A humanidade observada com compaixão – OSCAR 2012

Opinião

Por Caroline Araújo

Com certeza, o mais novo trabalho de Chris Weitz, diretor conhecido mais por ter encarado as rédeas do segundo filme da Saga Crepúsculo, vai passar batido para muita gente. Talvez pelo preconceito por ele já ter dirigido esse sucesso teen, ou por acharem que a historia do jardineiro mexicano é banal por demais para merecer atenção. O fato é: Uma pena aos que pensarem assim, pois Weitz,  fez um filme que fala por si, onde as imagens são mais que meros enquadramentos.

É inevitável a comparação com o clássico neo-realista do cinema italiano de 1948, imortalizado por Vittorio de Sica “O ladrão de Bicicletas”. No filme de Weitz, “A better life – Uma vida melhor” (2011) a bicicleta sede a vez a uma caminhonete, onde Carlos GalindoDémian Bichir, é um simples e ilegal ajudante de jardinagem que vê a possibilidade de melhorar de vida ao comprar a caminhonete de seu amigo e patrão, pois este voltará ao México em breve.

A vida de Carlos é muito simples. O trabalho é incansável. Tudo para que seu filho Luis – José Julian – possa estudar e desfrutar de algo que nem Carlos sabe o que seja, mas com certeza, melhor do que ele próprio já experimentou. Ele dorme em um sofá na sala de sua casinha humilde, enquanto o quarto cabe ao filho. Carlos exala aquele tipo de homem, BOM, coração puro e que o fato de não ter ou ser mais, não o leva a agredir ou caminhar para a limítrofe linha de ações violentas, ilegais e imorais. Carlos possui uma moral impar. Sim, ele é ilegal e sabe o risco que corre diariamente. Tenta passar incólume. Mas mesmo assim, ele não se furta a responder por isso caso o destino o coloque frente a frente a um policial. Não, aos invés de correr, fugir, a hombridade singela de Carlos aceita suas sentenças.

E, mesmo que uma porta se feche, Carlos busca uma janela para ver o sol. Luis, seu filho que inicialmente julgamos mais um adolescente chicano que seguirá para uma gangue qualquer, de fato ama o caráter do pai. Isso só nos chega ao fim da película, em uma cena, esplendorosa onde o dialogo de pai e filho alinhava toda a historia até ali. Démian é um show a parte. A historia de Carlos ressoa como a de um homem em busca de uma sonho, que jamais esmorece, e que jamais perde a ternura e a fé. Mas esse Carlos só é possível, por Démian vestiu-o de forma tão perfeita, delicada, emocionada.

O filme é uma espécie de etnografia visual de uma LA dos bairros de população mexicana. Seus rodeios, musicas, festejos. Suas raízes e as miscigenações oriundas da influencia do país onde vivem agora, EUA. Poucos filmes norte-americanos deram um passo tão ousado (e honesto) na tentativa de retratar a experiência de uma família mexicana – americana de forma densa, e sem apelar para sensacionalismo. A cor laranja – amarelada obtida pelas lentes  de Javier Aguirresarobe só intensifica o cuidado que tiveram na construção da atmosfera deste trabalho. Lindas imagens. Expressivas. Pesadas.

Démian, chamou os holofotes ao ser indicado ao Oscar deste ano na categoria de Melhor Ator. Muitos torceram o nariz, eu mesma, por conta de tantos outros que mereciam e não estavam lá. Mas aprendi com a humildade de Carlos Galindo. Ele merece seu lugar ao sol com todas as pompas, embora, não leve o careca dourado desta vez. Na próxima. Pois, ficaremos de olhos atentos aos seus novos projetos. Ah, sim! e “A Better Life” absolutamente é um dos MELHORES FILMES de 2011. Fecha aspas.

WARRIOR! Fight!! – Oscar 2012

Opinião

Por Caroline Araújo

Vamos juntar alguns elementos conhecidos. Pai, que em algum momento da vida decepcionou os filhos, fazendo-os crescer amargurados e cheios de dor. Filho mais novo revoltadaço, sumido há 14 anos, que volta exalando sangue nos olhos. Filho mais velho, mais centrado, porém não menos amargurado, luta diariamente para proporcionar amor e conforto a sua família, coisa que ele em si não teve. Esposa LOIRA, claro. Motivos de saúde que entulharam a família em dividas insolúveis. A sensação de culpa pela morte do companheiro fuzileiro. A dor da separação aprupta dos pais que marcou a vida de dois irmãos para sempre. Uma chance. ONE SHOUT only. E. 5 milhões de dólares. Quase me esqueci, acrescente luta. Muita luta.

“Warrior – Guerreiro”(2011) dirigido por Gavin O’Connor iguala-se aos bons “The Wrestler” e “Fighter”, cuja temática gira em torno das lutas de boxe e neste caso, MMA, e ganha uma espaço na calçada da fama de filmes que valem muito a pena. Gavin, conseguiu ultrapassar as expectativas, e promoveu um filme que fala, não de superação como os outros citados, mas, sobre o perdão.

Tommy Conlon – Tom Hardy, ex-marinheiro, volta para casa de seu pai, Paddy numa interpretação primorosa de Nick Nolte; e descobre que em breve terá uma luta de MMA onde o premio é de 5 milhões de dólares. Nenhum pouco afetivo, por escolhas do passado, Tommy, pede que seu pai assine como treinador para que ele possa competir.

Acontece que temos o segundo filho, Brendon – Joel Edgerton, um professor de física, e que assim como Tommy foi treinado pelo pai na infância e adolescência na luta greco – romana, e por uma reviravolta do destino, precisa recorrer as lutas para sustentar sua família.

E, obviamente, que nossos 3 personagens centrais, possuem muita dor de um passado, que nos é trazido a tona, paulatinamente e de uma forma que, o espectador, construam no seu próprio imaginário, a torcida por qualquer um dos irmãos em questão. E também com 15 minutos você ja sabe onde a historia vai parar. E não conseguira deixar de acompanhar até o fim.

Bem montado, bem dirigido. “Warrior” prende o espectador num mata leão asfixiante. Entender as motivações de cada personagem é fundamental para sentir com maior intensidade as lutas no Octógono. Um pai que abre mão dos filhos, um filho que abre mão da mãe, e o outro filho que aguentou tudo e mais um pouco o que podia suportar.

Nick Nolte esta muito bem.  Merecidamente sua indicação ao globo de ouro e ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante. Porém, não leva. O’Connor, consegui utilizar ingredientes manjados de uma forma bem sedimentada, criando momentos de tensão, e segurando o espectador pelo gogó. Literalmente. De qualquer forma, não só pelo deleite visual de Hardy sem camisa –fala sério!!!! – “Warrior” superou e muito as expectativas. Vale o ingresso.