O Inglês da vez – Oscar 2012


Opinião

Por Caroline Araújo

John Hurt, Colin Firth, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, Tom Hardy, Mark Strong, Stephen Graham, Roger Lloyd-Pack, David Dencik, Ciarán Hinds, Kathy Burke e, logicamente, GARY OLDMAN. Com um elenco impecável como esse,  o director sueco Tomas Alfredson executa uma das mais primorosas películas de 2011, aliando técnica, inspiração e escolhas muito bem acertadas.

“Tinker, Tailor, Soldier, Spy – O espião que Sabia Demais”(2011), é um filme tão moral, que pincela pequenos dramas domésticos( e super importantes para compreensão da trama ) entre a grande sinuca – de – bico no qual a trama se centra: A Guerra fria. Impecavelmente ambientado no inicio dos anos de 1970, temos o serviço de inteligência britânico no meio do fogo cruzado entre CIA e KGB.  A divisão de “elite” da rainha enfrenta rumores de possuir um agente duplo em seu seio maternal. Como não poderia deixar de ser, MI9, recorre a um dos seus mais exímios servidores, o recém-aposentado “ex-expiãoGeorge Smiley para que se descubra quem é o vira – casacas.

Se por algum acaso espera  assistir um filme explosivo, barulhento, sangrento ou qualquer outro “ento” do momento esqueça. “Tinker, Tailor, Soldier, Spy” trata o espectador como um Sherlock Homes, deixando pistas, ligando fatos. Inteligente ao extremo e habilmente utiliza as grandezas cinematográficas para explorar o subtexto de seus personagens de forma pontual.

Smiley, não sorri. Irônico. Silencioso, discreto, sorumbático até. Começamos o filme com George a sendo conduzido a sua aposentadoria. Para esta nova etapa da vida, ele troca os óculos, por lentes novas. Mas, não deixa de ter a mesma disciplina, de outrora. Suas novas lentes, lhes mostram aquilo que antes não conseguira perceber.

Ellis – Mark Strong, assustado, sabe que esta sendo conduzido a uma possível emboscada, mas vai, porque no fundo sempre desconfiou de quem seria o vira- casacas, mas; doía muito admitir. O Talentoso fotografo  Hoyte Van Hoytema usou e abusou dos tons frios, acinzentados e marrons quase negros para compor uma fotografia que exprimisse exatamente essa zona entre os segredos e a realidade na qual espiões são obrigados a viver. E curiosamente apena Ricki Tarr – Tom Hardy possui um pouco mais de calor, cor, não adotando os taciturnos ternos e usando cabelos compridos, loiros e jeans. Tarr nos faz lembrar que até os espiões são humanos, não máquinas.

Gary Oldman  esta fabuloso. Aquele olhar poderoso adentra no espectador. Ele nos encara. Ele encara a todos. Não precisa bater, não precisa matar, ele vai extrair a verdade de você. Sempre no tom certo, a sua capacidade de transformação, para interpretar Smiley é assombrosa.

Todo ano um filme britânico sempre chega para o grande páreo do Oscar. “Tinker, Tailor, Soldier, Spy” é o britânico da vez. Milimetricamente pensado, e perfeitamente executado. A trilha sonora composta por Alberto Iglesias é ótima. Sempre marcante, sem nunca exagerar. A direção de arte é outro show a parte, as paletas de cores, objetos, o campo visual composto. Simplesmente fantástico. É isso que chamamos de trabalho de EQUIPE, e o cinema de todas as artes é uma arte de EQUIPE.

Concorrendo ao Oscar 2012 nas categorias de Melhor ator para Gary, Melhor Roteiro adaptado e Melhor trilha sonora original. Indicado a mais de 25 premios ao redor do mundo, no BAFTA 2012 levou para casa os prêmios de Melhor filme Britânico, melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha sonora e Melhor direção de arte.

A Indicação de Gary vem para coroar uma brilhando carreira tecida por este singular artista. Com mais de 40 filmes no currículo esta é sua primeira indicação. Para quem já foi Drácula, Sid, Sirus Black, Smiley vem somar a sua galeria de personagens marcantes. Seria uma grata surpresa a sua vitória, embora meu voto e torcida estejam em outro candidato.

Acredito que a melhor chance seja na categoria de roteiro adaptado, uma vez que a dupla Bridget O’Connor e Peter Straughan  fizeram um trabalho magnifico em cima de um best-seller clássicos de Le Carré sobre a Guerra Fria. E Bridget seria a terceira pessoa a receber um Oscar póstumo em toda a historia da premiação. Ela foi vitimada por um câncer em 2010. De qualquer maneira “Tinker, tailor, Soldier, Spy” trás algo mais ao espectador, numa época onde costumamos sair vazios da sala de projeção. E as terra de vossa majestade mais uma vez nos dão uma bela lição de como fazer um BOM filme.

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