynne Ramsay, diretora escocesa, foi classificada em 2007 como número 12 do mundo na lista do Guardian Unlimited  que aponta os 40 melhores diretores da atualidade – só para constar o Brasil é representado po Walter Salles que ocupa a 23ª posição. Não é a toda que Ramsay ocupa esse ranking, e seu mais novo trabalho mostra por que.

Desconcertante. Um grito mudo, mas feroz. “We need talk about Kevin – Precisamos falar sobre Kevin”(2011), Lynne constrói um recorte sobre a onda de violência que jovens de hoje vem protagonizando, entrando em suas escolas, matando colegas, suicidando-se e por ai vai. Contudo a forma como Lynne conduz esse recorte, é assustadoramente mordaz.

Onde reside o mau no ser humano¿ Como conseguimos identifica-lo¿ Um pai, ou mãe seria capaz de compreender que seu filho, de certa forma não presta¿ Posso continuar a esmiuçar perguntas, e todas são aplicáveis ao cerne desta película. O ser humano em si, é mau; naturalmente mau  e muita vezes pode ou não aceita se dar conta disso.

Nosso Kevin em questão, é um garoto bonito, saudável, mas que desde criança apresenta alguns sinais “estranhos”. Um misto de criança mimada, com criança emburrada, sabe lá, vai crescendo e germinando maldades, principalmente na total falta de afeto que aparentemente demostrar possuir por sua mãe, Eva, personificada pela competência e beleza andrógena de Tilda Swinton. A própria mãe, de certa forma, expressa a incredulidade pelas ações do filho, mas diariamente se força atentar amar, compreender, e achar  outra forma de se aproximar de seu filho. Tudo em vão.

Ramsay, habilmente opta pela construção de uma narrativa estilhaçada, onde ao mesmo tempo conhecemos Eva livre e feliz no inicio de sua relação com Francklin  –John C. Reilly  ; depois em um jump cut temos Eva mãe tentando compreender a rejeição e ações capitaneadas pelo filho, e posteriore, Eva trapo humano, sofrendo agressões por ser mãe de um párea, frio, calculista e sarcasticamente odioso em uma interpretação inspirada do jovem Ezra Miller.

Fotograficamente bem feito, bem marcado, com uma direção de arte limpa, e cheia de vazios em grandes espaços, que traduz exatamente a extensão de vazio dentro dessa relação familiar tão delicada. Ótima sacada. Tilda, emprega seu olhar languido na construção de uma Eva que esmorece, mas, ainda sim, executa seu papel de mãe até o fim, sofrendo, aceitando a culpa, e não eximindo a responsabilidade de responder pelo que seu filho monstruoso fez.

Surpreendente e denso. Ramsay fez um ótimo filme. Aclamado pela critica, e em varias premiações internacionais, foi totalmente preterido nesta edição do Oscar. Uma pena lastimável. Por seu roteiro bem estruturado merecia a indicação de Melhor Roteiro adaptado, pois é inspirado  no romance de Lionel Shriver, merecia uma indicação tanto para Tilda como para Ezra. Pena. Pena. Pena.

Uma palavra resume tudo. DILACERENTE. Filmografia obrigatória aos cinéfilos de plantão.

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