DRIVE ME, please! – OSCAR 2012


Opinião

Por Caroline Araújo

A nostalgia oitentista arrebata do inicio ao fim. O Cheiro de asfalto quente, inebria, ainda mais embalado por canções que te jogam em um turbilhão de referencias, que são dosadas, homeopaticamente para criar uma atmosfera sensorial incrível, e verdadeiramente cinematografica.

“DRIVE”(2011) do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, que deixou Cannes em 2011 de boca aberta, é um misto de Lynch e Tarantino em suas melhores assinaturas. Ousado e inspirado. Sim, Refn absolutamente estava bem inspirado nesse trabalho. Pense que, ele pega uma historia banal, de um cara inexpressivo que usa um casaco branco com marca de escorpião amarelo ridículo, e consegue alçar esse cara de forma ascendente, e transforma-lo num anti- herói, tão herói que torcemos por ele.

Ryan Gosling é nosso “Driver” em questão. Sujeito calado, quando fala sua voz pouco sobe. Inexpressivo, porém sempre prestativo, trabalha como dublê cinematográfico, e como motorista de assaltos esporádicos, além é claro, de ser um faz tudo para seu amigo e protetor Shanon interpretado por  Bryan Cranston. O personagens que nos é mostrado no inicio, aos poucos, desvela uma fúria e grandeza interpretativa voraz.

Gosling explode! E como explode!!! E Isso é monstruosamente belo. Em outras criticas de filmes em que ele participa, sempre chamei a atenção para a forma como ele se entrega aos personagens. Em “DRIVE”, credito, que seja o papel onde melhor ele pode mostrar seu talento, explorando nuances e mais nuances interpretativas. Estonteante.

Carey Mulligan que dá vida a personagem feminina da película, é Irene, vizinha de Drive. Casada, mãe de Benício. O interesse mutuo entre ambos, aparece, e o pseudo- romance que não se concretiza, é muito bem explorado, sem cair na pieguice.

De certa forma Refn, cria uma homenagem ao cinema de action figure, imortalizado por Hollywood quando elege seus personagens chaves, colocando a donzela de sua película como garçonete, o malvadão como um mafioso judeu que gosta de comida (já reparou que mafioso só come?) e o herói como aquele cara que faz o que precisa ser feito até as ultimas consequências. Ê Dirty Harry, hein!

Temos que chamar a atenção para a fotografia, sempre junto na construção do imaginário desse herói justiceiro. Silhueta contra luz, enquadramentos longos no olhar brilhante de Ryan ( existe uma cena onde a íris lembra o volante ou velocímetro dos carros), a escuridão onde apenas o velocímetro se move. Boas sacadas.

As cenas de corrida, deram a “DRIVE” a única indicação ao Oscar 2012na categoria de Melhor Edição de SOM, o que é bacana, mas dificilmente leva, ainda mais concorrendo com “Transformers: O lado Oculto da lua”. FATO. Contudo, Ryan e Refn MERECIDAMENTE, deveriam ter tido seus nomes lembrados. Ainda mais Ryan que acumula neste mesmo ano a estupenda atuação por “Tudo pelo Poder”. O Mundo nunca será justo de fato.

“DRIVE” é uma bela cinematografia, embora, contudo, perca um pouco o gás no meio da historia, mas a junção precisa de elementos, somada a doação que o elenco emprega em entrar nesse projeto e fazê-lo virar, é uma prova de que, boas ideias, precisam de bons executores. Ai elas transformam-se em marcos. Não foi a toa que Refn ganhou o Premio de Melhor Diretor em Cannes no ano passado. E ganhou por “DRIVE”.

Os: o casaco branco de escorpião, criação de uma iconografia de herói de impacto. Excelente para virar produto de lojas de departamentos. Não duvido.

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